domingo, 17 de setembro de 2023

Tio do Miss Browne


Ainda bem que não tenho nenhuma obrigação de manter esse blog ativo, pois se dependesse da minha periodicidade de textos publicados ele estava fadado ao absoluto ostracismo. Mas, vejam só vocês, a minha vida continua oferecendo boas histórias pra contar e portanto, cá estou novamente pra deixar registrado uma historinha sobre retornos e despedidas, reencontros e descobertas.

Meu último texto aqui foi um causo engraçadinho envolvendo minha mãe, uma mala e uma viagem pra Bahia. Imaginei que escreveria pelo menos um texto por ano, mas aparentemente 2021 e 2022 não terminaram não é mesmo? Todavia, aproveitando este hiato, faço uma retrospectiva do que rolou comigo após minha mãe recuperar a ruma de limões (spoiler do texto acima citado).

Pandemia/Desemprego/Atento/Matão/Playball/Mudança

Essas são as palavras-chave do que rolou de janeiro/20 a maio/22. Não vou me aprofundar em cada uma delas, mas conectando todas brevemente, a pandemia interrompeu os meus freelas na Playball e na Cassinera me obrigando a ficar em casa até novembro/20, quando consigo um trampo temporário na Atento (mês esse também que marca dois fatos importantes na minha trajetória e um deles contarei mais abaixo, o outro não dá porque o final é triste kkk). Antes de terminar os três meses de experiência na Atento, sou chamado pra outro trabalho temporário em fevereiro/21, desta vez na Escola Estadual Padre Manuel da Nóbrega, o famoso Matão (este também tem a ver com a história deste texto).

Era pra ficar lá um ano, entretanto ramelei e fui "convidado a me retirar" em julho. E detalhe, estava terminando de tratar uma ansiedade que surgiu durante a pandemia. Porém estou bem a quem quiser saber. Antes de completar um mês desempregado olha quem reapareceu? A Playball. A princípio como freela, depois como titular da equipe de Eventos e permaneci de setembro/21 a março/22 pois tinha que assumir a minha vaga efetiva em uma escola (que a essa altura todo mundo já sabe qual é haha).

Antes de entrar na escola ainda tive que participar da mudança da minha mãe em definitivo para a Bahia, somado a ter que deixar de morar nas Perdizes, local este que vivi toda minha existência. Como se não bastasse, minha vida pessoal não ia bem e teve o ápice no dia da mudança da minha mãe, dia esse que foi SENSACIONAL, do início ao fim. Apenas este dia merecia um texto, mas como falei, o final é triste e não vou gastar meu talento pra falar sobre isso.

Pronto, chega de enrolação, agora vamos para o que interessa, que é saber o motivo de o Brasil não suportar os últimos quatro minutos da prorrogação diante da Croácia na Copa do Mundo no Catar. Mentira. Essa resposta chama-se futebol e quem ficou decepcionado é só esperar três anos e meio pra tentar outra vez. O que vem a seguir é um longo relato descritivo e detalhado sobre como me tornei Tio do Miss Browne. Não vou economizar no conteúdo. Se você quer saber como isso aconteceu, fique e será meu passageiro especial nesta jornada.

Tirei várias fotos e mesmo assim essa e a do post no insta/facebook foram as menos piores de ruim kkk. Fora que nas minhas últimas atualizações nas redes sociais, que são dezenas, estou com a mesma (linda) camisa e nem foi de propósito haha. Enquanto planejava o texto, essa imagem seria mais impactante. Porém na prática, por mais que tenha executado o planejado, o resultado foi só um cara que não sabe fazer selfies haha. E essa foto só tá aqui também pra ser a capa do conto, e não a de um prontuário de uma pessoa absolutamente desconhecida no mundo do futebol que consta mais abaixo haha.

O início do ser tio sem ter irmãos para ter sobrinhos

Se essa história tivesse um título de matéria no estilo Playball seria algo como "Volta pra casa saindo de casa: Mateus retorna ao Miss Browne 12 anos depois, meses após se mudar para o Morumbi". Não seria exatamente esse título porque excede os 60 caracteres recomendados, no entanto dá uma boa noção do relato que farei a seguir.

Para começar precisamos retornar ao glorioso ano de 2018. Ano em que a França mostrou ao mundo que o Mbappé é o futuro do futebol e que eu comecei minha trajetória na Playball. No meio do ano, em meio a busca de empregos fixos nos mais de 50 sites de vagas que acumulei (passou de 100 durante a pandemia e os acessava toda a semana), alguns deles eram sobre concursos públicos e achei uma boa me candidatar para ser Agente de Organização Escolar e me tornar funcionário público do estado de São Paulo. O que eu pensava na época: conquisto um cargo estável e com isso sigo tentando virar como jornalista, sem me preocupar com a imprevisibilidade dos freelas.

Fiz a prova no dia 26/08/18, um dia muito frio, ainda assim menos frio do que o freezer que as minas me tratam quando perdem o interesse em mim kkk. Em casa vendo o gabarito vi que fui bem, mas na parte de Legislação confesso que foi na interpretação de texto/achismo. Pois bem, este foi o quesito crucial para eu não assegurar uma vaga na primeira chamada. Vamos aqui a uma rápida explicação sobre o concurso do qual estava concorrendo. Eu me elegi para trabalhar à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, logo não era onde eu quisesse. O que isso significa? Teria que escolher uma Diretoria de Ensino e, se caso fosse bem na classificação, teria uma vaga para escolher dentre escolas estabelecidas pela Diretoria de Ensino, não por mim. 

Vocês estão cientes que o estado de São Paulo tem população e PIB de um país de nível da União Europeia, portanto não teria condições de apenas uma Diretoria de Ensino dar conta de todas as escolas do estado. Então foram divididas em dezenas de diretorias pelo interior, região metropolitana, litoral e capital. Só aqui na cidade tem 13 Diretorias de Ensino e eu escolhi a que abriga as escolas da região a qual eu sempre morei, a DE Centro, no intuito de trabalhar perto de casa.

Muito bem, muito bom. Saem os resultados e a minha nota é suficiente para eu ingressar na primeira convocação do funcionalismo público estadual em 12 das 13 Diretorias de Ensino da capital. Adivinha em qual eu não me elegi? Óbvio, na que eu escolhi. Eu me lembro de ter nota para ser primeiro em três DE's, mas na que eu optei fui o 15° muito porque não dei valor para a parte de Legislação e quem ficou na minha frente teve notas melhores que eu neste aspecto. Na real, todos se classificaram tão próximos que se eu acertasse três questões a mais de matemática e português por exemplo, ficava entre os sete primeiros e teria uma das sete vagas ofertadas pela DE Centro.

Resumindo, no dia da seleção, em janeiro/19, eu teria que torcer para no mínimo seis pessoas desistirem do emprego e sobrar uma escola disponível para eu trabalhar. E sabe aquela história de escola perto de casa? A mais próxima era o Alarico, que fica na Barra Funda, as outras ficavam na zona norte mesmo, perto de Santana, Vila Guilherme, Pari. Aí me dei conta que DE Centro não queria dizer necessariamente centro de São Paulo. Eu fui pra seleção no intuito de saber se ainda naquele ano teria uma nova convocação, pois para aquela já era pra mim. Dito e feito. Apenas duas pessoas não compareceram e o 9° colocado foi o último felizardo que saiu com um novo emprego daquela manhã ensolarada com prenúncio de temporal na capital paulista. 

Só que aí meus amigos, se eu não tive emprego, fiquei illusionado, como diriam nossos hermanos argentinos. O cidadão que conduzia a seleção disse que quem não foi escolhido naquele dia pudesse ficar despreocupado. Nossa vaga estava garantida e no último concurso eles rodaram a lista duas vezes até o final para preencher todas as vagas. Lá no momento eu não me dei conta direito no que ele tinha dito, depois em casa a informação foi assimilada. Digamos que 500 candidatos se qualificaram (por terem acertado pelo menos 50 pontos da prova que vai de 0 a 100). Ou seja, no concurso anterior foram chamados do 1 ao 500 do início ao fim duas vezes, além da vez que parou, que já era na terceira. Eu estava empregado, só não sabia quando e onde.

Fui tio sem assumir os sobrinhos por quatro meses

Passou 2019 inteiro, o Flamengo assombrou o país com Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Jorge Jesus, eu estava estabelecido como jornalista na Playball, quase empregado na Leo Madeiras, e ainda de quebra fazia umas vítimas em festas de cassino, mas nada de eu ser convocado pra seleção da Bulgária, quer dizer, pela DE Centro. Pensei: de 2020 não passa né, o concurso tem validade de dois anos, há um déficit de vagas nas escolas, já que tinha feito minha lição de casa e ido em algumas escolas estaduais perguntar a respeito. Ou seja, tinha as vagas e tinha gente pra trabalhar, o que pode dar errado?

Faltou eu combinar com o coronavírus. O mundo parou em 2020 e, claro, as contratações congelaram, tal como o tratamento das minas para comigo ultimamente. E agora José? A festa nem tinha começado pra mim e sabe Deus o que aconteceria a partir disso. Fui viver a minha vida né, administrar uma ansiedade ali, zerar uns jogos acolá, estudar para jogar pôquer com os brothers quando tudo voltasse ao normal ("voltou" e ainda não joguei haha) e sempre procurando emprego. Até que cheguei na Atento pra trabalhar em um produto Dasa como Assistente de Backoffice. Nada a ver com a minha área, mas pingaria um dinheiro enquanto não voltava a Playball e era um sintoma de que o jornalismo não ia pagar a comida na minha mesa (tô exagerando né, morava e ainda moro com os pais, só que não poderia esperar em berço esplêndido uma oportunidade que cada vez mais creio que não virá e que também deixei de correr atrás). 

Estava focado em passar o período de testes pra ser efetivado quando em fevereiro/21 vou conferir a lixeira do meu e-mail e encontro uma convocação da DE Centro para aquela semana para uma vaga temporária em uma escola por um ano. Me lembro perfeitamente a situação. Tinha chegado tarde do trampo, quase às 23h , e liguei o note pra ver uma situação pro dia seguinte, mas que super poderia ver pelo celular. Nisso abro o e-mail e tenho a curiosidade de ver a lixeira, coisa que não faço usualmente, e bingo, estava lá a convocação. Eu fiquei parado na cadeira olhando pro armário da cozinha por meia hora pelo menos, tentando assimilar o que estava acontecendo.

Diferentemente de janeiro/19, desta vez eu tinha uma vaga assegurada, já que a DE Centro ofertava cinco vagas e eu era o quarto da lista. Houve uma convocação entre essas duas que o 10° e 11° conseguiram uma vaga temporária cada e, por isso, a lista iniciaria do 12°. Como vocês se recordam eu fui o 15° e desta forma estava dentro do número de vagas. Mas por ser uma vaga temporária eu tinha que analisar a proposta. Talvez pudesse ser melhor seguir na Atento na vaga quase efetiva. Comuniquei meu chefe de operação que se caso as condições fossem favoráveis toparia ir pra escola. Na pesquisa das escolas tinha o Matão como preferido, já que era a mais próxima de casa. As outras estavam perto do estádio do Canindé e da estação Parada Inglesa, ambas na zona norte.

Só que no Matão era apenas uma vaga, enquanto que nestas outras escolas eram duas pra cada, totalizando cinco. Apesar de ter uma vaga assegurada, ter que trabalhar longe seria algo a pesar. No dia da convocação na DE Centro tinha umas dez pessoas aguardando, logo tinha que torcer para nenhuma delas escolher o Matão, mas quando foram chamando as posições, ninguém na minha frente tinha comparecido e pude escolher o Matão sem problemas. A oportunidade era melhor que permanecer na Atento e se mostrou acertada, já que meses depois o produto Dasa que cuidávamos acabou e posteriormente a equipe de operação foi desfigurada. 

Minha passagem pelo Matão pode ser analisada por dois aspectos. Na vida pessoal foi maravilhosa. Trabalhava de segunda a sexta, das 9h às 15h (ainda estávamos em regime de teletrabalho por causa da pandemia, logo a secretaria não funcionava o tempo inteiro e não tinha todos os funcionários presencialmente). Ia pra academia após o trampo e tinha os finais de semana pra encontrar a @ e ir ao McDonald's (não tô falando da rede de lanchonetes HAHA). Mas na vida profissional dentro da escola foi de muito aprendizado e de um choque de realidade, de amadurecimento, que resultou na minha saída em junho, mas que na prática foi em julho. Sem ressentimentos, porém vou carregar este fardo pelo resto da vida. Com isso mal tive contato com os alunos, conheci alguns, mas o suficiente para ajudá-los no que fosse necessário.

