segunda-feira, 11 de setembro de 2017

ExtraContent de Eu sou Santista


Eu sou santista. Torço para outros clubes também, mas é mais uma simpatia sabe, por gostar tanto de futebol. Falei no Rumo ao Estrelato 01 da minha identificação com a Bulgária e graças aos jogos de vídeo game e PC também “adotei” o Bordeaux-FRA, o Celta de Vigo-ESP e o Paysandu-PA. Também tenho um carinho especial pelo Napoli-ITA, o Vitória da Conquista-BA e o Crateús-CE, esses por motivos familiares e ao Arsenal-ING por identificação pura mesmo. Tenho a camisa de todos, exceção a do Celta que está chegando. Antigamente gostava do Internacional-RS, tenho camisa também, mas talvez pela payxão do Papão, eu deixei de lado. Mas enfim, eles estão num lugar a parte, o Santos é titular para todo o sempre.

Santista é de pai para filho. Não há estudos que comprovam essa afirmação, é um sentimento mesmo. Os dados que eu tenho é que em nenhuma sala de aula que frequentei, tanto de escola, curso ou faculdade, tivemos mais integrantes do que os três grandes times da cidade. Houve um ano no Miss Browne (8º série se não me engano) que, juntando as três salas dessa série, tinham 4 santistas num universo de 90 alunos. 3,6%. Acho que os indígenas tinham mais representatividade que nós hahaha. E você acha que eu me abalava? Eu achava era bom, era diferente, não seguia tendências ou modinhas. Resistência mesmo hehe. Claro que por ser minoria você é marcado. Lembro que uma vez, no Miss também, numa aula de sábado (reposição de aula e até que tinha ido bastante gente, acho que valia algo para nota no bimestre), um grupinho no fundão falava sobre torcidas organizadas. Uma das pessoas do grupo, uma menina, era da Camisa 12 (Corinthians) e pediram para ela cantar algum cântico de torcida. Ela, talvez pressionada, só conseguiu lembrar de um. Sabe qual? Um que fala que o lugar de peixe é no aquário. Aí um mano falou que tinha um santista na sala (eu) e ela ficou um pouco receosa. Eu disse que fazia parte, e que ela deveria ser xingada com um cântico que diz que é certeza que filho de meretriz é corintiano. Ela se surpreendeu, falou que isso era o de menos no estádio e continuamos a conversa numa boa. Vendo este episódio, vejo o quanto as coisas podem ser resolvidas sem ignorância ou imbecilidade.

Um dos resultados de ter poucos santistas no meu círculo social é que eu mantive contato com quase todos. E, por ser um engajado torcedor, quero que os outros santistas que conheço também participem do Santos. Uma das formas que mais gosto de fazer isso é chamando para ir ao estádio e, de preferência, que assistam todos juntos. Se há uma coisa que me deixa feliz é ver amigos meus conversando, interagindo e até formando novas amizades por minha causa. Quer dizer, por causa do Santos. Se uns nem sabem a escalação do Santos, quando joga, posição na tabela, isso é indiferente. A partir do momento que falou que é santista, terá o pacote completo da “amizade Santos” hahaha. Eu implico com duas santistas é verdade, mas é porque uma tem um passado corintiano e a outra grita “Hala Madrid” a não sei quantos mil quilômetros de distância. É uma brincadeira com elas claro, quem sou eu para julgar como cada um torce? Ainda tem a minha mãe, que diz que é santista, mas na verdade ela é a torcedora número 1 do Mateus Lemos FC.

Voltando a história do pai para filho, meu pai fez o que deveria ser feito por um pai que quer que seu filho torça pelo mesmo time que ele. Desde o meu quarto dia de vida e no primeiro em casa, eu, no berço, olhava para cima e via uma enorme camisa do Santos pendurada. Uma campanha velada, mas interessante. O pessoal do marketing acharia um bom case. Além disso, meu pai falava sobre o Santos comigo e comprava brinquedos do peixão também. Nasci em 1995 e devo ter visto um Messias de cabelos de fogo acabar com o Fluminense no Pacaembu em partida épica pela semifinal do Brasileirão. Devo ter visto também duas semanas mais tarde, Márcio Rezende de Freitas enterrar o Santos e fazer o Botafogo campeão. Eu não poderia ficar no quase. Fui crescendo e tomando gosto por futebol e num momento de decisão, Robinho deixou Rogério na saudade com incontáveis pedaladas e abriu caminho para o Santos conquistar meu coração. Dessa partida em especial, eu lembro que meu pai batia tanto no armário para comemorar os gols e o título que achei que ele o móvel ia desmontar a qualquer momento kkkk.

Quem é Philip Kotler perto do meu pai? Um aprendiz kkk. Detalhe para essas violetas no meu berço hahaha.

