domingo, 17 de setembro de 2023

Tio do Miss Browne


Ainda bem que não tenho nenhuma obrigação de manter esse blog ativo, pois se dependesse da minha periodicidade de textos publicados ele estava fadado ao absoluto ostracismo. Mas, vejam só vocês, a minha vida continua oferecendo boas histórias pra contar e portanto, cá estou novamente pra deixar registrado uma historinha sobre retornos e despedidas, reencontros e descobertas.

Meu último texto aqui foi um causo engraçadinho envolvendo minha mãe, uma mala e uma viagem pra Bahia. Imaginei que escreveria pelo menos um texto por ano, mas aparentemente 2021 e 2022 não terminaram não é mesmo? Todavia, aproveitando este hiato, faço uma retrospectiva do que rolou comigo após minha mãe recuperar a ruma de limões (spoiler do texto acima citado).

Pandemia/Desemprego/Atento/Matão/Playball/Mudança

Essas são as palavras-chave do que rolou de janeiro/20 a maio/22. Não vou me aprofundar em cada uma delas, mas conectando todas brevemente, a pandemia interrompeu os meus freelas na Playball e na Cassinera me obrigando a ficar em casa até novembro/20, quando consigo um trampo temporário na Atento (mês esse também que marca dois fatos importantes na minha trajetória e um deles contarei mais abaixo, o outro não dá porque o final é triste kkk). Antes de terminar os três meses de experiência na Atento, sou chamado pra outro trabalho temporário em fevereiro/21, desta vez na Escola Estadual Padre Manuel da Nóbrega, o famoso Matão (este também tem a ver com a história deste texto).

Era pra ficar lá um ano, entretanto ramelei e fui "convidado a me retirar" em julho. E detalhe, estava terminando de tratar uma ansiedade que surgiu durante a pandemia. Porém estou bem a quem quiser saber. Antes de completar um mês desempregado olha quem reapareceu? A Playball. A princípio como freela, depois como titular da equipe de Eventos e permaneci de setembro/21 a março/22 pois tinha que assumir a minha vaga efetiva em uma escola (que a essa altura todo mundo já sabe qual é haha).

Antes de entrar na escola ainda tive que participar da mudança da minha mãe em definitivo para a Bahia, somado a ter que deixar de morar nas Perdizes, local este que vivi toda minha existência. Como se não bastasse, minha vida pessoal não ia bem e teve o ápice no dia da mudança da minha mãe, dia esse que foi SENSACIONAL, do início ao fim. Apenas este dia merecia um texto, mas como falei, o final é triste e não vou gastar meu talento pra falar sobre isso.

Pronto, chega de enrolação, agora vamos para o que interessa, que é saber o motivo de o Brasil não suportar os últimos quatro minutos da prorrogação diante da Croácia na Copa do Mundo no Catar. Mentira. Essa resposta chama-se futebol e quem ficou decepcionado é só esperar três anos e meio pra tentar outra vez. O que vem a seguir é um longo relato descritivo e detalhado sobre como me tornei Tio do Miss Browne. Não vou economizar no conteúdo. Se você quer saber como isso aconteceu, fique e será meu passageiro especial nesta jornada.

Tirei várias fotos e mesmo assim essa e a do post no insta/facebook foram as menos piores de ruim kkk. Fora que nas minhas últimas atualizações nas redes sociais, que são dezenas, estou com a mesma (linda) camisa e nem foi de propósito haha. Enquanto planejava o texto, essa imagem seria mais impactante. Porém na prática, por mais que tenha executado o planejado, o resultado foi só um cara que não sabe fazer selfies haha. E essa foto só tá aqui também pra ser a capa do conto, e não a de um prontuário de uma pessoa absolutamente desconhecida no mundo do futebol que consta mais abaixo haha.

O início do ser tio sem ter irmãos para ter sobrinhos

Se essa história tivesse um título de matéria no estilo Playball seria algo como "Volta pra casa saindo de casa: Mateus retorna ao Miss Browne 12 anos depois, meses após se mudar para o Morumbi". Não seria exatamente esse título porque excede os 60 caracteres recomendados, no entanto dá uma boa noção do relato que farei a seguir.

Para começar precisamos retornar ao glorioso ano de 2018. Ano em que a França mostrou ao mundo que o Mbappé é o futuro do futebol e que eu comecei minha trajetória na Playball. No meio do ano, em meio a busca de empregos fixos nos mais de 50 sites de vagas que acumulei (passou de 100 durante a pandemia e os acessava toda a semana), alguns deles eram sobre concursos públicos e achei uma boa me candidatar para ser Agente de Organização Escolar e me tornar funcionário público do estado de São Paulo. O que eu pensava na época: conquisto um cargo estável e com isso sigo tentando virar como jornalista, sem me preocupar com a imprevisibilidade dos freelas.

Fiz a prova no dia 26/08/18, um dia muito frio, ainda assim menos frio do que o freezer que as minas me tratam quando perdem o interesse em mim kkk. Em casa vendo o gabarito vi que fui bem, mas na parte de Legislação confesso que foi na interpretação de texto/achismo. Pois bem, este foi o quesito crucial para eu não assegurar uma vaga na primeira chamada. Vamos aqui a uma rápida explicação sobre o concurso do qual estava concorrendo. Eu me elegi para trabalhar à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, logo não era onde eu quisesse. O que isso significa? Teria que escolher uma Diretoria de Ensino e, se caso fosse bem na classificação, teria uma vaga para escolher dentre escolas estabelecidas pela Diretoria de Ensino, não por mim. 

Vocês estão cientes que o estado de São Paulo tem população e PIB de um país de nível da União Europeia, portanto não teria condições de apenas uma Diretoria de Ensino dar conta de todas as escolas do estado. Então foram divididas em dezenas de diretorias pelo interior, região metropolitana, litoral e capital. Só aqui na cidade tem 13 Diretorias de Ensino e eu escolhi a que abriga as escolas da região a qual eu sempre morei, a DE Centro, no intuito de trabalhar perto de casa.

Muito bem, muito bom. Saem os resultados e a minha nota é suficiente para eu ingressar na primeira convocação do funcionalismo público estadual em 12 das 13 Diretorias de Ensino da capital. Adivinha em qual eu não me elegi? Óbvio, na que eu escolhi. Eu me lembro de ter nota para ser primeiro em três DE's, mas na que eu optei fui o 15° muito porque não dei valor para a parte de Legislação e quem ficou na minha frente teve notas melhores que eu neste aspecto. Na real, todos se classificaram tão próximos que se eu acertasse três questões a mais de matemática e português por exemplo, ficava entre os sete primeiros e teria uma das sete vagas ofertadas pela DE Centro.

Resumindo, no dia da seleção, em janeiro/19, eu teria que torcer para no mínimo seis pessoas desistirem do emprego e sobrar uma escola disponível para eu trabalhar. E sabe aquela história de escola perto de casa? A mais próxima era o Alarico, que fica na Barra Funda, as outras ficavam na zona norte mesmo, perto de Santana, Vila Guilherme, Pari. Aí me dei conta que DE Centro não queria dizer necessariamente centro de São Paulo. Eu fui pra seleção no intuito de saber se ainda naquele ano teria uma nova convocação, pois para aquela já era pra mim. Dito e feito. Apenas duas pessoas não compareceram e o 9° colocado foi o último felizardo que saiu com um novo emprego daquela manhã ensolarada com prenúncio de temporal na capital paulista. 

Só que aí meus amigos, se eu não tive emprego, fiquei illusionado, como diriam nossos hermanos argentinos. O cidadão que conduzia a seleção disse que quem não foi escolhido naquele dia pudesse ficar despreocupado. Nossa vaga estava garantida e no último concurso eles rodaram a lista duas vezes até o final para preencher todas as vagas. Lá no momento eu não me dei conta direito no que ele tinha dito, depois em casa a informação foi assimilada. Digamos que 500 candidatos se qualificaram (por terem acertado pelo menos 50 pontos da prova que vai de 0 a 100). Ou seja, no concurso anterior foram chamados do 1 ao 500 do início ao fim duas vezes, além da vez que parou, que já era na terceira. Eu estava empregado, só não sabia quando e onde.

Fui tio sem assumir os sobrinhos por quatro meses

Passou 2019 inteiro, o Flamengo assombrou o país com Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Jorge Jesus, eu estava estabelecido como jornalista na Playball, quase empregado na Leo Madeiras, e ainda de quebra fazia umas vítimas em festas de cassino, mas nada de eu ser convocado pra seleção da Bulgária, quer dizer, pela DE Centro. Pensei: de 2020 não passa né, o concurso tem validade de dois anos, há um déficit de vagas nas escolas, já que tinha feito minha lição de casa e ido em algumas escolas estaduais perguntar a respeito. Ou seja, tinha as vagas e tinha gente pra trabalhar, o que pode dar errado?

Faltou eu combinar com o coronavírus. O mundo parou em 2020 e, claro, as contratações congelaram, tal como o tratamento das minas para comigo ultimamente. E agora José? A festa nem tinha começado pra mim e sabe Deus o que aconteceria a partir disso. Fui viver a minha vida né, administrar uma ansiedade ali, zerar uns jogos acolá, estudar para jogar pôquer com os brothers quando tudo voltasse ao normal ("voltou" e ainda não joguei haha) e sempre procurando emprego. Até que cheguei na Atento pra trabalhar em um produto Dasa como Assistente de Backoffice. Nada a ver com a minha área, mas pingaria um dinheiro enquanto não voltava a Playball e era um sintoma de que o jornalismo não ia pagar a comida na minha mesa (tô exagerando né, morava e ainda moro com os pais, só que não poderia esperar em berço esplêndido uma oportunidade que cada vez mais creio que não virá e que também deixei de correr atrás). 

