sábado, 23 de dezembro de 2017

Oportunidade


Renato Gaúcho, treinador do Grêmio e grande personagem do futebol brasileiro, disse na véspera do primeiro jogo da final da Libertadores contra o Lanús que “o mundo é dos espertos”, sobre o episódio do uso de um drone que espionou vários treinos de adversários tricolores durante o ano. Posteriormente ele disse que se expressou mal (provavelmente pela rejeição pública ao que foi dito) e disse que “o mundo é dos inteligentes”. Há uma sutil diferença nas duas frases, com a palavra inteligente sendo melhor aceita do que esperto, que tem conotação mais negativa e ainda mais em um país que diariamente joga na cara a quantidade de gente esperta que está no controle das decisões e das verbas públicas. Pois bem, eu não concordo, mas também não discordo dele. Apenas tenho uma visão diferente. De que o mundo não é nem dos espertos e nem dos inteligentes e sim dos que aproveitam as oportunidades.

Esse ano foi repleto de oportunidades para mim, muitas das quais jamais vou esquecer, como a que vou contar a partir do próximo parágrafo. No entanto, a oportunidade nada é se você a deixa passar. Meu aproveitamento com as oportunidades até esse ano era como se eu estivesse na área de desembarque do aeroporto esperando a minha mala na esteira, vejo todos os outros passageiros pegarem suas bagagens e a última mala que sobrou eu ainda ter dúvidas se era a minha. Em 2017 eu estive um pouco mais atento e não fui o último a retirar os meus pertences hehe.

Primeiro dia de dezembro, sexta-feira, estava eu triste por questões particulares, quando meu chefe Tercio (ele voltou para o Paraná esse mês, sua terra natal, mas foi um dos principais nomes da minha temporada hahaha sdds) perguntou se eu poderia cobrir a volta olímpica do Santos FUT7 na Vila Belmiro no domingo. Ora, eu sou santista, seria excelente, uma baita OPORTUNIDADE. Eu estava tão na bad que quase declinei o convite. Mas, aceitei e mal sabia que estava prestes a viver o melhor FDS da minha vida em termos de eventos.

Terceiro dia de dezembro, domingo, estava incrédulo com o que aconteceu de sexta para sábado, mas ao mesmo tempo feliz por viver aquilo e ter aproveitado a OPORTUNIDADE (e depois contar o que houve tomando suco de uva ao lado de uma pessoa muito boa huahuahua). Fui informado que os atletas do Santos FUT7 sairiam às 14:00 da Engemon (empresa com obras e projetos de engenharia elétrica e civil, assim descrito no site deles). Santos FUT7, Engemon, o que são isso? Antes, tenho que explicar o que é FUT7. 

FUT7 nada mais é que aquele futebol society maroto, jogado em grama sintética, que ganhou esse nome para ficar mais comercial, “vendável” e profissional. FUT7 é igual a Futebol de 7, pois o time tem que ser composto por 1 goleiro e 6 jogadores na linha. A Engemon há algum tempo banca um time de FUT7, antes mesmo dele ter esse nome. Para participar da Liga F7 Brasil e da Liga F7 Paulista (de quê? sim de FUT7, continue atento kkk), eles teriam que ter “camisa”, não bastava entrar como Engemon, teria que ser como uma “subsidiária” de um clube de futebol existente. Aí é que entra o Santos na história, que cedeu o nome e literalmente a camisa para a empresa montar um ótimo time e ser campeão de todos os torneios possíveis organizados pela Liga F7 nos últimos dois anos. O Santos gentilmente, como forma de agradecimento ao desempenho da equipe (que teve alguns dos títulos exibidos no SporTV e no Esporte Interativo), convidou os atletas a darem uma volta olímpica durante o intervalo do último jogo da temporada contra o Avaí na Vila Belmiro. Tá Mateus, e o que você tem a ver com esse FUT7, você não trabalha no Nacional? Sim, “trabalho” hahaha, no entanto a Arena Nacional, principal local da disputa dos jogos da Liga F7 Brasil, fica “nos fundos” do Nacional e o meu chefe Tercio era o responsável pela comunicação da Liga F7. Ele mesmo dizia que estava “99% na Arena e 1% no Nacional” e por isso estou em ambos. Pronto, agora dá para voltar ao conto hehe.