Retirei o Tio do Miss Browne

Sair do Matão não significava que perdi a vaga efetiva. Mas era a perca de um emprego que gostava e, que de certa forma, afundou minha vida pessoal, já que na Playball eu entrei como bombeiro pra reforçar o setor de Eventos e tive que abdicar de várias coisas, inclusive os rolês com @, o McDonald's e os treinos na academia (não participei da festa de 60 anos do meu pai por exemplo). Dei a minha palavra pro Douglão (meu chefe na Playball) que enquanto minha vaga efetiva não saísse, jogaria pela Playball da melhor forma que conseguisse, tal como o Endrick fará pelo Palmeiras antes de ir pro Real Madrid (isso se o Portuga deixar né kkk). E a aventura como Organizador de Eventos na Playball teve fim em março/22. Isso na carteira de trabalho, pois na prática sigo funcionário da Playball como editor-chefe de jornalismo e em vários sábados fui de freela na organização.

Cês acham mesmo que ia levantar a bola pra depois não cortar? Olha aí quem foi aluno do Miss Browne, o próprio, o primeiro e único, o jogador de 70 milhões de euros, Endrick. Menção honrosa para o Yago Mateus, um dos melhores jogadores brasileiros de basquete atualmente e que também passou por essa escola maravilhosa.

A foto anterior é de um jogador cumpridor e que não arranca suspiros dos palmeirenses. Este aqui não, um craque consolidado no cenário nacional. Disputou competições continentais e jogou por clubes tradicionais da capital e baixada santista. Falo de Caio Mancha, o ídolo da base palestrina, que atualmente desfila sua cátedra no CD FAS de El Salvador, clube mundialmente conhecido por FAZER ótimas contratações.

Eu queria ter algum tipo de previsibilidade, saber quando assumiria meu cargo na escola, se é que iria, já que né, as coisas poderiam ter mudado de um ano para o outro. Cheguei a ligar para a Afuse, que é o sindicato dos funcionários da secretaria da educação, e lá me disseram que nem eles sabiam quando teria a convocação, mas que pressionaram o secretário da educação do estado na época, o Rossieli Soares, para resolver essa situação. Enfim, veio o aguardado e-mail da convocação, quando a essa altura eu também pesquisava no Diário Oficial do Estado uma vez por semana. Ou seja, não foi AQUELA surpresa da vaga temporária, mas isso não quer dizer que não teve emoção, no sentido do Galvão Bueno mesmo.

Lendo a convocação entendi que haveria cinco vagas efetivas e eu seria o sexto na ordem. Explico. Como desta vez a convocação não era para temporários, a seleção retomaria da primeira posição que não foi selecionada lá em 2019, ou seja, a partir da 10°. Dentre as escolas que poderia escolher tinha uma perto do Parque Dom Pedro 2°, uma na Mooca, mais uma vez outras na zona norte. Todavia tinha a Escola Estadual Miss Browne, que fica situada na rua Padre Chico, 102, bairro da Pompéia, divisa com Perdizes. Escola esta que estudei de 2006 a 2009, do que era na época, da 5° a 8° Série do Ensino Fundamental 2, e que fica a dez minutos a pé de onde morei minha vida inteira, na rua Iperoig, 501, este sim no bairro das Perdizes. Não preciso dizer que era a escolha perfeita.

Tá aí a ficha criminal do elemento kkk. ACHO que pareço com esse mlk da foto hehe.

Se tu conseguir enxergar as notas kkk, verá que fui um aluno decente e que não tive dificuldades de passar pelo Fundamental 2. Hoje em dia confecciono históricos escolares tal como este.

Só há um quadro em toda escola de formandos. Essa é a classe de 2012, com formandos do Ensino Médio Regular; do Fundamental 2 e Médio EJA. Eu deveria estar nesta foto, mas saí do Miss no Ensino Médio em 2010 para ir ao arquirrival EE Zuleika de Barros. É como trocar o Grêmio e ir jogar no Internacional, sem escalas. Mas constam amigos meus neste quadro e que talvez leiam este conto. Um que está, porém infelizmente não o lerá por não estar entre nós desde novembro/20, é meu grande irmão da vida Eric (2° fileira de cima pra baixo, 10° da esquerda pra direita). Entretanto em algum canto ele dará sua risada tão debochada quanto a minha sobre este relato.