Estava focado em passar o período de testes pra ser efetivado quando em fevereiro/21 vou conferir a lixeira do meu e-mail e encontro uma convocação da DE Centro para aquela semana para uma vaga temporária em uma escola por um ano. Me lembro perfeitamente a situação. Tinha chegado tarde do trampo, quase às 23h , e liguei o note pra ver uma situação pro dia seguinte, mas que super poderia ver pelo celular. Nisso abro o e-mail e tenho a curiosidade de ver a lixeira, coisa que não faço usualmente, e bingo, estava lá a convocação. Eu fiquei parado na cadeira olhando pro armário da cozinha por meia hora pelo menos, tentando assimilar o que estava acontecendo.

Diferentemente de janeiro/19, desta vez eu tinha uma vaga assegurada, já que a DE Centro ofertava cinco vagas e eu era o quarto da lista. Houve uma convocação entre essas duas que o 10° e 11° conseguiram uma vaga temporária cada e, por isso, a lista iniciaria do 12°. Como vocês se recordam eu fui o 15° e desta forma estava dentro do número de vagas. Mas por ser uma vaga temporária eu tinha que analisar a proposta. Talvez pudesse ser melhor seguir na Atento na vaga quase efetiva. Comuniquei meu chefe de operação que se caso as condições fossem favoráveis toparia ir pra escola. Na pesquisa das escolas tinha o Matão como preferido, já que era a mais próxima de casa. As outras estavam perto do estádio do Canindé e da estação Parada Inglesa, ambas na zona norte.

Só que no Matão era apenas uma vaga, enquanto que nestas outras escolas eram duas pra cada, totalizando cinco. Apesar de ter uma vaga assegurada, ter que trabalhar longe seria algo a pesar. No dia da convocação na DE Centro tinha umas dez pessoas aguardando, logo tinha que torcer para nenhuma delas escolher o Matão, mas quando foram chamando as posições, ninguém na minha frente tinha comparecido e pude escolher o Matão sem problemas. A oportunidade era melhor que permanecer na Atento e se mostrou acertada, já que meses depois o produto Dasa que cuidávamos acabou e posteriormente a equipe de operação foi desfigurada. 

Minha passagem pelo Matão pode ser analisada por dois aspectos. Na vida pessoal foi maravilhosa. Trabalhava de segunda a sexta, das 9h às 15h (ainda estávamos em regime de teletrabalho por causa da pandemia, logo a secretaria não funcionava o tempo inteiro e não tinha todos os funcionários presencialmente). Ia pra academia após o trampo e tinha os finais de semana pra encontrar a @ e ir ao McDonald's (não tô falando da rede de lanchonetes HAHA). Mas na vida profissional dentro da escola foi de muito aprendizado e de um choque de realidade, de amadurecimento, que resultou na minha saída em junho, mas que na prática foi em julho. Sem ressentimentos, porém vou carregar este fardo pelo resto da vida. Com isso mal tive contato com os alunos, conheci alguns, mas o suficiente para ajudá-los no que fosse necessário.

Retirei o Tio do Miss Browne

Sair do Matão não significava que perdi a vaga efetiva. Mas era a perca de um emprego que gostava e, que de certa forma, afundou minha vida pessoal, já que na Playball eu entrei como bombeiro pra reforçar o setor de Eventos e tive que abdicar de várias coisas, inclusive os rolês com @, o McDonald's e os treinos na academia (não participei da festa de 60 anos do meu pai por exemplo). Dei a minha palavra pro Douglão (meu chefe na Playball) que enquanto minha vaga efetiva não saísse, jogaria pela Playball da melhor forma que conseguisse, tal como o Endrick fará pelo Palmeiras antes de ir pro Real Madrid (isso se o Portuga deixar né kkk). E a aventura como Organizador de Eventos na Playball teve fim em março/22. Isso na carteira de trabalho, pois na prática sigo funcionário da Playball como editor-chefe de jornalismo e em vários sábados fui de freela na organização.

Cês acham mesmo que ia levantar a bola pra depois não cortar? Olha aí quem foi aluno do Miss Browne, o próprio, o primeiro e único, o jogador de 70 milhões de euros, Endrick. Menção honrosa para o Yago Mateus, um dos melhores jogadores brasileiros de basquete atualmente e que também passou por essa escola maravilhosa.

A foto anterior é de um jogador cumpridor e que não arranca suspiros dos palmeirenses. Este aqui não, um craque consolidado no cenário nacional. Disputou competições continentais e jogou por clubes tradicionais da capital e baixada santista. Falo de Caio Mancha, o ídolo da base palestrina, que atualmente desfila sua cátedra no CD FAS de El Salvador, clube mundialmente conhecido por FAZER ótimas contratações.

Eu queria ter algum tipo de previsibilidade, saber quando assumiria meu cargo na escola, se é que iria, já que né, as coisas poderiam ter mudado de um ano para o outro. Cheguei a ligar para a Afuse, que é o sindicato dos funcionários da secretaria da educação, e lá me disseram que nem eles sabiam quando teria a convocação, mas que pressionaram o secretário da educação do estado na época, o Rossieli Soares, para resolver essa situação. Enfim, veio o aguardado e-mail da convocação, quando a essa altura eu também pesquisava no Diário Oficial do Estado uma vez por semana. Ou seja, não foi AQUELA surpresa da vaga temporária, mas isso não quer dizer que não teve emoção, no sentido do Galvão Bueno mesmo.

Lendo a convocação entendi que haveria cinco vagas efetivas e eu seria o sexto na ordem. Explico. Como desta vez a convocação não era para temporários, a seleção retomaria da primeira posição que não foi selecionada lá em 2019, ou seja, a partir da 10°. Dentre as escolas que poderia escolher tinha uma perto do Parque Dom Pedro 2°, uma na Mooca, mais uma vez outras na zona norte. Todavia tinha a Escola Estadual Miss Browne, que fica situada na rua Padre Chico, 102, bairro da Pompéia, divisa com Perdizes. Escola esta que estudei de 2006 a 2009, do que era na época, da 5° a 8° Série do Ensino Fundamental 2, e que fica a dez minutos a pé de onde morei minha vida inteira, na rua Iperoig, 501, este sim no bairro das Perdizes. Não preciso dizer que era a escolha perfeita.

Tá aí a ficha criminal do elemento kkk. ACHO que pareço com esse mlk da foto hehe.

Se tu conseguir enxergar as notas kkk, verá que fui um aluno decente e que não tive dificuldades de passar pelo Fundamental 2. Hoje em dia confecciono históricos escolares tal como este.

Só há um quadro em toda escola de formandos. Essa é a classe de 2012, com formandos do Ensino Médio Regular; do Fundamental 2 e Médio EJA. Eu deveria estar nesta foto, mas saí do Miss no Ensino Médio em 2010 para ir ao arquirrival EE Zuleika de Barros. É como trocar o Grêmio e ir jogar no Internacional, sem escalas. Mas constam amigos meus neste quadro e que talvez leiam este conto. Um que está, porém infelizmente não o lerá por não estar entre nós desde novembro/20, é meu grande irmão da vida Eric (2° fileira de cima pra baixo, 10° da esquerda pra direita). Entretanto em algum canto ele dará sua risada tão debochada quanto a minha sobre este relato.

Porém nada estava garantido, nem o Miss Browne, nem sequer que a vaga chegaria até a minha colocação, já que eram cinco escolas e eu era o sexto, tinha que torcer para um desistir. Uma situação bem melhor do que em janeiro/19 na primeira convocação. Comuniquei ao Douglão sobre a situação e pedi pra ele não avisar a Rafaela, minha super parceira e amiga de setor, pois como não era certeza que iria sair, não iria alarmá-la por nada. Eu recebi o e-mail numa sexta e a convocação seria na sexta seguinte. No sábado teve rodada da Copa Playball e eu já trabalhei meio que em ritmo de despedida, pois acreditava que alguém não iria e uma vaga sobraria pra mim. 

Só que na quarta relendo o e-mail me dei conta que eram apenas duas vagas efetivas para escolher entre cinco escolas. Ou seja, ao invés de uma pessoa, teria que torcer para quatro não irem. De repente o otimismo deu lugar a apreensão. Nem falei pro Douglão dessa falha no engano e deixaria pra contar quando voltasse da seleção sem a vaga, o que sabidamente o faria bem contente, pois a minha permanência seria importante para o Eventos. Sim, eu não acreditava mais que sairia da Playball e passaria a torcer pra ter outra convocação ainda em 2022, enquanto o prazo do concurso estivesse vigente. A sexta chegou e a convocação iniciaria às 9h30 na DE Centro. Eu, como sempre em cima da hora, apareci no rolê faltando 10 minutos para o início. Foram convocadas 20 pessoas para duas vagas. Sabe quantas tinham na DE Centro às 9h20? 10? 15? 7? 5? NENHUMA. Ninguém brother. Eu achava que estava rolando uma pegadinha.

Às 9h28 encostaram na goma um pai com o filho, o Fernando. Perguntei ao Fernando se estava participando da seleção e ele disse que sim. Espirituosamente comentei que se não chegasse mais ninguém as vagas eram nossas. Ele riu. Questionei se ele era temporário e disse que sim, e que trabalhava sabe em que escola? No Miss Browne. Ato contínuo, questionei qual era a posição dele no certame e ele disse 22°. Neste momento abri aquele sorriso sacana de criança quando comete um delito, sabe que tá errado, mas só quer ver a patifaria. Falei que eu estava na frente dele na classificação e que sentia muito, porém iria escolher o Miss Browne se tivesse oportunidade.

A apuração começou às 9h45. Ou seja, ainda deram 15 minutos pra alguém chegar além de nós três: eu, o Fernando e o pai dele. Ninguém apareceu. O destino estava selado. Foram sendo chamados posição por posição, nome a nome, até chegar a 15° de Mateus Lemos Rodrigues. Escolhi o Miss Browne, assinei os papéis, e saí da DE Centro crente de que há momentos que a vida é um troço bem sapeca. Todos que chegaram até aqui perceberam que a sorte sorriu pra mim, todavia vamos ter uma atenção especial para trajetória de Fernandão. Ele assumiu a vaga de temporário no Miss Browne havia poucos meses, tinha se adaptado a escola, gostava de lá e entendia ser um sonho distante conquistar a vaga efetiva, mas né, vai que...

