Após 1 ano e meio, 18 meses ou exatos 574 dias volto a publicar algo neste espaço. Não parei de escrever, apenas direcionei minhas energias as inúmeras matérias que fiz para a Playball desde fevereiro do ano passado e que por hora ainda seguirei escrevendo para eles até perder a graça (literalmente). Há links na página inicial do blog (na versão completa fica ao lado direito de qualquer página, na versão mobile não) dos torneios que cobri a quem se interessar em ler o "jornalista" Mateus (porque aqui eu sou contador de histórias e escrevo comentários pertinentes, muito melhor ao meu ver), mas quem me acompanha (leia-se quem eu mando minhas matérias kkk) já sabe disso. Tá, para você não ter o trabalho de procurar os links, uma matéria que poderia ser um post desse blog haha.
Até a publicação deste conto eu sigo desempregado, já que o trabalho na Playball é freelance. Durante esse hiato no tempo e na história estive perto de ter um emprego uma vez apenas (e foi muito decepcionante, pois não se concretizou), e longe milhões de vezes, sem exagero. Todavia, de onde eu menos imaginava, descobri uma nova ocupação, que também é "avulsa", mas tem tudo para ser incrível e espero, duradoura. E a história do primeiro dia foi tão boa que me motivou a tirar a poeira deste esquecido espaço no qual estão registrados bons momentos da minha vida.
Em estreias sempre há alguma expectativa. No meu primeiro
dia na Playball (o maior complexo de quadras de futebol society de São Paulo)
tudo era motivo para euforia, parecia que eu estava no lugar certo e que era o
trabalho que pedi a God. Depois não foi exatamente como eu imaginava, mas isso
é outra história. O que importa é que na "nova" estreia eu queria me
comportar bem. Queria que no meu debute pela Cassinera tivesse a mesma
satisfação da Playball. Pera, o que é Cassinera? "A Cassinera monta um
verdadeiro cassino no seu evento para divertir e entreter seus convidados. São
autênticas mesas que deixam a festa com cara de Vegas e animam os convidados
a noite inteira!". Assim está descrito no site da empresa. Bastante bom
não é mesmo? Haha.
Do dia que contei a minha história da volta olímpica na Vila Belmiro no site da Cassinera (melhor história da vida) até eu comandar a mesa
de Blackjack (21 para os íntimos em jogos de baralho) na festa do JP, não se
passaram dois meses. De eu não fazer a menor ideia de festas temáticas de
Cassino, até eu descobrir essa brilhante ideia no site Vagas Urgentes (um dos 72 sites de emprego que tenho salvo no chrome e que acesso todos ao menos uma vez por semana) no anúncio para a formação de novos crupiês. E de repente, estou na Las Vegas do Jardim Europa (não seria melhor
Jardim América? Ou quem sabe America's Garden haha). Que viagem. