Meu pai e eu gostamos de dar apelidos as pessoas, objetos,
acontecimentos, enfim, a muitas coisas. Quando falo dele para o meu primo
(Diego Barejón), chamo meu pai de Roni (não sei por quê kkk) e saúdo meu
genitor com um “e ae, macho” ou “e ae, ô prébói”, assim mesmo, errado. Rodrigo
não é o nome que consta no RG dele e a maioria das pessoas que conhecemos o
chamam pelo nome artístico. Sinal que o apelido que deu em si mesmo foi um
sucesso.
Ele me chama de jornalista, mineiro, atleta, barba negra (quando a deixo crescer) e principalmente Capitão dos Marromeno (para entender leia aqui). Mas ele sempre tem termos novos para se referir a mim. Já eu gosto de não ser direto quando cito uma pessoa. Se por exemplo converso com alguém e quero falar de um terceiro, digo seu(sua) amigo(a); seu(sua) parente sem falar o nome da pessoa após; ou algo muito específico, que fica muito difícil do meu interlocutor não saber quem é.
Domingo passado foi a minha estreia como titular no Nacional e se por acaso você chegou até aqui sem saber disso (duvido MUITO, até porque a audiência desse blog é fantástica) por favor, pare de ler esse texto e leia este. Se você sabia, parabéns, Deus está vendo suas boas ações.
O dia foi diferente, como não poderia deixar de ser. Já acordei ligado e ansioso para o jogo. Li o que tinha que ler, arrumei um caderno para as minhas anotações, pois faltou espaço no bloco de notas que levei no sábado para o jogo do sub-20. Terminei de escrever o texto Rumo ao Estrelato 01, e quando me dei conta já estava atrasado. Almocei às pressas e fui para o clube.
Chego correndo, achando que os jogadores estavam no ônibus, tão em cima da hora que estava (fui informado pelo Paulinho, executivo de futebol, para estar lá às 13:00, apareço às 12:57). Na entrada vejo o Pepê, gerente de futebol, e o auxiliar técnico Ricardo Silva seis marchas abaixo da minha. Me apresento, já que ainda não pude ver todos da diretoria, e digo que vou acompanhá-los no jogo. Paramos em frente ao portão do estádio, só nós três e eu não entendia por quê. Até que Ricardo falou para Pepê: “Vamos sair às 14:00 né?”. Melhor uma hora adiantado do que não achar o ônibus.
Ele me chama de jornalista, mineiro, atleta, barba negra (quando a deixo crescer) e principalmente Capitão dos Marromeno (para entender leia aqui). Mas ele sempre tem termos novos para se referir a mim. Já eu gosto de não ser direto quando cito uma pessoa. Se por exemplo converso com alguém e quero falar de um terceiro, digo seu(sua) amigo(a); seu(sua) parente sem falar o nome da pessoa após; ou algo muito específico, que fica muito difícil do meu interlocutor não saber quem é.
Domingo passado foi a minha estreia como titular no Nacional e se por acaso você chegou até aqui sem saber disso (duvido MUITO, até porque a audiência desse blog é fantástica) por favor, pare de ler esse texto e leia este. Se você sabia, parabéns, Deus está vendo suas boas ações.
O dia foi diferente, como não poderia deixar de ser. Já acordei ligado e ansioso para o jogo. Li o que tinha que ler, arrumei um caderno para as minhas anotações, pois faltou espaço no bloco de notas que levei no sábado para o jogo do sub-20. Terminei de escrever o texto Rumo ao Estrelato 01, e quando me dei conta já estava atrasado. Almocei às pressas e fui para o clube.
Chego correndo, achando que os jogadores estavam no ônibus, tão em cima da hora que estava (fui informado pelo Paulinho, executivo de futebol, para estar lá às 13:00, apareço às 12:57). Na entrada vejo o Pepê, gerente de futebol, e o auxiliar técnico Ricardo Silva seis marchas abaixo da minha. Me apresento, já que ainda não pude ver todos da diretoria, e digo que vou acompanhá-los no jogo. Paramos em frente ao portão do estádio, só nós três e eu não entendia por quê. Até que Ricardo falou para Pepê: “Vamos sair às 14:00 né?”. Melhor uma hora adiantado do que não achar o ônibus.
Logo em seguida ambos me perguntam se não estava sentindo
frio. Ora, quem me conhece sabe que eu e o Iceman somos primos. Respondi que
tinha entrado em contato com o Sr. Miguel para ele me arranjar uma blusa do
Naça. Ele ia ao jogo e lá me entregaria. Foi planejado, tenho blusa (que bom
né, por mais frio que eu seja hehehe) e poderia ter ido com ela. Se eu seria
assessor do clube, queria estar devidamente uniformizado.
Depois de algum tempo, fomos todos para a sala de direção do clube, que fica embaixo do placar. O zagueiro Diego Chiclete e o auxiliar de preparação física Guilherme estavam conosco. Conversas e mexidas no celular davam o tom. De repente, Murilo, diretor de futebol, entra na sala. O cumprimento e ele pergunta quem eu era. Antes de eu responder, Ricardo diz que era o novo Assessor de Imprensa do clube e que agora a gente (Nacional) estava chique. Só nesse instante me dei conta do que eu tinha me tornado, na alcunha que recebi, no que eu estava fazendo ali naquela sala, onde só falávamos de futebol.
Às 14:00 chegaram e eu já na expectativa de como seria a zuera no ônibus. O conhecimento geral, pelo menos para mim, é que de que no ônibus só rola resenha e pagode. É, não desta vez ou nesse grupo de jogadores. O que teve foi fone de ouvido, celular, cada um no seu canto e somente um incauto com uma caixa de som tocando Simone & Simaria, Marília Mendonça e uns raps em volume médio.
Pode me achar estranho (se é que já não acha), mas eu achava o máximo quando mostrava na TV o desembarque dos jogadores e a entrada no vestiário. Aquela “concentração” e “foco no jogo” na cara deles, somado aos zueiros da turma do fundão com os pagodes, funks e fones de ouvido maiores que a cabeça deles. Só é glamouroso na TV mesmo. Meu desembarque foi debaixo de chuva, em silêncio e ninguém da imprensa para “pegar a minha palavra”.
Dentro do vestiário, o roupeiro já tinha deixado tudo arrumado e os jogadores começavam a se trocar para depois ouvir a preleção do Betinho. Eu, ainda não acreditando muito no que estava vivendo, me preocupava com o Sr. Miguel e a minha blusa; soltar a escalação para a imprensa e achar o Luiz, assessor da Lusa que ia me levar a uma cabine para assistir ao jogo. Tive melhor sorte que o Vinícius, fotógrafo do clube, que sem suporte na câmera para o guarda-chuva, se virou como pôde para registrar os lances da peleja e não molhar o equipamento.
Depois de algum tempo, fomos todos para a sala de direção do clube, que fica embaixo do placar. O zagueiro Diego Chiclete e o auxiliar de preparação física Guilherme estavam conosco. Conversas e mexidas no celular davam o tom. De repente, Murilo, diretor de futebol, entra na sala. O cumprimento e ele pergunta quem eu era. Antes de eu responder, Ricardo diz que era o novo Assessor de Imprensa do clube e que agora a gente (Nacional) estava chique. Só nesse instante me dei conta do que eu tinha me tornado, na alcunha que recebi, no que eu estava fazendo ali naquela sala, onde só falávamos de futebol.
Às 14:00 chegaram e eu já na expectativa de como seria a zuera no ônibus. O conhecimento geral, pelo menos para mim, é que de que no ônibus só rola resenha e pagode. É, não desta vez ou nesse grupo de jogadores. O que teve foi fone de ouvido, celular, cada um no seu canto e somente um incauto com uma caixa de som tocando Simone & Simaria, Marília Mendonça e uns raps em volume médio.
Pode me achar estranho (se é que já não acha), mas eu achava o máximo quando mostrava na TV o desembarque dos jogadores e a entrada no vestiário. Aquela “concentração” e “foco no jogo” na cara deles, somado aos zueiros da turma do fundão com os pagodes, funks e fones de ouvido maiores que a cabeça deles. Só é glamouroso na TV mesmo. Meu desembarque foi debaixo de chuva, em silêncio e ninguém da imprensa para “pegar a minha palavra”.
Dentro do vestiário, o roupeiro já tinha deixado tudo arrumado e os jogadores começavam a se trocar para depois ouvir a preleção do Betinho. Eu, ainda não acreditando muito no que estava vivendo, me preocupava com o Sr. Miguel e a minha blusa; soltar a escalação para a imprensa e achar o Luiz, assessor da Lusa que ia me levar a uma cabine para assistir ao jogo. Tive melhor sorte que o Vinícius, fotógrafo do clube, que sem suporte na câmera para o guarda-chuva, se virou como pôde para registrar os lances da peleja e não molhar o equipamento.
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| O "professor" Betinho orientando seus comandados. Imaginava se tudo o que ele explicava de fato seria visto em campo. |
O tempo passava e nada de resposta do Sr. Miguel. A escalação do time mandante já estava conosco e ninguém havia perguntado da nossa. Deduzi que arrumaram um jeito de saber enquanto estava fora, à procura dos nomes da equipe de arbitragem. Encontro com Luiz na saída do vestiário para o gramado e ele me chama para irmos à cabine. Falo que precisava da blusa e que esperasse mais um pouco que ia providenciar. Vejo que a nossa torcida está colocando suas faixas. Dez nobres e corajosos cidadãos, que saíram de casa para ver um jogo de Copa Paulista, numa gelada e chuvosa tarde de domingo. Pergunto a um deles sobre o Sr. Miguel e ouço um “ah, ele não vem quando tá um tempo desse”.
Volto correndo para o vestiário e falo com o roupeiro se não teria alguma blusa sobrando. Você pode se perguntar agora por que não fiz isso antes. O material do clube é contado, não tem blusa para dar a um “quem é você?” que cobria seu primeiro jogo de time profissional na vida. O roupeiro, talvez com dó, tira uma blusa das coisas de um jogador e me dá. “Ele é meio chato com isso, mas vamos ver” resmunga. Prometo que voltaria o mais rápido possível depois do jogo, mas já falei sabendo que não cumpriria.
Finalmente uniformizado, acompanho Luiz que nos levaria a cabine combinada. Ainda no gramado, pergunto se vamos assistir ao jogo "lá em cima” e ele respondeu que sim. Opa, se a cabine não estava no nível dos “mortais”, onde seria? Bom, continuei a segui-lo quando teve mais um momento “o que eu tô fazendo aqui?”. Passa um rapaz entre nós dizendo: “Ele é do Nacional? Pode levar para lá”. O lá em questão era o elevador. Esperando o transporte, aparece Marcelinho Paraíba, craque luso que estava suspenso do jogo, com sua família. Jogador de seleção brasileira e futebol europeu ali, na minha frente, como “qualquer um”. Só pensava “que viagem bicho”.
Chegamos no “lá em cima” e só aí me dei conta de qual cabine Luiz falava. Pode
achar burrice da minha parte, porém em nenhum momento relacionei cabine com os
espaços onde as equipes de rádio e TV fazem as transmissões. Passo pelas salas,
umas ocupadas e outras sem assento. Escolho uma que tinha cadeira e já me aprumo
pois iria começar o jogo. Noto que na cabine ao lado está sendo realizada a
transmissão de rádio da Equipe Líder. Paulo Sodate, e sua incrível
imparcialidade para com a Portuguesa, narrava o confronto trocando metade dos
nomes dos atletas do Nacional. Ao lado, ria e relevava, já planejando um tiro
quase perfeito.
Eu tenho a teoria que a vida nos dá balas, que se atiradas no momento certo, atingem o alvo em cheio. A vida me dava uma das melhores balas que já havia recebido. Meu pai ouve a Equipe Líder há pelo menos quatro anos (não assiduamente), quando em troca de estações de rádios em busca de alguma que estivesse transmitindo o jogo do Santos, encontrou Paulo Sodate, Ademir Quintino (principal setorista do Santos e comentarista do Esporte Interativo) e Alexandre Barros (atual presidente da Portuguesa) na rádio Tupi AM, hoje extinta. Houve mudanças de rádio pela equipe e no momento eles estão na Tropical FM. Ou pelo menos deveriam estar. Vocês vão entender por que mais à frente.
Qual foi a minha ideia, quer dizer, tiro: Uma selfie com o Paulo e uma citação durante a transmissão para o meu pai, que estaria ouvindo com certeza. Chegou o intervalo e coloquei o plano em ação. Entrei na cabine, cumprimentei a todos, fiz a selfie e deixei o recado. Pronto, já comemorava antes da dedicatória. Inicia o segundo tempo e logo após escuto: “Um abraço especial para Rodrigo Alves, que está acompanhando a transmissão e é pai do assessor de imprensa do Nacional, Mateus Lemos, que disse que o pai está torcendo para o Naça”. Pensei no Cristiano Ronaldo e na sua comemoração “eu tô aqui”. Sou foda.