Chega à DE Centro e vê apenas uma pessoa. Ora, as chances cresceram exponencialmente. Mas essa única pessoa estava na frente dela na ordem de chamada. Ela poderia escolher uma das outras quatro escolas, só que o cidadão mora há dez minutos a pé do Miss Browne e é um ex-aluno da escola. Foi como a disputa do Barrichello com o Schumacher no grande prêmio da Áustria em 2002, na icônica narração do Cleber Machado do "Hoje não, hoje sim?". Em tempo, Fernandão escolheu uma das outras escolas e permaneceu lá por pouco tempo, pois pediu exoneração pra trabalhar no Banco do Brasil.

Na volta da seleção, já passei no Miss Browne, me apresentei e achava que iria começar a qualquer momento. Só que no Estado irmão, tu é regido pelo Diário Oficial. Se seu nome não aparece lá, nada feito e até o momento eu tinha escolhido a escola, ainda teria que passar pela perícia médica, que sabe God quando seria. E por não ter um prazo, eu não poderia esperar na Playball enquanto isso. Tive que pedir demissão, já que não poderia ter acúmulo de funções em carteira de trabalho. Se eu sou funcionário público, sou apenas funcionário público enquanto pessoa física.

Desfalcar a equipe de Eventos, ou melhor dizendo, Rafaela e Douglão, me apertou o coração. Nós vivemos vários perrengues juntos e isso só nos uniu. Nunca tive um ambiente de trabalho tão maravilhoso quanto lá. Eu chorava de rir quase todo dia, mesmo com vários forninhos pra segurar (Desenapenho é outra história que merecia um texto HAHA). E a minha saída foi coroada com um abraço da Cris, gerente da administração, que pra mim representou mais que qualquer coisa que já tenha sido dita sobre a minha passagem como efetivo da Playball.

Agora sim seria tio de verdade, com mais de 200 sobrinhos

Passou março, abril, chegou maio e nada de meu nome ter atualizações no Diário Oficial. Minha mãe foi embora e não tive o gostinho de ir trabalhar perto de casa, já que passei a residir com meu pai no Morumbi. Na verdade no Real Parque, próximo ao Palácio dos Bandeirantes, que fica há 9,5km da escola. Como demorei uma eternidade pra escrever este conto, em junho/23 pude ter esse prazer já que meu pai voltou a trabalhar nas Perdizes cobrindo as férias do meu primo, e brother, foi maravilhoso, inclusive sdds. De certa forma foi bom não ter entrado na escola logo após a minha convocação pois pude ficar com a minha mãe o tempo inteiro e ajudar em todo esse processo de mudança, algo que se ainda tivesse na Playball como efetivo seria bem difícil de contribuir. Só no final de maio fui chamado pra perícia que seria em junho. Não passei de primeira devido ao meu histórico de tratamento para ansiedade. Porém no início de julho tive a confirmação que estava apto a desempenhar as minhas funções como Agente de Organização Escolar.

Se tá dizendo no Diário Oficial, quem sou eu pra discordar parça?

No dia 4 de julho de 2022 minha história reiniciou no Miss Browne. Deise, funcionária da secretaria, tal como eu, é mais conhecida como Miss Deise (ou Deise Maria kkk) e era da minha época de aluno, tal como a Dona Jô e o Weber da cantina que lá permaneceram por todo este tempo. Atualmente quem manda na cantina é a bola de vôlei mais conhecida do cinema, Wilsooooooon. No mais, todo o corpo docente e de funcionários mudou. Junto comigo na secretaria/corredor/pátio/em qualquer lugar está além da Miss Deise, Renata San Juan, que não é a cidade argentina nem a capital de Porto Rico. Nosso time ainda conta com a melhor GOE do Miss Browne, Aline Chefinha; na coordenação pedagógica temos a mãe do Murilo, Alessandra, doutora em elaborar grade horária; Thiago, sempre com uma ideia na cabeça; e Rosy, atriz, jornalista, socióloga e recifense nas horas vagas, E chefiando todo mundo Elton, o nosso cabeludo favorito, com sua fiel escudeira Márcia Delegada, a COE do GAECO kkk. Preciso falar sobre Regina Célia, minha mãe adotiva, que entrou praticamente ao mesmo tempo que eu e esteve conosco até julho/23, pois era funcionária temporária.

Falta a chefinha de nós todos, mas ela não gosta da gente então tá tudo certo kkk. Da esquerda pra direita: Renata e o sobrenome chique; Miss Deise, mais conhecida que a própria Miss Browne; Regina Célia, minha referência em interpretação de histórias (e fofocas) na escola e na vida S2. 

Há outras figuraças como Birinight, o homem que não esquece nada; Dennys Antifa, o maior torcedor do Rayo Vallecano da escola; os Três Mosqueteiros: Mau Mau, Fernando e Vitin Cria da Quebra de Vics. Maria Cheirosa, da Vila Maria para o mundo; Flavinha, mais fã de Creed do que eu; Maeli, que jamais foi atropelada por cachorros ou agredida por quadros; Elis Regina, que na língua de sinais interpreta muito melhor que a sua xará menos famosa; Creonice e Geneci (aqui não é com J kkk), que deixam a escola um brinco e são exemplos pra mim de dedicação ao trabalho e gratidão pela vida. Enfim, todos que fazem parte e contribuem para a Miss Browne ficar orgulhosa do trabalho que ela iniciou há quase cem anos.

Porém, é óbvio, que a escola é feita pelos alunos e eu me divirto demais com eles, algo que me faltou de experiência no Matão. Agora no Miss desde que retornaram as aulas no segundo semestre de 2022, todos os dias sirvo de conselheiro amoroso (melhor parte), comentarista esportivo, companheiro de conversa, negociador de informações (maldosos dizem que isso é ser fofoqueiro) e claro, os zuando sempre que possível. Também faço meu trabalho de cuidar das bênçãos e evitar que se matem nas brincadeiras tanto no pátio, quanto nas quadras. Em especial interromper o futebol de garrafinha, uma determinação dos meus superiores, mas que na prática é um desafio diário a minha paciência.

Mesmo sendo carrasco dos mlks na luta contra o fut de garrafinha e qualquer outra coisa pra chutar, fui condecorado com uma medalha de bronze, apesar de ganharmos a de ouro, no Tênis de Mesa do Interescolas do segundo semestre de 22. Recebi a medalha em consideração por ter ajudado nos trâmites para o envio da delegação a competição. Arthur, o Cordeiro, me presenteou. As chaves são das portas das salas e do portão central do pátio, com um chaveiro do Royal Straight Flush do poker. Chaveiro esse que quando entrei na escola era um que ganhei de uma amiga quando ainda estudava no Miss e foi protagonista desta história. Mas ele quebrou e foi substituído a altura. O aluno de 2006 em 2023 tem a chave da porta das salas. Jamais imaginaria ter esse poder.

Em pouco tempo decorei os nomes e identifiquei TODOS os por volta de 210 alunos ativos da escola inteira. Por ser PEI (Programa de Ensino Integral) e não por período (manhã/tarde/noite), o convívio com os alunos é maior, logo é mais fácil vê-los sempre e reconhecê-los. Além disso estou em contato direto com eles pelo menos três horas todos os dias. Nas férias escolares é bem bacana trabalhar com a tranquilidade que a escola vazia oferece, porém o entretenimento que os alunos dão nem se compara. Mais uma temporada completa de risadas, conselhos, broncas, fofocas e muito café na secretaria (enquanto eu não quebro a jarra da cafeteira).

Queria que fosse uma foto com geral da escola, mas não achei nenhuma satisfatória nas redes sociais oficiais do Miss kkk. Mas essa é bacana pois fui num rolê de baska no Pq. São Jorge com os alunos haha. Da esquerda pra direita: Dudu, o mlk do sotaque; Bruno, o primo do Gabriel Jesus; Safrinha e Safrão, os irmãos filhos da Tia Cláudia.

Quando me inscrevi para o concurso olhava com certo menosprezo para a função, como algo passageiro, um trampolim. Hoje agradeço por ter ido mal na parte legislativa da prova e o destino se encarregou de me trazer novamente ao Miss Browne. Seria possível mudar de escola caso tivesse sido nomeado na primeira convocação lá em 2019. Existe uma "janela de transferências" do administrativo em que você pode se candidatar a uma vaga em outra escola. A Renata retornou ao Miss dessa forma em julho/22 por exemplo e Vivi, a melhor GOE do Matão, me cortejou para que eu voltasse para lá se possível. Agradeci o interesse e reconhecimento, mas, mesmo acordando cedo todos os dias, algo que adoro de paixão, hoje eu sou TIO DO MISS BROWNE e que seja eterno enquanto dure.

Mainha e painho também estudaram no Miss Browne! (Oração afetada por estar na Bahia enquanto termino de escrever este conto após 15 meses de tê-lo iniciado). Eles fizeram parte do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) que era muito forte na região, referência mesmo, e até hoje atendo ligações de pessoas buscando este ensino conosco. No entanto por sermos PEI, o EJA foi extinto do Miss em 2021.

Aloooooo Damares, cadê você? Esses prontuários estão do seu agrado. Mãe na cor rosa e pai na cor azul. O meu, que está mais acima, também está na cor azul hehe. Meu pai não deve ter achado uma foto 3x4 decente pra colocar no prontuário kkk. E detalhe no campo responsável, "o próprio", HAHA.

Uma das minhas incumbências que estão no rol de atividades é pesquisar a vida escolar de alunos quando sequer existiam prontuários. Os registros estão em livros com os resultados finais de cada ano e este é recente, apenas 68 anos atrás. Detalhe para a fonte da escrita e o capricho das letras.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Testemunhas de Geová


Viajar é ótimo. E de avião é melhor ainda. A Bahia é um destino recorrente na minha vida. Mais precisamente Vitória da Conquista, ou mais precisamente ainda Bela Vista, povoado da zona rural do município de Belo Campo, que fica uns 35km da cidade conquistense. Quase sempre fiz o trajeto São Paulo/Vitória da Conquista de ônibus. No entanto uma vez, em 2015, fui de avião com a minha mãe e adorei. Nada de enfrentar quase 24 horas de estrada, e sim três horinhas de voo. Só que custa caro né bem e não dava para ter esse luxo em todas as viagens. Contudo em 2019 as cartas sorriram para mim (literalmente) e para minha mãe e fomos ao aeroporto não para esperarmos algum parente, e sim para decolarmos.

