Renato Gaúcho, treinador do Grêmio e grande personagem do
futebol brasileiro, disse na véspera do primeiro jogo da final da Libertadores
contra o Lanús que “o mundo é dos espertos”, sobre o episódio do uso de um
drone que espionou vários treinos de adversários tricolores durante o ano.
Posteriormente ele disse que se expressou mal (provavelmente pela rejeição
pública ao que foi dito) e disse que “o mundo é dos inteligentes”. Há uma sutil
diferença nas duas frases, com a palavra inteligente sendo melhor aceita do que esperto, que tem conotação mais negativa e ainda mais em um país que
diariamente joga na cara a quantidade de gente esperta que está no controle das
decisões e das verbas públicas. Pois bem, eu não concordo, mas também não
discordo dele. Apenas tenho uma visão diferente. De que o mundo não é nem dos
espertos e nem dos inteligentes e sim dos que aproveitam as oportunidades.
Esse ano foi repleto de oportunidades para mim, muitas das
quais jamais vou esquecer, como a que vou contar a partir do próximo parágrafo.
No entanto, a oportunidade nada é se você a deixa passar. Meu aproveitamento
com as oportunidades até esse ano era como se eu estivesse na área de
desembarque do aeroporto esperando a minha mala na esteira, vejo todos os
outros passageiros pegarem suas bagagens e a última mala que sobrou eu ainda ter
dúvidas se era a minha. Em 2017 eu estive um pouco mais atento e não fui o
último a retirar os meus pertences hehe.
Primeiro dia de dezembro, sexta-feira, estava eu triste por
questões particulares, quando meu chefe Tercio (ele voltou para o Paraná esse
mês, sua terra natal, mas foi um dos principais nomes da minha temporada hahaha
sdds) perguntou se eu poderia cobrir a volta olímpica do Santos FUT7 na Vila
Belmiro no domingo. Ora, eu sou santista, seria excelente, uma baita
OPORTUNIDADE. Eu estava tão na bad que quase declinei o convite. Mas, aceitei e
mal sabia que estava prestes a viver o melhor FDS da minha vida em termos de
eventos.
Terceiro dia de dezembro, domingo, estava incrédulo com o
que aconteceu de sexta para sábado, mas ao mesmo tempo feliz por viver aquilo e
ter aproveitado a OPORTUNIDADE (e depois contar o que houve tomando suco de uva
ao lado de uma pessoa muito boa huahuahua). Fui informado que os atletas do
Santos FUT7 sairiam às 14:00 da Engemon (empresa com obras e projetos de
engenharia elétrica e civil, assim descrito no site deles). Santos FUT7, Engemon, o que são isso? Antes, tenho que
explicar o que é FUT7.
FUT7 nada mais é que aquele futebol society maroto,
jogado em grama sintética, que ganhou esse nome para ficar mais comercial,
“vendável” e profissional. FUT7 é igual a Futebol de 7, pois o time tem que
ser composto por 1 goleiro e 6 jogadores na linha. A Engemon há algum tempo
banca um time de FUT7, antes mesmo dele ter esse nome. Para participar da Liga
F7 Brasil e da Liga F7 Paulista (de quê? sim de FUT7, continue atento kkk),
eles teriam que ter “camisa”, não bastava entrar como Engemon, teria que ser como
uma “subsidiária” de um clube de futebol existente. Aí é que entra o Santos na
história, que cedeu o nome e literalmente a camisa para a empresa montar um
ótimo time e ser campeão de todos os torneios possíveis organizados pela Liga
F7 nos últimos dois anos. O Santos gentilmente, como forma de agradecimento ao
desempenho da equipe (que teve alguns dos títulos exibidos no SporTV e no
Esporte Interativo), convidou os atletas a darem uma volta olímpica durante o
intervalo do último jogo da temporada contra o Avaí na Vila Belmiro. Tá Mateus,
e o que você tem a ver com esse FUT7, você não trabalha no Nacional? Sim,
“trabalho” hahaha, no entanto a Arena Nacional, principal local da disputa dos
jogos da Liga F7 Brasil, fica “nos fundos” do Nacional e o meu chefe Tercio era
o responsável pela comunicação da Liga F7. Ele mesmo dizia que estava “99% na
Arena e 1% no Nacional” e por isso estou em ambos. Pronto, agora dá para voltar
ao conto hehe.
