terça-feira, 22 de agosto de 2017

Uma nova alcunha


Meu pai e eu gostamos de dar apelidos as pessoas, objetos, acontecimentos, enfim, a muitas coisas. Quando falo dele para o meu primo (Diego Barejón), chamo meu pai de Roni (não sei por quê kkk) e saúdo meu genitor com um “e ae, macho” ou “e ae, ô prébói”, assim mesmo, errado. Rodrigo não é o nome que consta no RG dele e a maioria das pessoas que conhecemos o chamam pelo nome artístico. Sinal que o apelido que deu em si mesmo foi um sucesso.

Ele me chama de jornalista, mineiro, atleta, barba negra (quando a deixo crescer) e principalmente Capitão dos Marromeno (para entender leia aqui). Mas ele sempre tem termos novos para se referir a mim. Já eu gosto de não ser direto quando cito uma pessoa. Se por exemplo converso com alguém e quero falar de um terceiro, digo seu(sua) amigo(a); seu(sua) parente sem falar o nome da pessoa após; ou algo muito específico, que fica muito difícil do meu interlocutor não saber quem é.

Domingo passado foi a minha estreia como titular no Nacional e se por acaso você chegou até aqui sem saber disso (duvido MUITO, até porque a audiência desse blog é fantástica) por favor, pare de ler esse texto e leia este. Se você sabia, parabéns, Deus está vendo suas boas ações.

O dia foi diferente, como não poderia deixar de ser. Já acordei ligado e ansioso para o jogo. Li o que tinha que ler, arrumei um caderno para as minhas anotações, pois faltou espaço no bloco de notas que levei no sábado para o jogo do sub-20. Terminei de escrever o texto Rumo ao Estrelato 01, e quando me dei conta já estava atrasado. Almocei às pressas e fui para o clube.

Chego correndo, achando que os jogadores estavam no ônibus, tão em cima da hora que estava (fui informado pelo Paulinho, executivo de futebol, para estar lá às 13:00, apareço às 12:57). Na entrada vejo o Pepê, gerente de futebol, e o auxiliar técnico Ricardo Silva seis marchas abaixo da minha. Me apresento, já que ainda não pude ver todos da diretoria, e digo que vou acompanhá-los no jogo. Paramos em frente ao portão do estádio, só nós três e eu não entendia por quê. Até que Ricardo falou para Pepê: “Vamos sair às 14:00 né?”. Melhor uma hora adiantado do que não achar o ônibus.

Logo em seguida ambos me perguntam se não estava sentindo frio. Ora, quem me conhece sabe que eu e o Iceman somos primos. Respondi que tinha entrado em contato com o Sr. Miguel para ele me arranjar uma blusa do Naça. Ele ia ao jogo e lá me entregaria. Foi planejado, tenho blusa (que bom né, por mais frio que eu seja hehehe) e poderia ter ido com ela. Se eu seria assessor do clube, queria estar devidamente uniformizado.

Depois de algum tempo, fomos todos para a sala de direção do clube, que fica embaixo do placar. O zagueiro Diego Chiclete e o auxiliar de preparação física Guilherme estavam conosco. Conversas e mexidas no celular davam o tom. De repente, Murilo, diretor de futebol, entra na sala. O cumprimento e ele pergunta quem eu era. Antes de eu responder, Ricardo diz que era o novo Assessor de Imprensa do clube e que agora a gente (Nacional) estava chique. Só nesse instante me dei conta do que eu tinha me tornado, na alcunha que recebi, no que eu estava fazendo ali naquela sala, onde só falávamos de futebol.

Às 14:00 chegaram e eu já na expectativa de como seria a zuera no ônibus. O conhecimento geral, pelo menos para mim, é que de que no ônibus só rola resenha e pagode. É, não desta vez ou nesse grupo de jogadores. O que teve foi fone de ouvido, celular, cada um no seu canto e somente um incauto com uma caixa de som tocando Simone & Simaria, Marília Mendonça e uns raps em volume médio.