De 2015 para cá muita coisa mudou. Eu me formei, meus pais se aposentaram, o Neymar se tornou o melhor jogador do mundo e o São Paulo voltou a conquistar títulos importantes. Não, pera. Enfim, Conquista conquistou o inconquistável haha. Traduzindo, foi construído um novo aeroporto na cidade, em um local mais amplo para abrigar aviões de maior porte e capacidade de voo. Com isso as três horas de viagem passaram a ser menos de duas horas e as passagens caras continuaram caras, mas apenas se deixarmos para comprar em cima da hora. Comprando com antecedência e planejamento dá para ir e voltar pagando o mesmo que uma passagem de ônibus de ida, uns R$ 400. Excelente não é mesmo?

O Aeroporto Internacional Glauber Rocha, que homenageia um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos, e que, vejam só, nasceu em Conquista, contou até com o presidente da República em sua inauguração ano passado. Eu e minha mãe não poderíamos deixar de experimentar essa novidade e marcamos encontro com o menino Glauber para o dia 5 de janeiro de 2020, por volta das 5:30 da manhã, um horário agradabilíssimo. 

Minha mãe, ansiosa que é, exigiu que saíssemos de casa à meia-noite, para dar tempo do ônibus noturno não atrasar HAHA. Zuera, para irmos de Uber ao aeroporto de Cumbica, ou Guarulhos para quem tem dúvida (um abraço para todas as pessoas que já se confundiram e perderam vôos nos dois principais aeroportos paulistas). Antes de 1:00 já estávamos na fila do guichê da Gol para realizarmos o despacho da oferenda, quer dizer, da mala da minha mãe kkk.

Se você caro leitor estiver bocejando neste momento e se perguntando porque perdeu alguns minutos preciosos da sua vida para ler um monte de nada, te garanto que isso foi como a subida de uma montanha russa, pois a partir de agora vamos descer e salve-se quem puder. WOOOOOOOW.

Na compra das passagens eu adquiri o despacho de bagagem apenas para minha mãe, já que ela ficaria quase um mês na casa da mainha dela kkk e eu, de estadia de onze dias, não precisaria mais que uma mala de dez quilos. Portanto levaria a minha bagagem na parte de cima do avião, junto com os passageiros. Chegando no guichê a senhorita Jéssica nos atendeu cordialmente e vendo o bom humor e estado de espírito meu e da minha mãe, passou a conversar conosco além de fazer seu trabalho. 

Digo a ela que só a mala da minha mãe será despachada, porém na conferência do documento da minha mãe ela diz que eu também posso despachar uma mala, sendo que ela nem viu o meu documento. Ué? Como ela sabia disso? Pensando que no pacote que comprei em um site de um outro site indicado por uma pessoa boa tivesse no "Li e aceito tudo o que tá escrito aí taóquei" alguma parte que ganhava uma bagagem gratuita, dei sequência ao "check-in presencial", já que tinha feito o "check-in ausente" haha em casa um dia antes.

Minha mala pesou 11kg e o da minha mãe 19kg. Para bagagens na parte de cima do avião, o máximo permitido é 10kg, ou seja, em tese eu teria que despachá-la no bagageiro da parte inferior da aeronave, no último "bloqueio" até o avião. Mas é de conhecimento geral que há uma enorme vista grossa nesse sentido e muita gente levou bagagens do tamanho da mala da minha mãe na parte de cima. Porém eu celebrei, pois como sou um sujeito muito sortudo, seria capaz de eu não viajar por ter um quilo a mais na mala. 

Antes de enviar minha mala ao mundo secreto das malas, que é retratado no Toy Story 3, travei o zíper com senha que só a Polícia Federal poderia abrir (porque sou patrão pai kkk) e nisto Jéssica entiquetou a mala da minha mãe. Após entiquetou a minha, mas não sem antes achar estranho os números dispares dos pesos e das malas. Ela corrigiu e nos despedimos das nossas bagagens enquanto elas iam pela esteira. 

Momentos antes de encerrar esta parte burocrática, notei que na passagem emitida para mim, uma espécie de ingresso de embarque, o nome do passageiro era GEOVÁ SILVA e não JESUS CRISTO huahuahua, quer dizer, Mateus Rodrigues. Chamo atenção do equívoco à Jéssica e ela questionou se não éramos mãe e filho. Respondemos que sim, mas que no momento do check-in em casa não consegui reservar dois lugares juntos. Ela disse que não tinha problema e que faria uma notificação no sistema avisando sobre a troca de nomes.

Já em frente ao portão 201, faltando uma hora e meia para o início do embarque e quase duas para decolar, tirei fotos para recordação, muito mais para a minha mãe no caso. Fazia piadas de quando iria chegar o ônibus que ela viajaria ou que eu era a estrela do voo com a minha jaqueta lindíssima da seleção nigeriana de futebol. Nessa hora observo que em todas as nossas viagens NUNCA teve um problema sério, sempre deu tudo certo e ela concordou. Só esqueceu de uma viagem de volta da Bahia para São Paulo que ela fez com o meu pai em que o ônibus foi parado duas vezes no caminho e somente meu pai, em meio a 45 passageiros, foi revistado HAHA. Viu, minha (falta de) sorte é de família.

Eu e minha mãe antes de embarcarmos. É uma imagem para ilustrar o conto, não para mostrar algo importante kkk. Detalhe para a mulher do canto superior direito que quando viu a selfie virou o rosto imediatamente haha. 

Também observei que o número de localizador e a poltrona do bilhete de embarque da minha mãe eram diferentes das que eu reservei e daí veio a resposta para o "engano" da Jéssica. Minha mãe se chama Maria Lemos da Silva. Então na passagem está Maria Silva. Convenhamos que este nome é tão comum quanto panetone no Natal ou "ibagens" de alagamento em janeiro na grande São Paulo. Logo, havia outra Maria Silva entre os passageiros e ao lado dela uma testemunha, ops, Geová Silva, que, por ilação, Jéssica pensou que fosse eu. Nesta confusão eu fui premiado com uma bagagem, já que o Geová pagou e eu não hehe. Falei tudo isso que disse acima para a minha mãe e chegamos a conclusão que teríamos que avisar a funcionária da Gol que faz o "cara crachá" antes da entrada no avião.

Às 2:40, cinco minutos antes do horário marcado, é iniciado o embarque. Pisquei e uma fila quilométrica já havia sido formada. Não ligava, pois estávamos sem bagagem, não teria por que me preocupar em não achar vaga para elas acima das nossas poltronas (quem viaja sabe que pode rolar de você estar na fileira 5 e a mala na fileira 25). "Bom dia. Há algum problema da passagem da minha mãe ser diferente do locali..."  "Não". Ok, mas queria ter terminado de falar pelos menos kkk. Eu estava na poltrona 27A e minha mãe na 28E. Próximos né, mas na verdade minha mãe deveria estar na 19D. 

Devidamente acomodados e com o avião cheio, é realizada a "chamada dos ausentes". Se um ausente estiver embarcado é porque algo de errado não está certo. Dentre os cinco nomes adivinha quais estavam? Sim, Caim e Abel haha. Não, Maria Silva e Geová Silva (que estava escrito assim mesmo na passagem, o com J é para quem crê na palavra huahua). Olho para minha mãe e ela me pergunta se devemos falar algo. Digo que não, pois, vejam só, não somos testemunhas.

Pouco antes das 3:30 decolamos e só me preocupava em tentar dormir. Cochilei um pouco menos de uma hora e acordei exatamente na hora do lanche hehe. Comi um bolinho com suco de laranja e tentei voltar ao sono. Entre pensamentos e piscadas longas eis que chegamos ao destino vitorioso kkk às 5:10. Após uns dez minutos de rolamento huahuahua ou taxiamento na pista, descemos do avião com a minha mãe impressionadíssima pelo tempo da viagem, pois "nem deu para fazer nada e já chegamos, só tomei água e nem comi o bolinho". 

Fomos para a esteira das malas e já de cara vi que não pensaram nos passageiros, deixando um espaço minúsculo para as pessoas se engalfinharem pelas bagagens. Minha mãe, iludida pensando que meu tio já estava lá para nos levar para a zona rural, queria pegar as nossas malas de qualquer jeito e avançou em uma tal como uma águia ataca sua presa na água, mas não era a mala dela. Foi tipo confundir uma melancia com uma ameixa. Com vergonha do ocorrido, ela me deixou para tarefa e ficou mais atrás esperando.

Vi minha mala e, bem posicionado, a peguei sem problemas. O tempo passava, as malas passavam e nada da mala verde da minha mãe. De repente minha mala apareceu novamente na esteira. Oxiii? Olho para trás e percebo uma etiqueta "prioritário" na mala que minha mãe tomava conta. Eu não sou prioridade nem para os meus crushs, o que dirá em malas hehe. Vou até ela e noto que o dono da mala que eu estava também vê algo errado. Corro até ele e minha mãe foi olhar a esteira. Sim, o cara tinha uma mala absolutamente idêntica a minha, mesma cor, modelo e marca, a diferença era apenas a etiqueta de prioritário na mala dele e o nome Maria Silva na minha. Oi? Mas essa é a minha mala, não a da minha mãe. Mermão, era o prenúncio do caos. 

Tal como uma cena de um drama francês da década de 60, as pessoas saíram de cena, as malas acabaram, a esteira parou de rodar e onde estava a mala da minha mãe? Meu mundo não caiu, mas minha mãe cairia se eu não a segurasse. Desespero é um eufemismo para a situação da minha mãe após não pegar a mala dela. "A mala é falsa amor, engole o choro embora eu não vou, agora vê se aprende a dar valor, que tu se ferrou, ferrou, ferrou", cantarolou Felipe Araújo em algum lugar do mundo tomando uma taça de vinho. 

Um segurança nos orientou irmos ao guichê da Gol enquanto minha mãe tremia e segurava o choro. Antes de chegarmos ao guichê abordamos um funcionário da Gol, falamos o ocorrido e ele, quase rispidamente, pediu para esperarmos lá, enquanto ele saia para ver outro assunto. Nisto percebo uma aglomeração e ânimos exaltados de passageiros que perderam um voo. VEEESH, só melhora a situação.

Marcelo é o nome do homem que nos pediu para aguardarmos o atendimento, só que naquele guichê apenas eu estava paciente. Oito passageiros perderam um voo internacional pois chegaram atrasados e não puderam fazer o check-in propositalmente segundo eles. E o motivo da fúria era maior pois, dizendo eles, uma nona passageira, que chegou depois de todos, foi atendida e embarcou (não no mesmo voo que era o deles, mas isso eles não falaram kkk). Minha mãe evidentemente fez questão que todos do aeroporto, não só da Gol, soubessem da perca da mala. Ou melhor, que dessem conta de recuperá-la. Até para a humilde faxineira do aeroporto ela apelou. 

Depois de um tempo Marcelo voltou, passou voando (a vá) pelo guichê e adentrou a sala onde só os funcionários ficam, piorando os ânimos dos presentes. Pouco tempo em seguida, Karine surgiu e iniciou o protocolo de recuperação da mala conosco. Bom, se caso a mala estivesse em São Paulo né, até então qualquer hipótese não poderia ser descartada, inclusive de furto. Não sem antes ouvir um emocionado e raivoso lamento de minha mãe. Eu sou completamente avesso a "choro", não acho que leva a lugar nenhum, e só piora o clima, mas o pessoal da Bola na Trave já está acostumado e solenemente "ignorou" os lamentos.

Fiz o preenchimento do requerimento até o momento em que pedia para que descrevesse três itens que estavam dentro da mala. Minha mãe assumiu a posição de fala e afirmou que tinha um cuscuzeiro, uma bolsa cheia de coisas (ué? kkk) e vários limões "para fazer uma caipirinha". As pessoas levam roupas na bagagem, minha mãe leva uma "ruma" de limão HAHAHA. Minha mãe nem bebe e diz que fará caipirinha com os limões. Realmente ela não estava bem. 

Terminado o preenchimento Karine pede o endereço de onde nós terminaremos a viagem para enviar a mala até lá, só que esse lá "não existe" hehe. É zona rural, não tem cep, endereço, nada (no entanto moradores "zueiros" do povoado editaram a Bela Vista no Maps com inúmeras avenidas de nomes como Lemos, da minha família; Gu e Dennis, meus primos; Tigre, da família que se apelidou com esse nome; e Cemitério, pois lá tem muitos acidentes huahuahua). Então ela ofereceu como solução esperarmos em um hotel com tudo pago pela Gol e a companhia entregaria a mala lá, caso ela estivesse em Cumbica. Aceitamos as condições e aguardamos a van que nos levaria.

Pergunto para o segurança que nos ajudou logo após a constatação do desaparecimento da mala, se seria possível levarem a mala propositalmente e se havia câmeras de segurança no desembarque. Tinha feito uma pergunta parecida à Karine e ela disse que não tinha como alguém ter pego a mala por engano, pois se não sobraria alguma bagagem e isso não ocorreu. Argumento válido se todo mundo pegasse sua mala, mas alguém muito bem pode pegar sem o real dono notar e era nisso que pensava, se no momento que eu fiz a troca da minha mala, minha mãe não viu e alguém apanhou a mala verde. O segurança afirmou que há "espíritos de porco" e que sim, era possível alguém levar a mala. Citou até um exemplo recente de uma mãe que pegou a mala de uma noiva por engano e a devolveu muitas horas depois. 

Ter mala extraviada é "normal". Enquanto esperávamos Marcelo retornar, três dos oito passageiros em busca do voo perdido também tiveram malas extraviadas e disseram que elas foram recuperadas. O cidadão que tem a mala igual a minha abordou dona Iu (é o meu apelido para minha mãe e uma ótima substituição de pronome) no saguão do aeroporto dizendo que isso aconteceu com ele certa vez e a empresa aérea foi entregar a mala na casa dele em Belo Campo. Mas Belo Campo existe, por mais que o nome da cidade não apareça no Google Maps huahuahua. 

"Mala igual" kkk disse ainda que se caso a Gol perdesse a bagagem pagaria uma multa no valor de R$ 3500. Cê acha que para minha mãe tinha preço uma mala com incontáveis limões? Huahuahua. Claro que não. E é não é que vi o "Mala igual" em Belo Campo dias depois? Pensei em abordá-lo e dizer que minha mãe "perdeu" R$ 3500, mas deixei passar hehe.

Dona Iu, mesmo após estar mais "calma" pelos remédios tomados, ainda estava inquieta, duvidando que a mala apareceria e que sequer sairíamos do aeroporto para o hotel. Ao mesmo tempo meu tio Zé fez a parte dele e chegou para nos buscar. Por estarmos ao lado de dentro do saguão ele não nos viu, houve um pequeno desencontro e minha mãe me encarregou de achar meu tio. Enquanto isso o pau comeu entre os funcionários da Gol, os oito passageiros e guardas das polícias civil e militar que surgiram para separar a briga. Eu infelizmente não vi nada disso, já que estava caçando meu tio ao lado de fora do saguão. 

Após passar um tempo na fina neblina conquistense, avistei meu tio ao longe, que tinha parado o carro distante do estacionamento para não pagá-lo. No breve encontro expliquei rapidamente que não voltaríamos com ele pois a mala resolveu ficar em São Paulo e pegaria um voo mais tarde, caso lá ela estivesse. Ao mesmo tempo a van dos funcionários da Gol também chegou e Karine conversava com a minha mãe ao lado de fora dissertando a tese do extravio da mala que eu já tinha concluído depois de colocar as ideias no lugar. 

Explico. Lá no início da viagem as malas foram embarcadas APÓS eu perceber o equívoco da Jéssica com os nomes. Logo as bagagens estavam com as etiquetas de Maria Silva e Geová Silva. Se o Geová Silva não embarcou, não estava presente no avião para responder a lista de ausentes, para que a mala deveria viajar? Com isso mais um erro foi elucidado. Minha mala não foi extraviada por mais uma desatenção da Jéssica, que colocou a etiqueta da bagagem da minha mãe na minha mala. Uma mala de 11kg com uma etiqueta de 19kg e vice-versa. Bom, menos mal que a mala estava em segurança e reencontraria a dona.

Houve um pequeno impasse do que seria feito até a mala chegar. Tio Zé disse que a estrada estava ruim. Sim, chovia naqueles dias e um dia antes de chegarmos caiu um bom pé d'água, e irmão, lá é roça tio, não é asfalto bonitinho ou piso de pedra, é terrão mesmo, em que a lama canta no The Voice dos pneus. Feita essa pontuação, ele preferia que fôssemos ao sítio e 17:00 estivéssemos no aeroporto, horário previsto da chegada da mala. "Mas e se não der para voltar?" minha mãe hesitou. Melhor ir para o hotel. Karine pediu então para meu tio esperar na cidade enquanto a mala não chegava. Meu tio respondeu que não, que tinha que voltar para comer umbu (uma fruta típica da região, prima distante do kiwi) hahaha. 

Não satisfeita, neste momento minha mãe sacou o bolinho que não comeu da bolsa e deu para meu tio para ele ficar deboas HAHAHA. Minha mãe encerra as discussões dando comida para as pessoas kkkk. Pegamos a van junto com os funcionários da Gol para o hotel, meu tio pegou o bolinho e voltou para a roça (em casa minha vó confiscou o bolinho e não deixou ninguém relar a não ser ela. Infelizmente no momento ela ingere mais açúcar do que toma água).

Durante o trajeto da van para o hotel ouvirmos as queixas e as ironias dos funcionários da Bola na Trave sobre o ocorrido com os oito passageiros. Os oito embarcariam em um voo internacional e neste caso o check-in se encerra no mínimo com 30 minutos antes do avião decolar, não como os nacionais que se o avião estiver com a turbina a todo combustível ainda dá para embarcar haha. Eles chegaram após os 30 minutos e aí game over para todos. Chegamos no hotel Shalako, nome de cantor árabe de pouco sucesso ou de algum chocolate em Israel kkk. Enfim, esquecemos a falta de uma boa noite de sono e fomos eu e minha mãe "matar ou morrer" no café da manhã. Comemos o suficiente para suportar uma caminhada no deserto por 30 dias, porque 40 apenas Geová, quer dizer, Jesus. 

O "estoque de energia" tinha um motivo, como não achávamos que o almoço não estaria na nossa conta, na da Gol na verdade, locupletamos a ponto de não precisar ter que almoçar. Tristeza definiu o sentimento meu e da minha mãe quando soubemos que tínhamos 40 conto cada para gastar com almoço que a Gol pagava. Não queria ver comida na minha frente e ainda teria que almoçar, porque eu não tinha escolha de não almoçar, é na faixa irmão, só vai.

Por volta das 9:00 estávamos no quarto e nos restava esperar. Minha mãe seguia inquieta, porém bem menos nervosa, acalmada pelas minhas palhaçadas. E eu estava mais paciente que tartaruga esperando para atravessar o cruzamento da avenida Paulista com a rua da Consolação. Como a fome foi embora, decidi esperá-la até às 14:00 para almoçar. Meio-dia dona Iu já pedia comida, mas como não queria comer sozinha, me esperou muito contrariada. Próximo ao horário que estabeleci a completa revelia da minha mãe, o almoço foi servido e Geová definitivamente ficou para trás no deserto. 

Num momento de abstinência da mala, minha mãe quis conferir se guardou as sementes de melancia na bolsa de mão. Até aí, nada demais. A questão é onde ela guardou. Junto com os remédios naquela espécie de "separador de comprimidos". "Ainda bem que na hora do nervoso tomei os remédios certos e não a sementes de melancia" ponderou minha mãe. Mano, HUAHUAHUA. Só comédia. Porém a história perderia a graça.