O jogo termina 2x1 para os donos da casa. O Nacional esteve perto da vitória,
mas tomou um gol no final e perdeu. Eu, uniformizado com as cores adversárias,
já começo a temer pela minha segurança. Chegando no hall do elevador, não vejo
ninguém do clube. Imagino que eles já estavam lá embaixo e decido ir pelas
escadas. Quando começo a descer o segurança me impede e diz para esperar. Vish.
Logo após aparece o Paulinho e os jogadores do Nacional não-relacionados que
foram ao estádio. Havia uma frustração no ar e todos se queixando da torcida
lusitana. Os adeptos após o gol da vitória começaram a xingar jogar objetos no
camarote dos visitantes. O elevador chega com 4 integrantes da Portuguesa para
fazer a escolta. A única coisa que pensava era em como seria um Partizan x
Estrela Vermelha (maior clássico sérvio e um dos mais violentos do mundo).
Chegamos ao vestiário, depois de ouvir algumas provocações na caminhada, já que passamos entre os torcedores da Lusa. Pego uma declaração do técnico Betinho (a coisa mais próxima de jornalista que tinha feito no dia, pois fazer o tempo real do jogo e escrever uma matéria depois, um torcedor alfabetizado também pode fazer, mesmo que ele seja engenheiro químico). Agradeço o roupeiro pelo agasalho e troco ideia com o Vinícius, enquanto esperamos os jogadores se arrumarem.
É hora de dar tchau ao Canindé. No ônibus enquanto conferia minhas anotações, recebo uma ligação de uma pessoa muito boa. Após, penso no quanto o meu post teria repercutido. Poderia ativar os dados e descobrir, mas para quê pressa né. Já perto de casa, só imaginava as felicitações, a emoção contida que meu pai tem nesses momentos, o abraço, a incomum demonstração de afeto. Mas (é, sempre tem o mas) ficou na imaginação mesmo. O jogo não passou na rádio e em estação nenhuma segundo ele. Até agora não sei onde passou essa transmissão ou se eles estavam treinando, simulando para quando precisasse. O que houve foi a mesma coisa de um jogador cobrar um escanteio, correr para dentro da área e ele mesmo concluir o passe com uma linda bike para fazer um golaço, sem chance para o goleiro E NINGUÉM GRAVAR O LANCE.
Chegamos ao vestiário, depois de ouvir algumas provocações na caminhada, já que passamos entre os torcedores da Lusa. Pego uma declaração do técnico Betinho (a coisa mais próxima de jornalista que tinha feito no dia, pois fazer o tempo real do jogo e escrever uma matéria depois, um torcedor alfabetizado também pode fazer, mesmo que ele seja engenheiro químico). Agradeço o roupeiro pelo agasalho e troco ideia com o Vinícius, enquanto esperamos os jogadores se arrumarem.
É hora de dar tchau ao Canindé. No ônibus enquanto conferia minhas anotações, recebo uma ligação de uma pessoa muito boa. Após, penso no quanto o meu post teria repercutido. Poderia ativar os dados e descobrir, mas para quê pressa né. Já perto de casa, só imaginava as felicitações, a emoção contida que meu pai tem nesses momentos, o abraço, a incomum demonstração de afeto. Mas (é, sempre tem o mas) ficou na imaginação mesmo. O jogo não passou na rádio e em estação nenhuma segundo ele. Até agora não sei onde passou essa transmissão ou se eles estavam treinando, simulando para quando precisasse. O que houve foi a mesma coisa de um jogador cobrar um escanteio, correr para dentro da área e ele mesmo concluir o passe com uma linda bike para fazer um golaço, sem chance para o goleiro E NINGUÉM GRAVAR O LANCE.
Antes de dormir, eu ainda com a cabeça a mil, pensando nas experiências, no texto do jogo, no que ia fazer no dia seguinte, meu pai diz: “Você sabia que tem um assessor de imprensa, e dos bons, aqui no prédio?”. É, acho que serei chamado de outra forma a partir de agora.






