Eu sou santista. Torço para outros clubes também, mas é mais
uma simpatia sabe, por gostar tanto de futebol. Falei no Rumo ao Estrelato 01 da
minha identificação com a Bulgária e graças aos jogos de vídeo game e PC também
“adotei” o Bordeaux-FRA, o Celta de Vigo-ESP e o Paysandu-PA. Também tenho um
carinho especial pelo Napoli-ITA, o Vitória da Conquista-BA e o Crateús-CE,
esses por motivos familiares e ao Arsenal-ING por identificação pura mesmo. Tenho
a camisa de todos, exceção a do Celta que está chegando. Antigamente gostava do
Internacional-RS, tenho camisa também, mas talvez pela payxão do Papão, eu
deixei de lado. Mas enfim, eles estão num lugar a parte, o Santos é titular
para todo o sempre.
Santista é de pai para filho. Não há estudos que comprovam
essa afirmação, é um sentimento mesmo. Os dados que eu tenho é que em nenhuma
sala de aula que frequentei, tanto de escola, curso ou faculdade, tivemos mais
integrantes do que os três grandes times da cidade. Houve um ano no Miss Browne
(8º série se não me engano) que, juntando as três salas dessa série, tinham 4
santistas num universo de 90 alunos. 3,6%. Acho que os indígenas tinham mais
representatividade que nós hahaha. E você acha que eu me abalava? Eu achava era
bom, era diferente, não seguia tendências ou modinhas. Resistência mesmo hehe.
Claro que por ser minoria você é marcado. Lembro que uma vez, no Miss também,
numa aula de sábado (reposição de aula e até que tinha ido bastante gente, acho
que valia algo para nota no bimestre), um grupinho no fundão falava sobre
torcidas organizadas. Uma das pessoas do grupo, uma menina, era da Camisa 12 (Corinthians)
e pediram para ela cantar algum cântico de torcida. Ela, talvez pressionada, só
conseguiu lembrar de um. Sabe qual? Um que fala que o lugar de peixe é no
aquário. Aí um mano falou que tinha um santista na sala (eu) e ela ficou um
pouco receosa. Eu disse que fazia parte, e que ela deveria ser xingada com um
cântico que diz que é certeza que filho de meretriz é corintiano. Ela se
surpreendeu, falou que isso era o de menos no estádio e continuamos a conversa
numa boa. Vendo este episódio, vejo o quanto as coisas podem ser resolvidas sem
ignorância ou imbecilidade.
Um dos resultados de ter poucos santistas no meu círculo social é que eu mantive
contato com quase todos. E, por ser um engajado torcedor, quero que os outros
santistas que conheço também participem do Santos. Uma das formas que mais
gosto de fazer isso é chamando para ir ao estádio e, de preferência, que
assistam todos juntos. Se há uma coisa que me deixa feliz é ver amigos meus
conversando, interagindo e até formando novas amizades por minha causa. Quer
dizer, por causa do Santos. Se uns nem sabem a escalação do Santos, quando
joga, posição na tabela, isso é indiferente. A partir do momento que falou que
é santista, terá o pacote completo da “amizade Santos” hahaha. Eu implico com
duas santistas é verdade, mas é porque uma tem um passado corintiano e a outra
grita “Hala Madrid” a não sei quantos mil quilômetros de distância. É uma
brincadeira com elas claro, quem sou eu para julgar como cada um torce? Ainda
tem a minha mãe, que diz que é santista, mas na verdade ela é a torcedora
número 1 do Mateus Lemos FC.
Voltando a história do pai para filho, meu pai fez o que
deveria ser feito por um pai que quer que seu filho torça pelo mesmo time que
ele. Desde o meu quarto dia de vida e no primeiro em casa, eu, no berço, olhava para
cima e via uma enorme camisa do Santos pendurada. Uma campanha velada, mas
interessante. O pessoal do marketing acharia um bom case. Além disso, meu pai falava
sobre o Santos comigo e comprava brinquedos do peixão também. Nasci em 1995 e
devo ter visto um Messias de cabelos de fogo acabar com o Fluminense no
Pacaembu em partida épica pela semifinal do Brasileirão. Devo ter visto também
duas semanas mais tarde, Márcio Rezende de Freitas enterrar o Santos e fazer o
Botafogo campeão. Eu não poderia ficar no quase. Fui crescendo e tomando gosto
por futebol e num momento de decisão, Robinho deixou Rogério na saudade com
incontáveis pedaladas e abriu caminho para o Santos conquistar meu coração.
Dessa partida em especial, eu lembro que meu pai batia tanto no armário para
comemorar os gols e o título que achei que ele o móvel ia desmontar a qualquer
momento kkkk.