Nos acomete a boa ideia de voltarmos ao aeroporto ao invés de esperar a mala no hotel. Só que não tinha como avisar ninguém da Gol. Não havia nenhum telefone de contato no formulário de recuperação de bagagem e nem passou pela nossa cabeça pegar o telefone da Karine ou do Marcelo. Pesquiso na internet e nada de concreto. Fui a recepção e o Buzz Lightyear (nome fictício, foi só para dar uma quebrada no texto mesmo hehe) também não encontrou nenhum telefone que nos atenda, mas tinha algo a oferecer. Mariana, amiga dele, trabalha na Gol e poderia nos ajudar na questão. 

Volto ao quarto e aguardo. Enquanto isso, por um site que acompanha vôos no mundo em tempo real (muito útil por sinal), relato a minha mãe que a mala desceu em solo baiano antes das 16:45. Pouco após, Buzz nos informou que a Mariana já sabia do caso e que ela própria nos entregaria a mala, que chegou em segurança. Ela mora no hotel e por isso faria a diligência kkk. Euforia Brasil, e eu e minha mãe até nos abraçamos. O fim estava próximo. Ou não.

Imaginamos que um carro viria expressamente nos entregar a mala e vislumbrávamos até uma carona para encontrarmos nosso tio em frente a rodoviária da cidade e de lá seguirmos viagem. Meu tio Zé, que teve o bolinho surrupiado pela própria sogra, retornou para nos resgatar pela segunda vez, agora acompanhada da esposa, irmã da minha mãe, minha tia, mãe dos meus primos, filha da minha vó.... 

Pedimos para ambos não irem até o hotel, justamente porque seria rápido este processo de vinda da mala e nosso retorno. Como nós estávamos mais distantes do que eles e obrigatoriamente passaríamos pela rodoviária para voltar para casa (a cidade é cortada pela BR-116, principal via para qualquer lugar, inclusive para a roça) melhor nos esperarem lá.

17:30 nada. 18:00 idem. Houve uma troca de funcionários, saiu o Buzz e seu parceiro Woody (haha fictício também) para a entrada de Lilo e Stitch huahuahua. Disney/Pixar em peso no hotel. Já tínhamos encerrado a estadia crentes que a bagagem estava próxima e tivemos que esperar na recepção. Minha mãe questionou Lilo pela demora e ela nos explicou que provavelmente a mala estava vindo na van dos funcionários, a mesma que nos trouxe. Nesse momento o humor da minha mãe, que já não estava bom, foi da água para o vinho e nem Geová, ou melhor, Jesus seria capaz de reverter. A Mariana não respondia mais o WhatsApp e a paciência da minha mãe estava no nível do pré-sal. Saio à garagem, ligo para a Gol (call center) e espero em vão. Uma perca de tempo já sabida antes de discar o número, mas era melhor do que ficar dentro da recepção, olhando minha mãe definhar de raiva e nervoso.

18:30 mais nada e 19:00 mais idem. Aí amigo, se riscasse um fósforo perto da minha mãe pegava fogo. Para completar, Lilo acrescentou a sutil informação de que a van deixaria cada funcionário em sua casa e que o destino final seria o hotel. Mermão, tu não fala uma coisa dessas para alguém impaciente. Minha mãe tratou de ligar para todo mundo que podia e contar o completo descaso da Gol. Eu, obrigado pela minha mãe, peço o telefone da Mariana à Stitch, mas vejo que o WhatsApp Web está aberto na conversa dela e eu mesmo salvo o número no celular. Folgado? Talvez, mas não vi nada demais a vista do que estava acontecendo conosco. Todavia a minha atitude rendeu uma senhora bronca da Lilo em Stitch hahaha. Malz cara. Eu ligava e não atendia, outra hora sequer chamava. Onde está a mala? Mariana deveria estar vindo do aeroporto a pé com ela, já que tinha rodinhas kkk.

19:30 e minha mãe ameaçava chamar a polícia HAHA. Meu pai me enviou uma mensagem perguntando como tinha sido a recepção na casa da minha vó e eu nem tinha condições de responder. 19:45, aproximadamente três horas após a mala estar na cidade, ela reencontrou a dona, mas isso ficou em segundo plano. Quando a van chegou no hotel disse apenas para a minha mãe não bater em ninguém huahuahua. Mariana, que tinha um sorriso no rosto, imaginando a felicidade da passageira ao rever sua bagagem recuperada, teve o semblante mudado de súbito pela agressividade da minha mãe que cobrava tudo e mais um pouco dela e da empresa na qual ela tinha a infelicidade de trabalhar naquele momento. 

Para piorar, Mariana disse que não poderia nos levar até a rodoviária e que a van faria outro trabalho, não mais para a Gol. O motorista da van vendo que a cobra já estava fumando charuto, tratou de dizer que já estava atrasado e saiu do hotel o mais rápido que pode. Minha mãe desabou em choro e não respondia mais nada. Eu assumi o restante das tratativas, sem nenhum clima no hotel e entre as pessoas envolvidas. Assinei um papel, mais amassado que jornal de feira, confirmando a devolução da mala e Mariana sugeriu que pedíssemos um Uber até a rodoviária, registrássemos o ocorrido à Bola na Trave que eles me fariam o ressarcimento do valor da corrida. Minha mãe ficou indignada com essa solução, mas era a menos pior de ruim depois de tudo que ocorreu. 

O carro chegou e minha mãe não se despediu de ninguém, algo raríssimo. Eu não me recordo de uma outra vez em toda a minha vida, ela sempre se despede, até de caixa eletrônico kkk. Eu apenas falei com Stitch, e pensei em pedir desculpas pela bronca, mas acredito que ele aprendeu e ninguém teve culpa de nada, ele só quis me ajudar. Durante o trajeto o motorista do Uber falou que o aeroporto tem mais reclamações que operadora de telefonia e que o "bom" atendimento é padrão. Mais lenha para minha mãe queimar a Gol com todo mundo que ela conhece haha. 

Na troca dos carros, ver minha mãe abraçar minha tia Naide aos risos foi um alento deste dia que começou alegre pela viagem e terminava pesaroso com tamanho estresse passado. Quase que totalmente pela minha mãe diga-se. Eu tive momentos bem ruins, como a confirmação da ausência da mala e a entrega da mesma no hotel, mas ainda assim não perdi as estribeiras com nada. Ainda bem. Um pavio curto ao lado da minha mãe e era capaz de interceptarem o avião ainda no ar para pegar a mala HAHA.

Secretamente torci para que a estrada tivesse um atoleiro e que o carro não passasse para a história ficar ainda melhor huahuahua. Sádico? Talvez, mas nem ligo, o importante é o teor do conto haha. Porém, para a felicidade de todos, a estrada mesmo ruim ainda nos deixou passar e à chegada ao sítio foi uma mistura de alívio, reclamações e deboche, como o da minha outra tia, a Glória, no dia seguinte, que a primeira coisa que disse quando nos viu foi "quem mandou viajar de avião?" hahaha. Minha mãe no auge do drama contava para quem quisesse ouvir que "em 31 anos viajando de ônibus isso nunca tinha acontecido (perca de malas)". Engraçado que nessas horas tudo o que é ruim fica bom, como os mais de 70 dias somados na estrada que ela viveu nessas viagens.

Não pedi ressarcimento à Gol. O custo do Uber não fará falta se pensar no desgaste que seria recuperar esse dinheiro. Eu retornei para São Paulo antes da minha mãe (eu voltei dia 16/01 e ela voltará dia 03/02) e a viagem não teve problemas. Minha mala foi despachada pelo excesso de passageiros e quem estava lá para auxiliar neste processo? Mariana, a assustada hahaha. Acho que ela não me viu e não lembrou quem eu era quando leu meu nome no localizador para trocar minha passagem e poltrona dentro do avião. Talvez se fosse Geová...

Na capital paulista, um passageiro pegou a minha mala antes que eu, mas notou que não era a dele e a devolveu para a esteira. Acho que se eu colocar neon verde irá diferenciar a minha mala de uma vez por todas kkk. Decidi postar a história antes da minha mãe voltar para não perder o fio, já que ela foi bastante tricotada diga-se haha. Todavia se dessa vez a mala ficar na Bahia, é capaz de a minha mãe ir em definitivo para lá e nunca mais voltar à São Paulo. Se tiver uma Maria Silva entre os passageiros então, voltará voando para o sítio kkk. Que Geová nos proteja e entre no avião da próxima vez haha.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Super campeão




Olívio Asabust Hirako, conhecido apenas como Olívio, é um jogador de nível internacional e que joga atualmente no Real Madrid C.F. Brasileiro, formou sua carreira diferentemente dos nativos do país, que percorrem o “caminho da bola” jogando na base de clubes nacionais, galgando até chegar ao time principal. O “inusitado” na história de Olívio é que além de não ter feito base, ou seja, jogado em algum clube nas categorias inferiores até os 19 anos, ele estreou no futebol jogando em nível profissional. Detalhe, no Kashima Antlers do Japão.

O paulistano do bairro da Liberdade e descendente de japoneses, Olívio desde pequeno se destacava na escola e nos torneios de futsal que jogava. Por ter um estilo de “camisa 10” e um chute com muito efeito, ganhou o apelido de Tsubasa, em referência ao anime japonês “Super Campeões” que fez muito sucesso no Brasil na década passada. Até o cabelo e o porte físico eram parecidos com o personagem. No entanto as semelhanças não param por aí.

Olívio chegou a fazer testes no São Paulo F.C aos 12 anos, tal como Tsubasa no seriado. Porém, mesmo fazendo gols e atuando onde queria no campo, foi reprovado e isto o abalou de tal maneira que não quis mais realizar testes em outros clubes. Já quando fazia muito sucesso no Kashima Antlers, um dos técnicos da base tricolor disse que ele foi reprovado em detrimento a um jogador de empresários, ironicamente, japoneses.