Fui pesquisar o endereço da empresa e descubro que é na
minha quebrada kkk. Era só virar a rua e ir direto até chegar ao local. Claro
que tinha que fazer uma caminhada né, mas para mim que nem gosto disso hahaha,
era mais um motivo para o dia ser bom. Chego lá minutos antes das 14:00,
horário combinado com o Magó, treinador do Santos FUT7. Toco a campainha da
empresa e um rapaz vem me atender. Pergunto sobre o Magó e ele diz que ainda
não havia chegado, mas que tinham alguns jogadores num bar na esquina e que
talvez soubessem mais informações. Agradeço e vou até esse bar. Lá estavam dois
jogadores que estavam calmamente comendo uma carne de sol com alguns petiscos e
tomando cerveja. Pensei, “acho que vai atrasar um pouco né” kkk. Pergunto sobre
o Magó a eles, que me respondem que ele deve estar vindo. Eles também dizem que
vamos em dois carros de lá da Engemon e que pegaríamos um jogador no caminho.
Me oferecem cerveja, mas eu recuso, pois eu não bebo (hehehehe).
14:20, 14:40, 14:50 e nada do Magó. Nesse interím chegaram
mais três jogadores e eles ficaram conversando sobre um torneio que tinham
jogado naquele dia de manhã. Um pouco antes das 15:00 o Magó finalmente chega e
já foi logo pedindo o cardápio para ver o que tinha para comer. Disse que não
tinha se alimentado depois do jogo e estava morrendo de fome. Sim, ele também
estava nesse torneio no qual parte do time da Engemon, não representando o
Santos, perdeu a final nos pênaltis. Magó pede duas porções de pastéis, mas se
arrepende pois estávamos atrasados. Como a culpa não era minha, estava só
observando. Chegam os pastéis e dessa vez não recuso o convite para comê-los,
pois não tinha almoçado kkkk. Enfim, depois de muita enrolação, saímos da
Engemon por volta das 15:30, mas confiantes que chegaríamos ainda no comecinho
da partida, que teria início às 17:00. Ledo engano.
Eu viajava no carro do Magó, junto com o craque do time e
camisa 10 Zoio, o suplente Nenê, que dirigia o veículo, além claro do
treinador. O restante ia no segundo carro de um jogador que infelizmente
esqueci o nome hahaha. Tínhamos que pegar um atleta um pouco antes da rodovia
Anchieta e de lá descer a serra até Santos. Essa primeira parte foi tranquila
de certa forma. Nenê contava suas histórias de motorista ali na região do
Jabaquara, enquanto Magó se preocupava com o GPS que não parava de aumentar o
tempo previsto da viagem. Resgatamos o cara e fomos encarar a Anchieta. Logo no
início começou a fazer frio e a neblina tomou conta. Resultado? Trânsito. Mas
não era trânsito de muitos carros, era trânsito de ficar parado devido a falta
de visibilidade. Magó começou a temer por nós e pela volta olímpica, pois se
nós não chegássemos, nem taça teria para mostrar, já que elas estavam no nosso
carro. O GPS marcava o tempo previsto de até 17:50, sendo que nessa hora já
deveríamos estar dentro de campo, começando a celebração. Nenê tentava
descontrair o comandante, mas era em vão. Alberto (falarei dele mais à frente)
e o presidente da Engemon ligavam para saber onde estávamos e ele respondia que
daqui a pouco estaríamos lá, mas era mentira. Ficamos parados por 15 minutos
depois do pedágio e demos a sorte de descer no comboio que estávamos. Olhávamos
para trás e não tinha nenhum carro. Se atraso lá no início fosse maior, com
certeza não daria tempo. Com muito custo descemos as ladeiras de Santos e
faltando 15 minutos para às 18:00 (era para estarmos lá antes das 17:00)
chegamos perto do estádio. Perto. E a partir de agora começa a saga hahaha.