Fui pesquisar o endereço da empresa e descubro que é na minha quebrada kkk. Era só virar a rua e ir direto até chegar ao local. Claro que tinha que fazer uma caminhada né, mas para mim que nem gosto disso hahaha, era mais um motivo para o dia ser bom. Chego lá minutos antes das 14:00, horário combinado com o Magó, treinador do Santos FUT7. Toco a campainha da empresa e um rapaz vem me atender. Pergunto sobre o Magó e ele diz que ainda não havia chegado, mas que tinham alguns jogadores num bar na esquina e que talvez soubessem mais informações. Agradeço e vou até esse bar. Lá estavam dois jogadores que estavam calmamente comendo uma carne de sol com alguns petiscos e tomando cerveja. Pensei, “acho que vai atrasar um pouco né” kkk. Pergunto sobre o Magó a eles, que me respondem que ele deve estar vindo. Eles também dizem que vamos em dois carros de lá da Engemon e que pegaríamos um jogador no caminho. Me oferecem cerveja, mas eu recuso, pois eu não bebo (hehehehe).

14:20, 14:40, 14:50 e nada do Magó. Nesse interím chegaram mais três jogadores e eles ficaram conversando sobre um torneio que tinham jogado naquele dia de manhã. Um pouco antes das 15:00 o Magó finalmente chega e já foi logo pedindo o cardápio para ver o que tinha para comer. Disse que não tinha se alimentado depois do jogo e estava morrendo de fome. Sim, ele também estava nesse torneio no qual parte do time da Engemon, não representando o Santos, perdeu a final nos pênaltis. Magó pede duas porções de pastéis, mas se arrepende pois estávamos atrasados. Como a culpa não era minha, estava só observando. Chegam os pastéis e dessa vez não recuso o convite para comê-los, pois não tinha almoçado kkkk. Enfim, depois de muita enrolação, saímos da Engemon por volta das 15:30, mas confiantes que chegaríamos ainda no comecinho da partida, que teria início às 17:00. Ledo engano.

Eu viajava no carro do Magó, junto com o craque do time e camisa 10 Zoio, o suplente Nenê, que dirigia o veículo, além claro do treinador. O restante ia no segundo carro de um jogador que infelizmente esqueci o nome hahaha. Tínhamos que pegar um atleta um pouco antes da rodovia Anchieta e de lá descer a serra até Santos. Essa primeira parte foi tranquila de certa forma. Nenê contava suas histórias de motorista ali na região do Jabaquara, enquanto Magó se preocupava com o GPS que não parava de aumentar o tempo previsto da viagem. Resgatamos o cara e fomos encarar a Anchieta. Logo no início começou a fazer frio e a neblina tomou conta. Resultado? Trânsito. Mas não era trânsito de muitos carros, era trânsito de ficar parado devido a falta de visibilidade. Magó começou a temer por nós e pela volta olímpica, pois se nós não chegássemos, nem taça teria para mostrar, já que elas estavam no nosso carro. O GPS marcava o tempo previsto de até 17:50, sendo que nessa hora já deveríamos estar dentro de campo, começando a celebração. Nenê tentava descontrair o comandante, mas era em vão. Alberto (falarei dele mais à frente) e o presidente da Engemon ligavam para saber onde estávamos e ele respondia que daqui a pouco estaríamos lá, mas era mentira. Ficamos parados por 15 minutos depois do pedágio e demos a sorte de descer no comboio que estávamos. Olhávamos para trás e não tinha nenhum carro. Se atraso lá no início fosse maior, com certeza não daria tempo. Com muito custo descemos as ladeiras de Santos e faltando 15 minutos para às 18:00 (era para estarmos lá antes das 17:00) chegamos perto do estádio. Perto. E a partir de agora começa a saga hahaha.