Pode me achar estranho (se é que já não acha), mas eu achava o máximo quando mostrava na TV o desembarque dos jogadores e a entrada no vestiário. Aquela “concentração” e “foco no jogo” na cara deles, somado aos zueiros da turma do fundão com os pagodes, funks e fones de ouvido maiores que a cabeça deles. Só é glamouroso na TV mesmo. Meu desembarque foi debaixo de chuva, em silêncio e ninguém da imprensa para “pegar a minha palavra”.

Dentro do vestiário, o roupeiro já tinha deixado tudo arrumado e os jogadores começavam a se trocar para depois ouvir a preleção do Betinho. Eu, ainda não acreditando muito no que estava vivendo, me preocupava com o Sr. Miguel e a minha blusa; soltar a escalação para a imprensa e achar o Luiz, assessor da Lusa que ia me levar a uma cabine para assistir ao jogo. Tive melhor sorte que o Vinícius, fotógrafo do clube, que sem suporte na câmera para o guarda-chuva, se virou como pôde para registrar os lances da peleja e não molhar o equipamento.

O "professor" Betinho orientando seus comandados. Imaginava se tudo o que ele explicava de fato seria visto em campo.

O tempo passava e nada de resposta do Sr. Miguel. A escalação do time mandante já estava conosco e ninguém havia perguntado da nossa. Deduzi que arrumaram um jeito de saber enquanto estava fora, à procura dos nomes da equipe de arbitragem. Encontro com Luiz na saída do vestiário para o gramado e ele me chama para irmos à cabine. Falo que precisava da blusa e que esperasse mais um pouco que ia providenciar. Vejo que a nossa torcida está colocando suas faixas. Dez nobres e corajosos cidadãos, que saíram de casa para ver um jogo de Copa Paulista, numa gelada e chuvosa tarde de domingo. Pergunto a um deles sobre o Sr. Miguel e ouço um “ah, ele não vem quando tá um tempo desse”.

Volto correndo para o vestiário e falo com o roupeiro se não teria alguma blusa sobrando. Você pode se perguntar agora por que não fiz isso antes. O material do clube é contado, não tem blusa para dar a um “quem é você?” que cobria seu primeiro jogo de time profissional na vida. O roupeiro, talvez com dó, tira uma blusa das coisas de um jogador e me dá. “Ele é meio chato com isso, mas vamos ver” resmunga. Prometo que voltaria o mais rápido possível depois do jogo, mas já falei sabendo que não cumpriria.

Eu com o lindo agasalho do Naça! O mais bonito que já usei hehe. Essa seria a foto do post do Rumo ao Estrelato 01, mas não dá para enxergar o campo e também em uma semana seria a terceira foto que eu apareço num estádio com três times diferentes, achei exagerado kkk. Aí bolei a que foi publicada, muito melhor que essa.

Finalmente uniformizado, acompanho Luiz que nos levaria a cabine combinada. Ainda no gramado, pergunto se vamos assistir ao jogo "lá em cima” e ele respondeu que sim. Opa, se a cabine não estava no nível dos “mortais”, onde seria? Bom, continuei a segui-lo quando teve mais um momento “o que eu tô fazendo aqui?”. Passa um rapaz entre nós dizendo: “Ele é do Nacional? Pode levar para lá”. O lá em questão era o elevador. Esperando o transporte, aparece Marcelinho Paraíba, craque luso que estava suspenso do jogo, com sua família. Jogador de seleção brasileira e futebol europeu ali, na minha frente, como “qualquer um”. Só pensava “que viagem bicho”.

Chegamos no “lá em cima” e só aí me dei conta de qual cabine Luiz falava. Pode achar burrice da minha parte, porém em nenhum momento relacionei cabine com os espaços onde as equipes de rádio e TV fazem as transmissões. Passo pelas salas, umas ocupadas e outras sem assento. Escolho uma que tinha cadeira e já me aprumo pois iria começar o jogo. Noto que na cabine ao lado está sendo realizada a transmissão de rádio da Equipe Líder. Paulo Sodate, e sua incrível imparcialidade para com a Portuguesa, narrava o confronto trocando metade dos nomes dos atletas do Nacional. Ao lado, ria e relevava, já planejando um tiro quase perfeito.

Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, mais conhecido como Canindé para quem não conhece. À esquerda está o emblema da Lusa e a entrada do vestiário do time da casa. O "lá em cima" são as cabines localizadas acima das letras U, S e A das cadeiras cobertas, onde as luzes estão acesas. A cabine que assisti o jogo está na letra A.

Eu tenho a teoria que a vida nos dá balas, que se atiradas no momento certo, atingem o alvo em cheio. A vida me dava uma das melhores balas que já havia recebido. Meu pai ouve a Equipe Líder há pelo menos quatro anos (não assiduamente), quando em troca de estações de rádios em busca de alguma que estivesse transmitindo o jogo do Santos, encontrou Paulo Sodate, Ademir Quintino (principal setorista do Santos e comentarista do Esporte Interativo) e Alexandre Barros (atual presidente da Portuguesa) na rádio Tupi AM, hoje extinta. Houve mudanças de rádio pela equipe e no momento eles estão na Tropical FM. Ou pelo menos deveriam estar. Vocês vão entender por que mais à frente.

Qual foi a minha ideia, quer dizer, tiro: Uma selfie com o Paulo e uma citação durante a transmissão para o meu pai, que estaria ouvindo com certeza. Chegou o intervalo e coloquei o plano em ação. Entrei na cabine, cumprimentei a todos, fiz a selfie e deixei o recado. Pronto, já comemorava antes da dedicatória. Inicia o segundo tempo e logo após escuto: “Um abraço especial para Rodrigo Alves, que está acompanhando a transmissão e é pai do assessor de imprensa do Nacional, Mateus Lemos, que disse que o pai está torcendo para o Naça”. Pensei no Cristiano Ronaldo e na sua comemoração “eu tô aqui”. Sou foda.

Tá aí o Paulo Sodate, figuraça. Ele e meu pai são amigos no Facebook. Na narração dos gols, o da Portuguesa foi algo parecido como GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLL DA LUUUUUUUSSSSSSSAAAAAAAAAAAAAA, gritado a plenos pulmões. Já no tento do Nacional.....Gol do Nacional. Seco, sem nenhum esboço de emoção. Um cochicho ao pé do ouvido é mais alto do que o tom de voz que ele usou.

O jogo termina 2x1 para os donos da casa. O Nacional esteve perto da vitória, mas tomou um gol no final e perdeu. Eu, uniformizado com as cores adversárias, já começo a temer pela minha segurança. Chegando no hall do elevador, não vejo ninguém do clube. Imagino que eles já estavam lá embaixo e decido ir pelas escadas. Quando começo a descer o segurança me impede e diz para esperar. Vish. Logo após aparece o Paulinho e os jogadores do Nacional não-relacionados que foram ao estádio. Havia uma frustração no ar e todos se queixando da torcida lusitana. Os adeptos após o gol da vitória começaram a xingar jogar objetos no camarote dos visitantes. O elevador chega com 4 integrantes da Portuguesa para fazer a escolta. A única coisa que pensava era em como seria um Partizan x Estrela Vermelha (maior clássico sérvio e um dos mais violentos do mundo).

Chegamos ao vestiário, depois de ouvir algumas provocações na caminhada, já que passamos entre os torcedores da Lusa. Pego uma declaração do técnico Betinho (a coisa mais próxima de jornalista que tinha feito no dia, pois fazer o tempo real do jogo e escrever uma matéria depois, um torcedor alfabetizado também pode fazer, mesmo que ele seja engenheiro químico). Agradeço o roupeiro pelo agasalho e troco ideia com o Vinícius, enquanto esperamos os jogadores se arrumarem.

É hora de dar tchau ao Canindé. No ônibus enquanto conferia minhas anotações, recebo uma ligação de uma pessoa muito boa. Após, penso no quanto o meu post teria repercutido. Poderia ativar os dados e descobrir, mas para quê pressa né. Já perto de casa, só imaginava as felicitações, a emoção contida que meu pai tem nesses momentos, o abraço, a incomum demonstração de afeto. Mas (é, sempre tem o mas) ficou na imaginação mesmo. O jogo não passou na rádio e em estação nenhuma segundo ele. Até agora não sei onde passou essa transmissão ou se eles estavam treinando, simulando para quando precisasse. O que houve foi a mesma coisa de um jogador cobrar um escanteio, correr para dentro da área e ele mesmo concluir o passe com uma linda bike para fazer um golaço, sem chance para o goleiro E NINGUÉM GRAVAR O LANCE.

Antes de dormir, eu ainda com a cabeça a mil, pensando nas experiências, no texto do jogo, no que ia fazer no dia seguinte, meu pai diz: “Você sabia que tem um assessor de imprensa, e dos bons, aqui no prédio?”. É, acho que serei chamado de outra forma a partir de agora.

domingo, 20 de agosto de 2017

Rumo ao Estrelato 01

Fiz minha estreia pelo Nacional. Será que estou perfilado para o cantar o hino? 

Era um final de tarde do último trimestre do ano de 2008. Estava com 13 anos e saía da escola depois de mais um dia de aula. Acompanhava meu colega Carlos (Jesus Negão) até o trabalho da mãe dele, que ficava no quarteirão ao lado da escola. Nessa curta caminhada, ele disse algo que me fez sonhar. “Cara, um amigo meu me falou que no novo PES dá para você jogar com um único jogador, tipo uma carreira. Você começa num time japonês, eu acho, aí depois você vai para um time conhecido, começa a jogar, vai crescendo". Não lembro exatamente as palavras, mas foi algo parecido com isso.


Eu sempre quis ser jogador de futebol, só não admitia. Nunca fui um cara hábil com a bola, era um dos últimos a ser escolhido na hora de tirar os times para a peleja na escola ou em qualquer lugar que conhecessem meu desempenho (só era um dos primeiros quando o critério era responder corretamente as perguntas sobre futebol na 4º série). Me resignei rapidamente com a minha inaptidão para jogar em nível profissional e busquei aumentar meu conhecimento sobre o esporte para ter conteúdo em conversas quando fosse necessário.

Em 2008 vivia um fascínio por um jogo chamado Elifoot 98 (saiba mais aqui) e por não “acreditar” muito em Jesus, já que era muito bom para ser verdade, deixei de lado a ideia de jogar o PES 2009. No entanto, tudo mudou em uma visita a meu amigo Luã da Maionese (bons tempos kkk) que tinha o jogo instalado em seu PC. Jogamos uns “contras”, mas queria saber mesmo era do Rumo ao Estrelato (Become a Legend na versão original), nome do modo do jogo em que você cria um jogador e trilha uma carreira. Ele não se mostrava muito interessado com o save dele no Rumo ao Estrelato e deixou eu jogar por ele. Entretanto, mal sabia que a cada minuto ficava mais empolgado com o jogo, já imaginando meu personagem realizando meu “sonho”.

Não me lembro ao certo, mas demorou um pouco desde essa “première” na casa do Maionese até jogar de fato no meu PC, o que só aumentou a expectativa. Nem o Elifoot estava mais tão interessante quanto antes. No meu primeiro save, quis ser volante, ou melhor, médio defensivo, daqueles que defendem e saem na boa. Achava (ainda acho, por mais que os treinadores e entendidos do futebol queiram meio-campistas nessa posição, que marquem e armem o jogo) que essa posição era a mais parecida com o meu objetivo na vida - um cara discreto, que não aparecia para a torcida, mas era muito importante para equipe. Porém, no jogo não deu muito certo, já que ia demais para o ataque e não cumpria as minhas obrigações defensivas como deveria.