A principal rua de acesso ao estádio estava fechada, então o
Magó pediu para parar o carro no meio da rua ao lado e corremos para pegar as
camisas e as taças. Os outros jogadores do segundo carro também chegaram e
começaram a experimentar as camisetas. Magó pegou uma que ficou apertada e a
descartou. A princípio eu não pegaria nenhuma, porque afinal de contas estava
lá para fazer uma matéria sobre a volta olímpica, não para usar uma camisa do
Santos. Mas algo me fez pegar essa camisa e usar. Ficou ótima. Peguei uma das
três taças que seriam erguidas na comemoração e comecei a correr em direção ao
estádio. Atrás de mim os jogadores se motivaram e começaram a andar mais
rápido. Até o portão 17 da Vila Belmiro, passamos por vários torcedores que
gritavam "é campeão" e faziam gracinhas. Um quis me interromper para tirar uma
selfie, mas nem dei bola. Em frente ao portão já nos aguardava alguns jogadores
e a turma do dono da Engemon (ele, a esposa, duas filhas, uma babá e dois
homens). Nos cumprimentamos e logo em seguida veio uma “mestra de cerimônias”
do Santos dizendo que tínhamos que entrar no campo imediatamente. Alberto
aparece para nos dar cobertura, enquanto o restante do grupo que tinha chegado
no horário e tinha assistido o primeiro tempo na arquibancada aparecia para
pegar as camisas. Sou revistado em segundos e vou na frente acompanhando a
funcionária do Santos. No caminho passaríamos pela quadra dentro da Vila e sairíamos
no portão da ambulância, no escanteio abaixo da torcida visitante. Magó não me
segue e vai parar no banheiro kkkk. O resgato e voltamos para o caminho
correto. Chegamos todos ao portão e as cheerleaders já estão entrando no
gramado. Somos informados que não poderia usar o celular para tirar fotos.
Metade do meu trabalho seria tirar fotos com o meu celular. E agora? A
funcionária pede para andarmos logo e iniciarmos a volta olímpica. Bom, eu
estava dentro de campo, com a mesma camisa dos jogadores do FUT7, não iria
tirar foto, ficaria ao lado de fora observando parado? Não. A OPORTUNIDADE era
boa demais para não aproveitar. Participei da volta olímpica.
Andávamos acenando para a torcida, e eles nos retribuíam
aplaudindo de pé. Eu só pensava em como fui parar ali. Acenei para o presidente
Modesto Roma Jr. e ele me correspondeu. Cara que demais. Comentei com um dos
jogadores que os torcedores nem faziam ideia de quem nós éramos (como se eu
fosse jogador kkkk). Posamos para fotos, e continuamos a volta. Ficava mais
empolgado a cada passo. Começaram os gritos de “é campeão!” dentro do estádio e
eu beijava a camisa vibrando e comemorando títulos que eu sequer tinha visto
hahahaha. Gritos de “vai gordão” começaram a ser entoados também em alusão a um
cara um pouco acima do peso que estava no grupo. Até a torcida do Avaí aplaudiu
a gente. Como diria uma pessoa boa eu conheço, foi sensa. Quando vi, a volta tinha
terminado e um dos jogadores estava suplicando para o fiscal da Federação
Paulista deixar tirar uma foto. Ele “deixou” e lá fui eu fazer o que deveria
ter feito durante todo o campo. A foto foi importantíssima, pois foi ela que ilustrou a minha matéria. Em tempo, precisa de autorização para tirar
fotos dentro de campo e ninguém tinha naquela hora.
Entrando por onde tínhamos saído, o momento feliz foi
bruscamente interrompido com uma chamada que o Marco Alberto, presidente da
Engemon estava dando em Magó, dizendo que a parceria tinha acabado e que ele
(Magó) era um irresponsável. Aí me toquei que durante toda a volta olímpica ele
não estava com a gente e nem sua esposa, suas filhas e a babá. O fiscal barrou
a entrada das crianças e o Marco ficou puto. Ele foi embora com a sua família
do estádio e nem ficou para assistir ao segundo tempo. Magó e Alberto conversam
na entrada da quadra. Percebo que é sobre o que tinha acabado de acontecer, mas
fico de longe, observando as cheerleaders hehehe. Quando acho adequado, vou ao
encontro dos dois e o assunto já era outro. Cumprimento Alberto e pergunto sobre
as fotos que tiraram de nós dentro de campo (as fotos acima). Ele
disse que ia passar para o Magó e para o Tércio e que eu pudesse ficar tranquilo
sobre isso. A pergunta fez ele questionar Magó sobre a quantas anda o Nacional.