Porém nada estava garantido, nem o Miss Browne, nem sequer que a vaga chegaria até a minha colocação, já que eram cinco escolas e eu era o sexto, tinha que torcer para um desistir. Uma situação bem melhor do que em janeiro/19 na primeira convocação. Comuniquei ao Douglão sobre a situação e pedi pra ele não avisar a Rafaela, minha super parceira e amiga de setor, pois como não era certeza que iria sair, não iria alarmá-la por nada. Eu recebi o e-mail numa sexta e a convocação seria na sexta seguinte. No sábado teve rodada da Copa Playball e eu já trabalhei meio que em ritmo de despedida, pois acreditava que alguém não iria e uma vaga sobraria pra mim. 

Só que na quarta relendo o e-mail me dei conta que eram apenas duas vagas efetivas para escolher entre cinco escolas. Ou seja, ao invés de uma pessoa, teria que torcer para quatro não irem. De repente o otimismo deu lugar a apreensão. Nem falei pro Douglão dessa falha no engano e deixaria pra contar quando voltasse da seleção sem a vaga, o que sabidamente o faria bem contente, pois a minha permanência seria importante para o Eventos. Sim, eu não acreditava mais que sairia da Playball e passaria a torcer pra ter outra convocação ainda em 2022, enquanto o prazo do concurso estivesse vigente. A sexta chegou e a convocação iniciaria às 9h30 na DE Centro. Eu, como sempre em cima da hora, apareci no rolê faltando 10 minutos para o início. Foram convocadas 20 pessoas para duas vagas. Sabe quantas tinham na DE Centro às 9h20? 10? 15? 7? 5? NENHUMA. Ninguém brother. Eu achava que estava rolando uma pegadinha.

Às 9h28 encostaram na goma um pai com o filho, o Fernando. Perguntei ao Fernando se estava participando da seleção e ele disse que sim. Espirituosamente comentei que se não chegasse mais ninguém as vagas eram nossas. Ele riu. Questionei se ele era temporário e disse que sim, e que trabalhava sabe em que escola? No Miss Browne. Ato contínuo, questionei qual era a posição dele no certame e ele disse 22°. Neste momento abri aquele sorriso sacana de criança quando comete um delito, sabe que tá errado, mas só quer ver a patifaria. Falei que eu estava na frente dele na classificação e que sentia muito, porém iria escolher o Miss Browne se tivesse oportunidade.

A apuração começou às 9h45. Ou seja, ainda deram 15 minutos pra alguém chegar além de nós três: eu, o Fernando e o pai dele. Ninguém apareceu. O destino estava selado. Foram sendo chamados posição por posição, nome a nome, até chegar a 15° de Mateus Lemos Rodrigues. Escolhi o Miss Browne, assinei os papéis, e saí da DE Centro crente de que há momentos que a vida é um troço bem sapeca. Todos que chegaram até aqui perceberam que a sorte sorriu pra mim, todavia vamos ter uma atenção especial para trajetória de Fernandão. Ele assumiu a vaga de temporário no Miss Browne havia poucos meses, tinha se adaptado a escola, gostava de lá e entendia ser um sonho distante conquistar a vaga efetiva, mas né, vai que...

Chega à DE Centro e vê apenas uma pessoa. Ora, as chances cresceram exponencialmente. Mas essa única pessoa estava na frente dela na ordem de chamada. Ela poderia escolher uma das outras quatro escolas, só que o cidadão mora há dez minutos a pé do Miss Browne e é um ex-aluno da escola. Foi como a disputa do Barrichello com o Schumacher no grande prêmio da Áustria em 2002, na icônica narração do Cleber Machado do "Hoje não, hoje sim?". Em tempo, Fernandão escolheu uma das outras escolas e permaneceu lá por pouco tempo, pois pediu exoneração pra trabalhar no Banco do Brasil.

Na volta da seleção, já passei no Miss Browne, me apresentei e achava que iria começar a qualquer momento. Só que no Estado irmão, tu é regido pelo Diário Oficial. Se seu nome não aparece lá, nada feito e até o momento eu tinha escolhido a escola, ainda teria que passar pela perícia médica, que sabe God quando seria. E por não ter um prazo, eu não poderia esperar na Playball enquanto isso. Tive que pedir demissão, já que não poderia ter acúmulo de funções em carteira de trabalho. Se eu sou funcionário público, sou apenas funcionário público enquanto pessoa física.