Decidi iniciar um outro save, desta vez numa posição mais adequada ao meu estilo de jogo, segundo atacante. Em uma distração durante a personalização do novo save, ao invés de ser brasileiro, me tornei búlgaro, pois na ordem das nacionalidades no jogo, a Bulgária vem depois do Brasil (gostei desse “erro” e desde então só era búlgaro nos saves. Me tornei fã do país a ponto de comprar uma camisa da seleção búlgara e colocar o nome Stoichkov e o número 8, tal como o ídolo do Barcelona e melhor jogador da história da nação jogava). No outro save, me incomodava ser muito “parecido” com os outros jogadores. Então coloquei dreads verdes no meu personagem e curti o resultado (ao longo do tempo, só deixei de usar dreads verdes nos meus outros saves de Rumo ao Estrelato apenas uma vez e me arrependi kkk). Tanto no que não prossegui, quanto no novo, joguei na Juventus e fui campeão italiano já na primeira temporada do novo save. Talvez por isso tenha parado de jogar no PC e só voltei a jogar o modo no PS2 que ganhei em outubro de 2009, no PES 2010.



À esquerda, eu com a camisa da Bulgária. Poderia tirar uma foto com a camisa hoje, mas achei melhor essa foto de 2011 na Cidade Maravilhosa com uma sacola para celular ("original" da Adidas) no pescoço. À direita, eu, quer dizer, meu personagem no Roda-HOL em save do PES 2012 no PC. A trilha sonora durantes as partidas era Linger, dos The Cranberries.

Well, well, e o que tudo isso tem a ver com a foto do início do texto? Se você chegou até aqui (valeu, tmj) saberá agora. Há duas semanas eu não tinha quase nenhuma perspectiva de carreira. Um jornalista recém-formado que, como tantos outros, buscava seu espaço no mercado de trabalho. Aliás, ainda busco. Durante a minha formação não fiz nenhum estágio na área. Só era “jornalista” na faculdade praticamente. Preferi manter minha ocupação que me deu muito espaço para estudar e fazer as atividades do curso e ainda rendia um “faz-me rir” ao fim do mês. Continuo lá até hoje, mas não é o que gostaria.

No início deste ano, planejei entrar em um clube de futebol para realizar um estágio, já que continuei com aquela ideia de aumentar meu conhecimento sobre futebol até o fim da faculdade (e seguramente até o fim da vida) e me sentiria mais à vontade para trabalhar. Pensei que a Portuguesa seria um bom lugar. Não foi como imaginava, não cheguei nem perto de trabalhar lá e me frustrei muito, a ponto de não tentar em outros times naquele momento. Decidi então me concentrar em arrumar um emprego e depois ver no que dava. Eu só não queria ficar mais onde estou, já que entendo que outro jovem merece ter a oportunidade que tive.

“Aí sim, fomos surpreendidos novamente”, frase dita por Zagallo em algum momento da história e que virou meme em 2009, diz bem o que foi a minha procura por emprego no começo da busca. Tinha e tem vagas, mas são muitos requisitos e MUITOS concorrentes. E ora, quem sou eu? Sou apenas mais um na fila do pão, com pouca experiência, um diploma, um blog com menos de 10 textos, um canal no YouTube apenas para “guardar” os três vídeos que editei (tem mais um, só que talvez no Dia das Mães do ano que vem eu o suba no canal) e um network tão grande quanto o Solimões (o cantor para ficar bem claro). Ou seja, com sorte, TALVEZ em outubro do ano que vem, seria chamado para uma entrevista de emprego no Sindicato dos Motoristas de Carrinho de Mão.

Nesse cenário desanimador, resgatei a ideia de entrar num clube de futebol e dessa vez fui mais feliz na escolha. O Nacional Atlético Clube. Sediado na Barra Funda/Lapa. Um dos times fundadores da Federação Paulista de Futebol. Tradicionalíssimo, mas um tanto quanto esquecido pelas pessoas. Disputará a Série A2 ano que vem (foi o campeão da A3 esse ano) e está vivo na Copa Paulista, a mesma que a Portuguesa quer conquistar para ter uma divisão nacional no próximo ano. Com divisões de base do Sub-11 ao Sub-20, ainda abriga as escolinhas de base do Barcelona e a Arena Nacional de FUT7 em seus domínios.