Você não torce para um time só porque ele é campeão. Quero crer que não. Eu me lembro de alguns detalhes que ajudaram na minha formação santista. Uma camisa metade Santos metade Brasil que eu tinha, um amigo do meu pai que me deu. Ela era linda e deu sorte em 2002, pois fomos campeões do mundo com a seleção e depois o time ganhou o brasileiro no mesmo ano. O escudo “feliz” do Santos e eu assistir uma partida do Santos na TV como um adulto aos 5 anos de idade, na casa de uma ex-moradora do prédio que meu pai trabalha (mal sabia o sofrimento que teria para assistir partidas na TV com esse time) ajudaram também. Agora, sem dúvidas, um dos principais foi a vinheta de fundo durante o grito de gol do Santos na narração da Globo. Meu, é o MELHOR. Sério, sem clubismo, é o mais divertido, animado, legal. Os antigos, até 2006, 2007, eram mais zikas do que os de hoje. É um trecho do canto que muitos acham que faz parte do hino oficial, mas na verdade, ele foi feito na época do Santos de Pelé como uma música mesmo, para tocar na rádio, e fez tanto sucesso que se confunde com a história do clube. Abaixo um vídeo que sintetiza os dois últimos parágrafos. Se você for santista cuidado, altíssima dose de emoção.


Torcedor que é torcedor não é forjado na vitória e sim na derrota. E eu tive uma que me marcou por um longo tempo. Falo de Corinthians 7 x 1 Santos. Meu, eu ainda não sabia direito esse negócio de sofrer, mas lembro que fiquei triste. Tinha feito naquele ano uma anotação de todos os jogos do Santos e me impressionava com a disparidade do placar comparado com os dos outros jogos. No entanto, eu senti mesmo foi no dia seguinte na escola. Parece que eu tinha pagado o maior mico da história no dia anterior e os meus “colegas” queriam tirar uma com a minha cara, mas tinha sido tão feio que estavam com dó. Só ouvia as risadinhas e via os olhares maldosos. Poxa, para um mlk de 10 anos isso gruda e não sai mais. Desde então comecei a nutrir um ódio para com o Corinthians que só foi acabar em 2012, quando cego de raiva, discutia com uma menina via Facebook o “escândalo” que era a preferência dada pela mídia ao time de Itaquera em detrimento do meu. Foi tal o nível de estresse que se a conversa fosse pessoalmente eu poderia ter batido nela. Aí me dei conta que isso não leva a lugar nenhum e desde então sou um torcedor consciente, até assisti um Corinthians x Santos esse ano na torcida dos caras.

Quando meu pai me levou a primeira vez ao estádio para ver Santos x Marília no Parque Antártica em 2004 (sim, isso mesmo que você leu, um jogo com o mando do Santos no estádio do Palmeiras, hoje a chance de isso acontecer é a mesma do Palmeiras ser campeão mundial, e isso não é uma piada kkkk), ali estava sedimentado um dos caminhos que mais fiz na vida, ir a um estádio de futebol. Com o Santos são mais de 50 jogos e boas histórias que talvez conte neste blog. Só como aperitivo, vi o primeiro jogo como profissional do menino Ney e deixei de ir à festa de aniversário da minha mãe para ver um jogo do Santos.

Olha aí a relíquia. Lembro que nesse jogo tive o primeiro contato com a marijuana. Perguntei para o meu pai que cheiro estranho era aquele que estava na arquibancada e ele nem respondeu, só saímos de perto hahaha. Guardei TODOS os ingressos dos jogos que fui até o advento da compra online esse ano. Mas ainda tem lugares que pego o ingresso e continuo guardando.

Visitei a Vila Belmiro pela primeira vez em 2011, nas “melhores férias” com o meu pai. Pois em uma semana visitamos o Rio de Janeiro e conhecemos a casa do nosso time, dois sonhos do meu pai. Fomos no sábado de manhã para Santos e descemos direto para praia. Era a primeira vez que pisava em uma. Tomamos banho de mar e depois curtimos uma sombra e água de coco até pouco antes da hora do jogo à noite. Enfrentaríamos o Atlético-MG. Última partida do Danilo, hoje no Manchester City, pelo clube. O próprio fez um golaço de fora da área no primeiro tempo. Humberlito Borges aumentou numa cobrança de pênalti. Pênalti que foi desperdiçado pelo galo por Jonatas Obina (soube que ele se naturalizou por Guiana Equatorial e jogou eliminatórias africanas da FIFA para Copa do Mundo de 2014 hahaha que no sense). Tomamos um no segundo tempo, mas nada que impedisse a nossa vitória no meu primeiro jogo. Desde então são 9 jogos na Vila e nenhuma derrota (6V 3E).

No dia seguinte visitamos o museu do clube, que tinha uma taça novinha em folha, a Libertadores da América. Passeamos pelos vestiários, camarotes, sala dos troféus. Sentamos no banco de reservas e "demos entrevista" na sala de imprensa, mas eu queria era pisar no gramado. Só que não era possível. Fiquei frustrado, mas entendi. Não vou dizer que prometi que iria pisar um dia, mas o destino sorriu para mim e tive essa chance 6 anos depois. Para saber como foi esta oportunidade, leia (ou continue lendo) Eu sou Santista. 

Fui, partiu aonde é o resgate.

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