Desfalcar a equipe de Eventos, ou melhor dizendo, Rafaela e Douglão, me apertou o coração. Nós vivemos vários perrengues juntos e isso só nos uniu. Nunca tive um ambiente de trabalho tão maravilhoso quanto lá. Eu chorava de rir quase todo dia, mesmo com vários forninhos pra segurar (Desenapenho é outra história que merecia um texto HAHA). E a minha saída foi coroada com um abraço da Cris, gerente da administração, que pra mim representou mais que qualquer coisa que já tenha sido dita sobre a minha passagem como efetivo da Playball.

Agora sim seria tio de verdade, com mais de 200 sobrinhos

Passou março, abril, chegou maio e nada de meu nome ter atualizações no Diário Oficial. Minha mãe foi embora e não tive o gostinho de ir trabalhar perto de casa, já que passei a residir com meu pai no Morumbi. Na verdade no Real Parque, próximo ao Palácio dos Bandeirantes, que fica há 9,5km da escola. Como demorei uma eternidade pra escrever este conto, em junho/23 pude ter esse prazer já que meu pai voltou a trabalhar nas Perdizes cobrindo as férias do meu primo, e brother, foi maravilhoso, inclusive sdds. De certa forma foi bom não ter entrado na escola logo após a minha convocação pois pude ficar com a minha mãe o tempo inteiro e ajudar em todo esse processo de mudança, algo que se ainda tivesse na Playball como efetivo seria bem difícil de contribuir. Só no final de maio fui chamado pra perícia que seria em junho. Não passei de primeira devido ao meu histórico de tratamento para ansiedade. Porém no início de julho tive a confirmação que estava apto a desempenhar as minhas funções como Agente de Organização Escolar.

Se tá dizendo no Diário Oficial, quem sou eu pra discordar parça?

No dia 4 de julho de 2022 minha história reiniciou no Miss Browne. Deise, funcionária da secretaria, tal como eu, é mais conhecida como Miss Deise (ou Deise Maria kkk) e era da minha época de aluno, tal como a Dona Jô e o Weber da cantina que lá permaneceram por todo este tempo. Atualmente quem manda na cantina é a bola de vôlei mais conhecida do cinema, Wilsooooooon. No mais, todo o corpo docente e de funcionários mudou. Junto comigo na secretaria/corredor/pátio/em qualquer lugar está além da Miss Deise, Renata San Juan, que não é a cidade argentina nem a capital de Porto Rico. Nosso time ainda conta com a melhor GOE do Miss Browne, Aline Chefinha; na coordenação pedagógica temos a mãe do Murilo, Alessandra, doutora em elaborar grade horária; Thiago, sempre com uma ideia na cabeça; e Rosy, atriz, jornalista, socióloga e recifense nas horas vagas, E chefiando todo mundo Elton, o nosso cabeludo favorito, com sua fiel escudeira Márcia Delegada, a COE do GAECO kkk. Preciso falar sobre Regina Célia, minha mãe adotiva, que entrou praticamente ao mesmo tempo que eu e esteve conosco até julho/23, pois era funcionária temporária.

Falta a chefinha de nós todos, mas ela não gosta da gente então tá tudo certo kkk. Da esquerda pra direita: Renata e o sobrenome chique; Miss Deise, mais conhecida que a própria Miss Browne; Regina Célia, minha referência em interpretação de histórias (e fofocas) na escola e na vida S2. 

Há outras figuraças como Birinight, o homem que não esquece nada; Dennys Antifa, o maior torcedor do Rayo Vallecano da escola; os Três Mosqueteiros: Mau Mau, Fernando e Vitin Cria da Quebra de Vics. Maria Cheirosa, da Vila Maria para o mundo; Flavinha, mais fã de Creed do que eu; Maeli, que jamais foi atropelada por cachorros ou agredida por quadros; Elis Regina, que na língua de sinais interpreta muito melhor que a sua xará menos famosa; Creonice e Geneci (aqui não é com J kkk), que deixam a escola um brinco e são exemplos pra mim de dedicação ao trabalho e gratidão pela vida. Enfim, todos que fazem parte e contribuem para a Miss Browne ficar orgulhosa do trabalho que ela iniciou há quase cem anos.