Firme em sua decisão de não ser jogador profissional, seguiu sua vida até que aos 18 anos recebeu uma proposta de um tio para ajudá-lo em uma lanchonete no Japão. Sem ter algo melhor em vista no Brasil, rumou à terra dos samurais em busca de viver o sonho de fazer mangás, sua outra paixão.

Em terras nipônicas, Olívio jogava regularmente em um parque local em Hamamatsu e já despertava o interesse dos frequentadores. A fama sobre seu futebol foi tamanha, tendo inclusive um canal popular no YouTube com seus lances, que um olheiro o convidou para participar de uma partida comemorativa na Semana do Ipê, em que são arrecadados fundos para a manutenção do Sakura Park (Parque do Ipê) em Osaka, mais de 250km de sua casa.

Mesmo contando com ex-jogadores profissionais, Olívio roubou a cena, marcou cinco gols e deu três assistências, além de distribuir canetas e chapéus. Ele não voltou mais para a casa do tio e nem para o seu caderno de mangás. Na semana seguinte faz um teste no Kashima Antlers e foi aprovado para um período de testes. Que durou cinco dias. Espantados com o nível do jovem, os donos do clube propuseram um contrato profissional e não poderiam ter feito melhor escolha. Em duas temporadas no clube japonês, conquistou dois Campeonatos Nacionais, uma Copa Nacional, uma Liga dos Campeões Asiática e um Vice-Campeonato Mundial, perdendo para o Real Madrid na prorrogação.

O clube merengue já observava o “fenômeno” brasileiro em terras japonesas, porém depois da atuação de Olívio na final, firmou um contrato com o jogador já em dezembro por 37 milhões de euros, para se apresentar apenas em julho. “Uma loucura”, era isso que todos os periódicos esportivos europeus descreviam a negociação. Olívio tratou de desmentir todos, fazendo uma temporada de estreia espetacular, ganhando todos os títulos possíveis, sua primeira convocação para a seleção brasileira (após haver uma passeata nas ruas para que aceitasse defender a seleção nipônica) e o prêmio de melhor jogador jovem (até 23 anos) da temporada.

Agora se prepara para disputar a Copa do Mundo e a partida de estreia é justamente contra o Japão, país que proporcionou o seu sonho de jogador. Se alguém me contasse não iria acreditar.

Essa é uma história singela escrita em uma atividade na faculdade em 2016 e que foi resgatada em meio a arquivos antigos.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Boa sorte


Após 1 ano e meio, 18 meses ou exatos 574 dias volto a publicar algo neste espaço. Não parei de escrever, apenas direcionei minhas energias as inúmeras matérias que fiz para a Playball desde fevereiro do ano passado e que por hora ainda seguirei escrevendo para eles até perder a graça (literalmente). Há links na página inicial do blog (na versão completa fica ao lado direito de qualquer página, na versão mobile não) dos torneios que cobri a quem se interessar em ler o "jornalista" Mateus (porque aqui eu sou contador de histórias e escrevo comentários pertinentes, muito melhor ao meu ver), mas quem me acompanha (leia-se quem eu mando minhas matérias kkk) já sabe disso. Tá, para você não ter o trabalho de procurar os links, uma matéria que poderia ser um post desse blog haha.

Até a publicação deste conto eu sigo desempregado, já que o trabalho na Playball é freelance. Durante esse hiato no tempo e na história estive perto de ter um emprego uma vez apenas (e foi muito decepcionante, pois não se concretizou), e longe milhões de vezes, sem exagero. Todavia, de onde eu menos imaginava, descobri uma nova ocupação, que também é "avulsa", mas tem tudo para ser incrível e espero, duradoura. E a história do primeiro dia foi tão boa que me motivou a tirar a poeira deste esquecido espaço no qual estão registrados bons momentos da minha vida.

Em estreias sempre há alguma expectativa. No meu primeiro dia na Playball (o maior complexo de quadras de futebol society de São Paulo) tudo era motivo para euforia, parecia que eu estava no lugar certo e que era o trabalho que pedi a God. Depois não foi exatamente como eu imaginava, mas isso é outra história. O que importa é que na "nova" estreia eu queria me comportar bem. Queria que no meu debute pela Cassinera tivesse a mesma satisfação da Playball. Pera, o que é Cassinera? "A Cassinera monta um verdadeiro cassino no seu evento para divertir e entreter seus convidados. São autênticas mesas que deixam a festa com cara de Vegas e animam os convidados a noite inteira!". Assim está descrito no site da empresa. Bastante bom não é mesmo? Haha.

Do dia que contei a minha história da volta olímpica na Vila Belmiro no site da Cassinera (melhor história da vida) até eu comandar a mesa de Blackjack (21 para os íntimos em jogos de baralho) na festa do JP, não se passaram dois meses. De eu não fazer a menor ideia de festas temáticas de Cassino, até eu descobrir essa brilhante ideia no site Vagas Urgentes (um dos 72 sites de emprego que tenho salvo no chrome e que acesso todos ao menos uma vez por semana) no anúncio para a formação de novos crupiês. E de repente, estou na Las Vegas do Jardim Europa (não seria melhor Jardim América? Ou quem sabe America's Garden haha). Que viagem. Unbelievable. Amazing.

Me preparei o melhor que pude treinando sozinho em casa para não decepcionar os convidados e principalmente o gerente Antônio - que carinhosamente chamarei de Tony Talibã kkk - pois ele foi meu técnico/avaliador e tenho certeza que contribuiu para a minha estreia nos gramados, quer dizer, na mesa aveludada apenas 16 dias após o fim do treinamento.

Veja ao fundo: "Welcome the fabulous Las Vegas Nevada". Contra fatos não há argumentos, estou na cidade dos jogos! E em primeiro plano a minha mesa maravilhosa, palco de muita diversão naquela noite. Queria ter tirado uma foto com os convidados jogando, mas estava trabalhando, quer dizer, me divertindo kkk.

Sexta-feira, dia 28/06, o grande dia. Estava tranquilo como sempre e com alguma ansiedade claro. Não sou de ferro. JP sim, João Pedro Ferro, 15 anos, nome robusto, não quis a festa do Ironman, e sim do Gambit hehe. Rebecca - braço direito, esquerdo, pernas e o que precisar de André Schuartz, fundador e dono da Cassinera - havia me alertado do adiantamento do início das mesas em uma hora e que poderia estender o encerramento em mais uma hora. Desde já torcia para que isso ocorresse, não porque ganharia mais, porém para me divertir mais, já que esse é o nosso maior objetivo enquanto crupiês (controladores de jogo, também tem o nome de dealer, termo mais famoso no pôquer), entreter os convidados e nos divertirmos junto com eles. 

O evento teria início (para nós da Cassinera) às 19:00, no entanto tínhamos que estar presentes no local do evento em até no máximo 45 minutos antes de começar, ou 18:15. Eu, em um raro momento de precaução, cheguei 17:40 e fui o primeiro do time (com larga vantagem) a chegar à belíssima casa (ainda em reforma) do dono da festa. Mandei mensagem para Tony Talibã para dizer que estava "salvo" e observava o ambiente enquanto esperava o restante dos companheiros.

"O" gerente chegou acompanhado de César Augusto, outro crupiê. Nos cumprimentamos e Tony me apresentou a ele. Rapidamente o chefe da noite pediu para eu colocar a camisa que usaria emprestada. Por engano peguei a roupa da cigarrette (donzela que passeia pela festa distribuindo dinheiro fictício e doces, pelo menos foi isso que a Suelen fez enquanto pude prestar atenção no dia do evento kkk) para a alegria de César que sugeriu que eu a usasse. Não atendi seu pedido e peguei minha camisa preta, a correta.

Na casa tínhamos que usar o "banheiro dos funcionários" que fica um nível abaixo de onde rolava a festa. Lá entrei em uma provável suíte após terminar a reforma e me troquei. Enquanto colocava a calça social lembrei-me que seria melhor tirar a minha chave de casa do bolso da calça jeans e deixar em local fácil para que quando chegasse em casa pudesse abrir as portas facilmente. Deixei a chave em cima da mesa e fui dar os últimos ajustes no uniforme. Eu estava bem demais e nunca uma camisa preta com detalhe amarelo tinha caído tão bem em mim.

Slk, primeira vez que usei calça social e sapato na vida kkkk zuera. Meu, eu tô igual os traficantes latinos retratados nos filmes americanos com temática policial e/ou vingança haha. Ou o Don Omar antes de ser Amigo Fura Olho do Romeo Santos em Ella Y Yo HAHAHA. Percebam pelo pó na cadeira e na quantidade de coisas que "poluem" a imagem que a reforma é feroz kkkk. Registrem bem essa foto, há um detalhe nela importantíssimo para a história.

Voltei para a "superfície" e Tony organizava a reunião dos crupiês para falar sobre o evento. Lá ele me apresentou ao restante dos colegas que formaram o "time Cassinera" naquela noite: Érica, Izabella e Pavani, o Bruno kkk. Após a reunião converso com Érica. Ela me conta que está no time há três temporadas e que é formada em Obstetrícia. Ela pode ensinar a magia do gambling desde o feto. Interessante haha. Cinco minutos antes da abertura das mesas somos convidados a comer uns sanduíches oferecidos pelo bufê da festa. Faço a mesma piada do "Homens de Preto e mulheres Kill Bill" que fiz para a Rebecca quando ela me mostrou os uniformes da Cassinera por mensagem de WhatsApp. A reação a piada não foi como esperava, mas teve risos tímidos. Izabella me indicou comer somente as azeitonas pois ela gosta bastante. Recusei pois já tinha comido em um dos sanduíches, porém não deixou de ser curioso e a imaginei comendo uma compota de azeitonas e ignorando todo o restante de doces e salgados das festas hehe.

Ooohhh lê lê, Ooohhh lá lá, o Talibã vem aí, e o bicho vai pegar! HAHA. Tony, o melhor gerente que a Cassinera possui é o segundo em pé da esquerda para a direita, o único que não esboça um sorrisinho sequer kkkk. Os outros crupiês não são os que jogaram comigo no evento, mas fazem parte do elenco de mais de 60 que atuam regularmente. Aaahh vai, a piada MIB/Kill Bill foi boa hehe. 