Eles seguem o papo e eu só ouço sem participar. Depois de um tempo Alberto se
despede, diz que tem que fazer “sala” para uns convidados que estavam no
estádio. Magó e Cris, capitão do Santos FUT7, decidem não ficar para assistir ao
jogo. Eu estava saindo com eles também, em sinal de solidariedade, mas Magó pede
para eu ficar e então eu subo para o setor dos sócios, nas cadeiras descobertas
e acompanho o restante do segundo tempo.
Todos os personagens desta história estão sendo devidamente descritos
por mim para melhor entendimento do conto. Mas tem um que merece um parágrafo só para ele. Alberto. Quem é o sul-mato-grossense Alberto Luiz de Souza? Quando o
cumprimentei a primeira coisa que me veio a cabeça foi esse lance.
Sim, estava falando com um campeão brasileiro com o peixe em
2002, um ex-atacante de bom nível e agora um dirigente do futebol que já
trabalhou sabe onde? No Nacional. Curioso não? Hahaha. Durante a administração “Alberto”
houve uma equipe de comunicação no Nacional e depois foi descontinuada pela
atual administração. Uma pena. Pelo o que apurei ele é um cara muito querido
pelo pessoal que trabalhou com ele no Nacional e o Alberto fez essa ponte entre
a Engemon e o Santos para a parceria no FUT7.
Voltando ao conto, assisti ao segundo tempo torcendo para
que o Santos desempatasse o jogo, já imaginando o trecho na minha matéria “a volta
olímpica inspira os santistas que vencem o jogo....” Porém só ficou na intenção
mesmo hehe, a partida termina em 1x1. O Santos poderia ser vice-campeão com a
vitória e o Avaí ficaria na primeira divisão com mais um gol. Não aconteceu nem
um, nem outro. Pior para os catarinenses que tiveram um baita espírito
desportivo nos aplaudindo (agora falo como atleta do Santos FUT7 também
hahahaha), mas vão jogar a Série B ano que vem. Saio do estádio antes do fim do
jogo e encontro quase toda a delegação do FUT7 santista num bar em frente ao
portão 17. Lá vejo o gordo do “vai gordão” TRABALHANDO. Ué, por que ele está
trabalhando e não na resenha? Descubro que ele é um dos donos do bar, que conhecia um dos
jogadores do Santos FUT7 e foi entrando com a gente no estádio POR ESTAR COM A
MESMA CAMISA QUE NÓS. Ou seja, o presidente da principal patrocinadora do time
e dono da porra toda não entra e esse cidadão acima do peso ideal segundo a OMS
dá a volta olímpica. E eu achando que estava APROVEITANDO A OPORTUNIDADE. Talvez
se não tivesse pego a camisa do Santos não teria nem entrado em campo, pois
pode notar na foto, fora o Alberto que trabalha no Santos, todos estão com a mesma camisa. A volta
para São Paulo foi no carro do Magó e dessa vez há uma substituição. Sai Nenê e
entra Cris. Faço as entrevistas para a minha matéria e todos conversamos sobre
futebol até chegar na Engemon. Cris ainda me dá uma carona até a esquina de casa
e ali findava o melhor FDS da minha vida em termos técnicos.
Contei essa história para uma jornalista e ela recriminou
minha atitude, disse que deveria esperar ao lado de fora do gramado e aguardar
até o momento das fotos no canto do escanteio. Não concordo. Não é por que eu
não participei dos jogos e não faço parte do grupo que não poderia participar
da volta olímpica. Estava ali como jornalista também e se eu pudesse fazer o
meu trabalho como gostaria teria feito. Mas poxa, já que eu estava lá, POR QUE
NÃO APROVEITAR? Se fosse na Arena Corinthians com o Corinthians FUT7 eu faria a
mesma coisa. Agora cabe a mim dar uma volta olímpica de verdade pelo Santos,
com merecimento como diria Tite. Não dá mais como jogador, mas quem sabe na comissão
técnica? É só a sorte sorrir para mim outra vez que com certeza eu aproveitarei
a oportunidade, já que agora eu aprendi como aproveitá-las.

