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| Quem é Philip Kotler perto do meu pai? Um aprendiz kkk. Detalhe para essas violetas no meu berço hahaha. |
Você não torce para um time só porque ele é campeão. Quero crer
que não. Eu me lembro de alguns detalhes que ajudaram na minha formação
santista. Uma camisa metade Santos metade Brasil que eu tinha, um amigo do meu
pai que me deu. Ela era linda e deu sorte em 2002, pois fomos campeões do mundo
com a seleção e depois o time ganhou o brasileiro no mesmo ano. O escudo “feliz”
do Santos e eu assistir uma partida do Santos na TV como um adulto aos 5 anos
de idade, na casa de uma ex-moradora do prédio que meu pai trabalha (mal sabia
o sofrimento que teria para assistir partidas na TV com esse time) ajudaram
também. Agora, sem dúvidas, um dos principais foi a vinheta de fundo durante o
grito de gol do Santos na narração da Globo. Meu, é o MELHOR. Sério, sem
clubismo, é o mais divertido, animado, legal. Os antigos, até 2006, 2007, eram
mais zikas do que os de hoje. É um trecho do canto que muitos acham que faz
parte do hino oficial, mas na verdade, ele foi feito na época do Santos de Pelé
como uma música mesmo, para tocar na rádio, e fez tanto sucesso que se confunde
com a história do clube. Abaixo um vídeo que sintetiza os dois últimos parágrafos. Se você for santista cuidado, altíssima dose de emoção.
Torcedor que é torcedor não é forjado na vitória e sim
na derrota. E eu tive uma que me marcou por um longo tempo. Falo de Corinthians
7 x 1 Santos. Meu, eu ainda não sabia direito esse negócio de sofrer, mas
lembro que fiquei triste. Tinha feito naquele ano uma anotação de todos os
jogos do Santos e me impressionava com a disparidade do placar comparado com os
dos outros jogos. No entanto, eu senti mesmo foi no dia seguinte na escola.
Parece que eu tinha pagado o maior mico da história no dia anterior e os meus
“colegas” queriam tirar uma com a minha cara, mas tinha sido tão feio que
estavam com dó. Só ouvia as risadinhas e via os olhares maldosos. Poxa, para um
mlk de 10 anos isso gruda e não sai mais. Desde então comecei a nutrir um ódio
para com o Corinthians que só foi acabar em 2012, quando cego de raiva,
discutia com uma menina via Facebook o “escândalo” que era a preferência dada
pela mídia ao time de Itaquera em detrimento do meu. Foi tal o nível de
estresse que se a conversa fosse pessoalmente eu poderia ter batido nela. Aí me
dei conta que isso não leva a lugar nenhum e desde então sou um torcedor
consciente, até assisti um Corinthians x Santos esse ano na torcida dos caras.
Quando meu pai me levou a primeira vez ao estádio para ver
Santos x Marília no Parque Antártica em 2004 (sim, isso mesmo que você leu, um
jogo com o mando do Santos no estádio do Palmeiras, hoje a chance de isso
acontecer é a mesma do Palmeiras ser campeão mundial, e isso não é uma piada
kkkk), ali estava sedimentado um dos caminhos que mais fiz na vida, ir a um
estádio de futebol. Com o Santos são mais de 50 jogos e boas histórias que
talvez conte neste blog. Só como aperitivo, vi o primeiro jogo como
profissional do menino Ney e deixei de ir à festa de aniversário da minha mãe
para ver um jogo do Santos.
Visitei a Vila Belmiro pela primeira vez em 2011, nas
“melhores férias” com o meu pai. Pois em uma semana visitamos o Rio de Janeiro
e conhecemos a casa do nosso time, dois sonhos do meu pai. Fomos no sábado de
manhã para Santos e descemos direto para praia. Era a primeira vez que pisava
em uma. Tomamos banho de mar e depois curtimos uma sombra e água de coco até pouco
antes da hora do jogo à noite. Enfrentaríamos o Atlético-MG. Última partida do Danilo, hoje no Manchester City, pelo clube. O próprio fez um golaço de fora da
área no primeiro tempo. Humberlito Borges aumentou numa cobrança de pênalti.
Pênalti que foi desperdiçado pelo galo por Jonatas Obina (soube que ele se
naturalizou por Guiana Equatorial e jogou eliminatórias africanas da FIFA para
Copa do Mundo de 2014 hahaha que no sense). Tomamos um no segundo tempo, mas
nada que impedisse a nossa vitória no meu primeiro jogo. Desde então são 9
jogos na Vila e nenhuma derrota (6V 3E).
No dia seguinte visitamos o museu do clube, que tinha uma
taça novinha em folha, a Libertadores da América. Passeamos pelos vestiários,
camarotes, sala dos troféus. Sentamos no banco de reservas e "demos entrevista" na sala de imprensa, mas eu queria era
pisar no gramado. Só que não era possível. Fiquei frustrado, mas entendi. Não
vou dizer que prometi que iria pisar um dia, mas o destino sorriu para mim e
tive essa chance 6 anos depois. Para saber como foi esta oportunidade, leia (ou
continue lendo) Eu sou Santista.
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| Fui, partiu aonde é o resgate. |




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