O ensinamento popular diz que “o não você já tem”, mas eu penso que ouvir o possível “não” é um tanto quanto traumático dependendo das circunstâncias. Em algumas situações da minha vida, preferi não perguntar para não ouvir o “não” e hoje me arrependo de alguns casos, pois o sim não era tão improvável. Enfim, não tinha nada a perder e como aprendi na faculdade, perguntar não ofende (ainda lerei esse livro). Entrei em contato com o Nacional para ver no que dava e vi uma oportunidade que não esperava. O que era para ser uma conversa com o meu “chefe” Tercio, foi um choque quando ele me deu um colete de imprensa e uma câmera como se já trabalhasse lá há um bom tempo. Eu nem sabia o que estava acontecendo direito, aliás, até hoje não entendi bem ainda.

Ganhei uma oportunidade para trabalhar, fazendo o que eu gosto, ou melhor, que achava que gostava, pois nem experiência eu tinha direito para saber. Uma coisa é gostar de futebol, outra é escrever sobre futebol. Meu “primeiro dia” foi quinta-feira passada, cobrir o treino do Nacional. Enquanto tirava fotos do treino, melhor dizendo, do trabalho tático, como bem disse o técnico Betinho, lembrei do Rumo ao Estrelato. Não o que estou jogando hoje em dia, que me fez “pegar emprestado” um PS3 e amarrar um PS4 para quando der, já que no PC não rola e de PS2 já saturou (tudo isso por causa do Neymar e essa sua transferência obscena para o PSG. Será que ele joga ou já jogou Rumo ao Estrelato? Em 2009, ano de seu debut no Santos, eu estava no Pacaembu e vi seu primeiro jogo com a camisa peixeira no time “de cima”, a primeira bola na trave e o frisson que causava nos santistas. “Esse vai ser craque” ou “tem só 17 anos”, mesma idade em que você começa sabe em que jogo? Sim, God of War. Tô brincando Kratos, é no Rumo ao Estrelato do PES mesmo).

O treino me fez lembrar do primeiro Rumo ao Estrelato, aquele com brilho nos olhos, da realização de um “sonho”. Naquele Rumo ao Estrelato do PES 2009, diferentemente dos mais recentes, antes de você ser relacionado para uma partida oficial, você participava de jogos treinos, quer dizer, realizava trabalhos táticos. Se você fosse bem, seria relacionado. Na quinta-feira ganhei até um elogio de uma importante figura no clube, chamada Sr. Miguel, com Sr. mesmo, pois tem de ser respeitado.

Meu primeiro jogo, literalmente, foi ontem. Nacional 1x2 Portuguesa, pelo Campeonato Paulista Sub-20. Fiz uma matéria de menos de 300 palavras, que não estaria apta a ser postada no Torcedores.com (para fazer parte da seleta equipe de jornalistas do FUT7, capitaneada pelo não menos distinto Tercio, 
do qual também faço parte a partir de agora, tem de estar habilitado a escrever no site). Não importa, fiquei muito contente comigo mesmo, tal como aquela boa jogada pela ponta, depois de entrar no segundo tempo, em que você (seu personagem), bem pior que o adversário, consegue driblá-lo e finalizar, provavelmente um chute fraco e fácil para o goleiro (por mais que os goleiros de PES não sejam TÃO confiáveis).

Hoje é meu primeiro jogo no time titular. Portuguesa x Nacional (parece que a Lusa quer realmente participar da minha história), fora de casa, pela Copa Paulista. Tentarei ser melhor do que nas oportunidades que entro no segundo tempo e conquistar de vez minha vaga no time. Sei que um cara que escreve sobre futebol, por mais que seja na assessoria de imprensa de um clube, não é a coisa mais exclusiva do mundo, continuo um ninguém na fila do pão. Mas agora se alguém me perguntar o que faço, posso dizer que estou realizando um sonho.

PS.: Esse texto tem 1790 palavras, mas não seria publicado no Torcedores.com, pois não tem um título atraente, não atende os requisitos do SEO, o título não está no lead, não tem os 6Qs nos primeiros parágrafos......