Talibã diz que quem vai começar nas mesas tem que comer rápido. Eu como, mas Érica foi mais ágil que eu (talvez pela descendência nipônica kkk) e tomou uma das mesas de Blackjack. Aproveitei para ambientar-me à festa, que a partir daquele momento seria a "Las Vegas Brasileira". Em pouco tempo Érica rumou a mesa da Roleta e eu assumi minha posição. Tinha apenas duas jovens como "adversárias", porém muito atentas ao jogo. Conforme o tempo passou, mais jogadores se aproximaram e a "mão esquentou" para brincar.

O chefe do Talibã encostou na minha mesa e pediu para fazer uma rodada bônus. Cobrou a colaboração dos participantes fazendo desafios com as cartas e perguntando "quem quer dinheiro?" (MAAAAAOOOOOEEEEE HI HI a quem quiser saber a Cassinera tem uma "filial" no resort do Tio Silvio no Guarujá). Entendi naquele momento que Tony não estava ali apenas para supervisionar o evento, estava ali para "garantir" a diversão.

Sem perceber o relógio já marcava 20:30 e eu estava a milhão no show haha. Todavia Tony pediu para eu descansar um momento e depois substituir César na outra mesa de Blackjack (que além da "minha" mesa, tinha a Roleta e a mesa de Pôquer no Cassino do JP). Tomei água, fui ao banheiro e quando voltei toquei no ombro do Imperador Romano indicando que iria substituí-lo, tal como meu treinador ensinou (aahh se isso fosse entre 50 a.C. à 30 d.C. kkk). Mas Cesão "não entendeu" e seguiu o jogo. Pensei que era uma espécie de "teste" por ser o novato no primeiro evento e aguardo. Em seguida decido visitar a Roleta para assistir a mesa mais animada do Cassino, porém Talibã imediatamente pede para eu retornar a mesa de César e o retirar de lá (dê a César o que é de César HAHA). Assim foi feito e após isso revezei as mesas de Blackjack de tempos em tempos, intercalados com pausas para beliscar umas comidinhas gostosas.

Sobre a minha atuação na noite e a festa em si:

- Modéstia a parte eu fui bem, e olha que nem sou de me elogiar kkk. A ponderar, deixei cair todo o baralho no chão quando o mágico veio falar comigo (talvez fosse parte de um truque e eu não entendi hehe), erros de contagem com Às (pois ele é agente duplo, uma hora vale 11, outra vale 1, mas na verdade não vale nada haha brincadeira) e de fichas já no final do evento porque os meus Tico e Teco estavam cansados hehe. Fora que toda vez que Talibã se aproximava de mim, meus movimentos perdiam a naturalidade e até embaralhar ficava difícil kkk.

- A cada acerto meu me soltava mais e os participantes interagiam comigo, me deixando mais relaxado. As duas meninas lá do início nos primeiros jogos paravam de jogar quando eu saía da mesa e voltavam quando eu retornava. Disseram que não conheciam ninguém, nem mesmo o aniversariante JP, apenas o pessoal da banda que tocou no evento. Perguntei se elas estavam gostando da festa e elas responderam que sim, que a mesa onde eu estava era a melhor parte da festa, além de eu ser muito simpático. Ganhei a noite. Além delas me chamou atenção outra menina que era IDÊNTICA a atriz Jordana Brewster, ou a Mia Toretto da franquia Velozes e Furiosos. Me ressenti por não lembrar disso durante a festa para dizê-la.

- Como banca não deixei a desejar, decretei falência a alguns jogadores, mas também fiz alegria distribuindo fichas quando estourava e em um certo jogo dei três Blackjacks (a "jogada perfeita", única forma de o jogador somar 21 com apenas duas cartas, um Às mais alguma carta que vale 10, no caso o próprio 10, dama, valete ou rei, é tão raro que a banca tem que pagar dobrado e na hora). Ficou de aprendizado treinar mais o movimento das cartas, prestar atenção no pagamento das apostas e ter uma DR com o Às. Ver os jovens dançando Macarena e Pintinho Amarelinho foi um dos melhores momentos da noite.

O que eu queria aconteceu. Ficamos uma hora a mais que o combinado e estava felizão. Terminado o evento, Talibã fez a soma das notas (ou Cassineras que valem mais que barra de ouro hi hi) para saber quais foram os milionários da noite. Enquanto isso, era hora de naipar o baralho (organizar cada um dos quatro naipes do 2 ao Às em sequência crescente). Izabella pergunta se eu sei o que é isso e respondo que sim, confiante. Porém ela me "humilhou" na separação das cartas, fazendo o mesmo trampo que eu em menos da metade do tempo kkk. Fechada a minha mesa, faço a contagem das fichas (que Izabella já tinha organizado enquanto eu ainda separava cartas) e repasso de vista os baralhos. Izabella me avisa que faltou apenas um Às de Copas (viu, tenho que ter uma DR haha). Ajudei o Imperador na outra mesa de Blackjack e por fim voltei a minha mesa para dar "baixa" e registrar o Às foragido.

Muito bem, muito bom, mas é hora de dar tchau. Izabella pergunta onde eu moro e digo que é nas Perdizes. Ela responde que não tinha ninguém para acompanhá-la para casa. Pergunto onde ela mora. "Franco da Rocha. Vou esperar os trens voltarem a operar" (era mais de 0:30 naquele momento). Realmente um pouco distante de Las Vegas, de São Paulo, enfim, da vida habitável kkk zuera. Faço a Érica a mesma pergunta e ela mora um pouco mais perto, em Santo Amaro. Pelo menos é na mesma cidade do evento hehe. Nos despedimos dos pais do aniversariante, eu dou um forte abraço em um dos melhores jogadores da noite e ele me diz que eu fui um dos caras que mais deu sorte a ele. Sorte a minha por ter sido crupiê daquela festa e sorte a nossa e de todos da festa pela Cassinera existir (nem tô querendo ser chamado novamente para outro evento o quanto antes, magina haha).

Já ao lado de fora, Tony agradeceu a todos, me parabenizou pela minha atuação, reforçou que eu fui muito bem e que o ato de "dar as cartas" rápida e corretamente virá com o tempo. Devolvi a camisa da Cassinera a ele e nos despedimos. Ainda arrumando a minha mochila ao lado de fora, o segurança da festa me pergunta se não estou esquecendo nada, respondo que não e sigo meu caminho.

Chegando em casa após pegar um Uber que deu 20 conto, abro o bolso do mochila para pegar a chave. Ela não estava lá. Ela ficou em cima da mesa da sala onde me troquei. Eu ainda procurei na mochila e nos meus bolsos apenas para cumprir tabela. Pensei em voltar para a casa do JP, mas daria uns 45 conto ida e volta, quase metade do que ganhei na noite. Não dava. Me resignei e liguei para minha mãe me resgatar. Tadinha, estava no último sono e teve que abrir porta para marmanjo que esqueceu a chave de casa no evento que trabalhou hahaha.

"Boa sorte" foi o que Talibã me respondeu após saber que eu estava em frente a casa que foi Las Vegas dez horas atrás. Tocava a campainha e ninguém atendia. Mas Tony deu um alento ao dizer que as mesas da Cassinera só seriam retiradas às 8:00 da manhã de segunda. Calculei que ficar esperando lá seria perca de tempo e voltei para casa.

Às 7:40 da manhã na feira posterior a primeira (que nem existe kkk) estava novamente em frente a casa do JP, porém dessa vez portas abertas e nem precisei de campainha, que desconfio não funcionar kkk. Me apresentei a um dos trabalhadores da reforma, contei a minha história e ele liberou o meu acesso. Na antessala onde estava a minha chave o restante dos trabalhadores conversavam antes de iniciar as atividades do dia. Entrei falando o motivo da minha visita sem dar tempo de eles me entenderem. Meu chaveiro tem meu nome (presente de uma pessoa boa), mas aposto que se alguém o tivesse visto ninguém faria a menor ideia de quem era. Saio da sala e percebo um certo estranhamento com a minha visita. Deveriam estar pensando "como é que ele esqueceu a chave de casa aqui na sexta e veio pegar hoje?". Pois é, não tem muito o que dizer a respeito haha. Antes de ir embora peço para avisarem ao pessoal da Cassinera (na verdade ao Tony) que ainda não tinham chegado que eu recuperei a minha chave.

Aposto que você percebeu o "detalhe importantíssimo" já da primeira vez né, nem precisava ter tido o trabalho de dar zoom HUAHUA. A chave estava exatamente como está na foto quando a recuperei, embaixo da etiqueta de preço da calça social que tirei apenas no dia do evento, dois dias após ter comprado kkk. 

Fiz o percurso Perdizes/Jardim Europa ida e volta a pé, mais de 11km segundo o Maps, porque gastar mais R$ 4,30 por esquecer uma chave estava fora de cogitação. Vantagem de quem mora em Franco da Rocha. Não, pera HAHA. Será que Izabella já chegou? Kkk. Mandei uma mensagem para Talibã avisando o sucesso da operação, imaginando apenas ser uma confirmação. O gerente me respondeu que tinha procurado a chave e não havia encontrado. Ou seja, ele não foi avisado, mas ainda se lembrou e procurou. Um grande homem, que gosta de balas e fez/faz tudo que você imaginar na vida, o Forrest Gump do carteado.

E esse foi o meu primeiro evento. Que começou na sexta a tarde e terminou na manhã de segunda (já posso encarar um torneio de pôquer numa boa kkk). Espero que seja o primeiro de muitos e que eu conheça inúmeras "Las Vegas" que existem aqui no país graças à Cassinera até eu visitar a "original" na terra do Tio Sam (ou a do Tio Silvio que está mais perto haha). Talvez quando este dia chegar eu tenha diminuído a diferença de tempo em naipar o baralho frente a Izabella (provavelmente não kkk). Ah, Iza chegou bem, apenas na segunda e depois de eu ter recuperado a minha chave HUAHUA.