terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Super campeão




Olívio Asabust Hirako, conhecido apenas como Olívio, é um jogador de nível internacional e que joga atualmente no Real Madrid C.F. Brasileiro, formou sua carreira diferentemente dos nativos do país, que percorrem o “caminho da bola” jogando na base de clubes nacionais, galgando até chegar ao time principal. O “inusitado” na história de Olívio é que além de não ter feito base, ou seja, jogado em algum clube nas categorias inferiores até os 19 anos, ele estreou no futebol jogando em nível profissional. Detalhe, no Kashima Antlers do Japão.

O paulistano do bairro da Liberdade e descendente de japoneses, Olívio desde pequeno se destacava na escola e nos torneios de futsal que jogava. Por ter um estilo de “camisa 10” e um chute com muito efeito, ganhou o apelido de Tsubasa, em referência ao anime japonês “Super Campeões” que fez muito sucesso no Brasil na década passada. Até o cabelo e o porte físico eram parecidos com o personagem. No entanto as semelhanças não param por aí.

Olívio chegou a fazer testes no São Paulo F.C aos 12 anos, tal como Tsubasa no seriado. Porém, mesmo fazendo gols e atuando onde queria no campo, foi reprovado e isto o abalou de tal maneira que não quis mais realizar testes em outros clubes. Já quando fazia muito sucesso no Kashima Antlers, um dos técnicos da base tricolor disse que ele foi reprovado em detrimento a um jogador de empresários, ironicamente, japoneses.

Firme em sua decisão de não ser jogador profissional, seguiu sua vida até que aos 18 anos recebeu uma proposta de um tio para ajudá-lo em uma lanchonete no Japão. Sem ter algo melhor em vista no Brasil, rumou à terra dos samurais em busca de viver o sonho de fazer mangás, sua outra paixão.

Em terras nipônicas, Olívio jogava regularmente em um parque local em Hamamatsu e já despertava o interesse dos frequentadores. A fama sobre seu futebol foi tamanha, tendo inclusive um canal popular no YouTube com seus lances, que um olheiro o convidou para participar de uma partida comemorativa na Semana do Ipê, em que são arrecadados fundos para a manutenção do Sakura Park (Parque do Ipê) em Osaka, mais de 250km de sua casa.

Mesmo contando com ex-jogadores profissionais, Olívio roubou a cena, marcou cinco gols e deu três assistências, além de distribuir canetas e chapéus. Ele não voltou mais para a casa do tio e nem para o seu caderno de mangás. Na semana seguinte faz um teste no Kashima Antlers e foi aprovado para um período de testes. Que durou cinco dias. Espantados com o nível do jovem, os donos do clube propuseram um contrato profissional e não poderiam ter feito melhor escolha. Em duas temporadas no clube japonês, conquistou dois Campeonatos Nacionais, uma Copa Nacional, uma Liga dos Campeões Asiática e um Vice-Campeonato Mundial, perdendo para o Real Madrid na prorrogação.

O clube merengue já observava o “fenômeno” brasileiro em terras japonesas, porém depois da atuação de Olívio na final, firmou um contrato com o jogador já em dezembro por 37 milhões de euros, para se apresentar apenas em julho. “Uma loucura”, era isso que todos os periódicos esportivos europeus descreviam a negociação. Olívio tratou de desmentir todos, fazendo uma temporada de estreia espetacular, ganhando todos os títulos possíveis, sua primeira convocação para a seleção brasileira (após haver uma passeata nas ruas para que aceitasse defender a seleção nipônica) e o prêmio de melhor jogador jovem (até 23 anos) da temporada.

Agora se prepara para disputar a Copa do Mundo e a partida de estreia é justamente contra o Japão, país que proporcionou o seu sonho de jogador. Se alguém me contasse não iria acreditar.

Essa é uma história singela escrita em uma atividade na faculdade em 2016 e que foi resgatada em meio a arquivos antigos.