Porém, é óbvio, que a escola é feita pelos alunos e eu me divirto demais com eles, algo que me faltou de experiência no Matão. Agora no Miss desde que retornaram as aulas no segundo semestre de 2022, todos os dias sirvo de conselheiro amoroso (melhor parte), comentarista esportivo, companheiro de conversa, negociador de informações (maldosos dizem que isso é ser fofoqueiro) e claro, os zuando sempre que possível. Também faço meu trabalho de cuidar das bênçãos e evitar que se matem nas brincadeiras tanto no pátio, quanto nas quadras. Em especial interromper o futebol de garrafinha, uma determinação dos meus superiores, mas que na prática é um desafio diário a minha paciência.

Mesmo sendo carrasco dos mlks na luta contra o fut de garrafinha e qualquer outra coisa pra chutar, fui condecorado com uma medalha de bronze, apesar de ganharmos a de ouro, no Tênis de Mesa do Interescolas do segundo semestre de 22. Recebi a medalha em consideração por ter ajudado nos trâmites para o envio da delegação a competição. Arthur, o Cordeiro, me presenteou. As chaves são das portas das salas e do portão central do pátio, com um chaveiro do Royal Straight Flush do poker. Chaveiro esse que quando entrei na escola era um que ganhei de uma amiga quando ainda estudava no Miss e foi protagonista desta história. Mas ele quebrou e foi substituído a altura. O aluno de 2006 em 2023 tem a chave da porta das salas. Jamais imaginaria ter esse poder.

Em pouco tempo decorei os nomes e identifiquei TODOS os por volta de 210 alunos ativos da escola inteira. Por ser PEI (Programa de Ensino Integral) e não por período (manhã/tarde/noite), o convívio com os alunos é maior, logo é mais fácil vê-los sempre e reconhecê-los. Além disso estou em contato direto com eles pelo menos três horas todos os dias. Nas férias escolares é bem bacana trabalhar com a tranquilidade que a escola vazia oferece, porém o entretenimento que os alunos dão nem se compara. Mais uma temporada completa de risadas, conselhos, broncas, fofocas e muito café na secretaria (enquanto eu não quebro a jarra da cafeteira).

Queria que fosse uma foto com geral da escola, mas não achei nenhuma satisfatória nas redes sociais oficiais do Miss kkk. Mas essa é bacana pois fui num rolê de baska no Pq. São Jorge com os alunos haha. Da esquerda pra direita: Dudu, o mlk do sotaque; Bruno, o primo do Gabriel Jesus; Safrinha e Safrão, os irmãos filhos da Tia Cláudia.

Quando me inscrevi para o concurso olhava com certo menosprezo para a função, como algo passageiro, um trampolim. Hoje agradeço por ter ido mal na parte legislativa da prova e o destino se encarregou de me trazer novamente ao Miss Browne. Seria possível mudar de escola caso tivesse sido nomeado na primeira convocação lá em 2019. Existe uma "janela de transferências" do administrativo em que você pode se candidatar a uma vaga em outra escola. A Renata retornou ao Miss dessa forma em julho/22 por exemplo e Vivi, a melhor GOE do Matão, me cortejou para que eu voltasse para lá se possível. Agradeci o interesse e reconhecimento, mas, mesmo acordando cedo todos os dias, algo que adoro de paixão, hoje eu sou TIO DO MISS BROWNE e que seja eterno enquanto dure.

Mainha e painho também estudaram no Miss Browne! (Oração afetada por estar na Bahia enquanto termino de escrever este conto após 15 meses de tê-lo iniciado). Eles fizeram parte do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) que era muito forte na região, referência mesmo, e até hoje atendo ligações de pessoas buscando este ensino conosco. No entanto por sermos PEI, o EJA foi extinto do Miss em 2021.

Aloooooo Damares, cadê você? Esses prontuários estão do seu agrado. Mãe na cor rosa e pai na cor azul. O meu, que está mais acima, também está na cor azul hehe. Meu pai não deve ter achado uma foto 3x4 decente pra colocar no prontuário kkk. E detalhe no campo responsável, "o próprio", HAHA.

Uma das minhas incumbências que estão no rol de atividades é pesquisar a vida escolar de alunos quando sequer existiam prontuários. Os registros estão em livros com os resultados finais de cada ano e este é recente, apenas 68 anos atrás. Detalhe para a fonte da escrita e o capricho das letras.

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