A principal rua de acesso ao estádio estava fechada, então o Magó pediu para parar o carro no meio da rua ao lado e corremos para pegar as camisas e as taças. Os outros jogadores do segundo carro também chegaram e começaram a experimentar as camisetas. Magó pegou uma que ficou apertada e a descartou. A princípio eu não pegaria nenhuma, porque afinal de contas estava lá para fazer uma matéria sobre a volta olímpica, não para usar uma camisa do Santos. Mas algo me fez pegar essa camisa e usar. Ficou ótima. Peguei uma das três taças que seriam erguidas na comemoração e comecei a correr em direção ao estádio. Atrás de mim os jogadores se motivaram e começaram a andar mais rápido. Até o portão 17 da Vila Belmiro, passamos por vários torcedores que gritavam "é campeão" e faziam gracinhas. Um quis me interromper para tirar uma selfie, mas nem dei bola. Em frente ao portão já nos aguardava alguns jogadores e a turma do dono da Engemon (ele, a esposa, duas filhas, uma babá e dois homens). Nos cumprimentamos e logo em seguida veio uma “mestra de cerimônias” do Santos dizendo que tínhamos que entrar no campo imediatamente. Alberto aparece para nos dar cobertura, enquanto o restante do grupo que tinha chegado no horário e tinha assistido o primeiro tempo na arquibancada aparecia para pegar as camisas. Sou revistado em segundos e vou na frente acompanhando a funcionária do Santos. No caminho passaríamos pela quadra dentro da Vila e sairíamos no portão da ambulância, no escanteio abaixo da torcida visitante. Magó não me segue e vai parar no banheiro kkkk. O resgato e voltamos para o caminho correto. Chegamos todos ao portão e as cheerleaders já estão entrando no gramado. Somos informados que não poderia usar o celular para tirar fotos. Metade do meu trabalho seria tirar fotos com o meu celular. E agora? A funcionária pede para andarmos logo e iniciarmos a volta olímpica. Bom, eu estava dentro de campo, com a mesma camisa dos jogadores do FUT7, não iria tirar foto, ficaria ao lado de fora observando parado? Não. A OPORTUNIDADE era boa demais para não aproveitar. Participei da volta olímpica.

Andávamos acenando para a torcida, e eles nos retribuíam aplaudindo de pé. Eu só pensava em como fui parar ali. Acenei para o presidente Modesto Roma Jr. e ele me correspondeu. Cara que demais. Comentei com um dos jogadores que os torcedores nem faziam ideia de quem nós éramos (como se eu fosse jogador kkkk). Posamos para fotos, e continuamos a volta. Ficava mais empolgado a cada passo. Começaram os gritos de “é campeão!” dentro do estádio e eu beijava a camisa vibrando e comemorando títulos que eu sequer tinha visto hahahaha. Gritos de “vai gordão” começaram a ser entoados também em alusão a um cara um pouco acima do peso que estava no grupo. Até a torcida do Avaí aplaudiu a gente. Como diria uma pessoa boa eu conheço, foi sensa. Quando vi, a volta tinha terminado e um dos jogadores estava suplicando para o fiscal da Federação Paulista deixar tirar uma foto. Ele “deixou” e lá fui eu fazer o que deveria ter feito durante todo o campo. A foto foi importantíssima, pois foi ela que ilustrou a minha matéria. Em tempo, precisa de autorização para tirar fotos dentro de campo e ninguém tinha naquela hora.

Da esquerda para a direita, em pé: Mano do Boné Vermelho, Mano de Óculos Azuis, Não Sei, I Don't Know, Nerd Player, Eu e Vai Gordão. Agachados: Amigo do Dono, Emerson Palmieri, Alan Ruschel, Belutti (parceiro do Marcos na dupla sertaneja), Magó, Zoio, Cris, Alberto, Eduardo Costa (cantor) Bronzeado e Calvin Cap.
Slk, quem diz que eu não sou um atleta? HAHAHA. Meu pai fala que esse foi meu terceiro grande feito na vida, dar uma volta olímpica sem jogar. As outras são ganhar o prêmio de melhor goleiro na escolinha sem pegar no gol (eu fui goleiro em alguns jogos sim, mas foram poucos, insuficiente para merecer o prêmio ao meu ver hahaha) e ser campeão de dança na escola sem dançar (isso é uma calúnia, eu dancei sim, está documentado em vídeo, minha sala foi muito bem e eu também fui modéstia à parte kkkk).

Entrando por onde tínhamos saído, o momento feliz foi bruscamente interrompido com uma chamada que o Marco Alberto, presidente da Engemon estava dando em Magó, dizendo que a parceria tinha acabado e que ele (Magó) era um irresponsável. Aí me toquei que durante toda a volta olímpica ele não estava com a gente e nem sua esposa, suas filhas e a babá. O fiscal barrou a entrada das crianças e o Marco ficou puto. Ele foi embora com a sua família do estádio e nem ficou para assistir ao segundo tempo. Magó e Alberto conversam na entrada da quadra. Percebo que é sobre o que tinha acabado de acontecer, mas fico de longe, observando as cheerleaders hehehe. Quando acho adequado, vou ao encontro dos dois e o assunto já era outro. Cumprimento Alberto e pergunto sobre as fotos que tiraram de nós dentro de campo (as fotos acima). Ele disse que ia passar para o Magó e para o Tércio e que eu pudesse ficar tranquilo sobre isso. A pergunta fez ele questionar Magó sobre a quantas anda o Nacional. Eles seguem o papo e eu só ouço sem participar. Depois de um tempo Alberto se despede, diz que tem que fazer “sala” para uns convidados que estavam no estádio. Magó e Cris, capitão do Santos FUT7, decidem não ficar para assistir ao jogo. Eu estava saindo com eles também, em sinal de solidariedade, mas Magó pede para eu ficar e então eu subo para o setor dos sócios, nas cadeiras descobertas e acompanho o restante do segundo tempo.

Todos os personagens desta história estão sendo devidamente descritos por mim para melhor entendimento do conto. Mas tem um que merece um parágrafo só para ele. Alberto. Quem é o sul-mato-grossense Alberto Luiz de Souza? Quando o cumprimentei a primeira coisa que me veio a cabeça foi esse lance.



Sim, estava falando com um campeão brasileiro com o peixe em 2002, um ex-atacante de bom nível e agora um dirigente do futebol que já trabalhou sabe onde? No Nacional. Curioso não? Hahaha. Durante a administração “Alberto” houve uma equipe de comunicação no Nacional e depois foi descontinuada pela atual administração. Uma pena. Pelo o que apurei ele é um cara muito querido pelo pessoal que trabalhou com ele no Nacional e o Alberto fez essa ponte entre a Engemon e o Santos para a parceria no FUT7.

Voltando ao conto, assisti ao segundo tempo torcendo para que o Santos desempatasse o jogo, já imaginando o trecho na minha matéria “a volta olímpica inspira os santistas que vencem o jogo....” Porém só ficou na intenção mesmo hehe, a partida termina em 1x1. O Santos poderia ser vice-campeão com a vitória e o Avaí ficaria na primeira divisão com mais um gol. Não aconteceu nem um, nem outro. Pior para os catarinenses que tiveram um baita espírito desportivo nos aplaudindo (agora falo como atleta do Santos FUT7 também hahahaha), mas vão jogar a Série B ano que vem. Saio do estádio antes do fim do jogo e encontro quase toda a delegação do FUT7 santista num bar em frente ao portão 17. Lá vejo o gordo do “vai gordão” TRABALHANDO. Ué, por que ele está trabalhando e não na resenha? Descubro que ele é um dos donos do bar, que conhecia um dos jogadores do Santos FUT7 e foi entrando com a gente no estádio POR ESTAR COM A MESMA CAMISA QUE NÓS. Ou seja, o presidente da principal patrocinadora do time e dono da porra toda não entra e esse cidadão acima do peso ideal segundo a OMS dá a volta olímpica. E eu achando que estava APROVEITANDO A OPORTUNIDADE. Talvez se não tivesse pego a camisa do Santos não teria nem entrado em campo, pois pode notar na foto, fora o Alberto que trabalha no Santos, todos estão com a mesma camisa. A volta para São Paulo foi no carro do Magó e dessa vez há uma substituição. Sai Nenê e entra Cris. Faço as entrevistas para a minha matéria e todos conversamos sobre futebol até chegar na Engemon. Cris ainda me dá uma carona até a esquina de casa e ali findava o melhor FDS da minha vida em termos técnicos.

Contei essa história para uma jornalista e ela recriminou minha atitude, disse que deveria esperar ao lado de fora do gramado e aguardar até o momento das fotos no canto do escanteio. Não concordo. Não é por que eu não participei dos jogos e não faço parte do grupo que não poderia participar da volta olímpica. Estava ali como jornalista também e se eu pudesse fazer o meu trabalho como gostaria teria feito. Mas poxa, já que eu estava lá, POR QUE NÃO APROVEITAR? Se fosse na Arena Corinthians com o Corinthians FUT7 eu faria a mesma coisa. Agora cabe a mim dar uma volta olímpica de verdade pelo Santos, com merecimento como diria Tite. Não dá mais como jogador, mas quem sabe na comissão técnica? É só a sorte sorrir para mim outra vez que com certeza eu aproveitarei a oportunidade, já que agora eu aprendi como aproveitá-las.

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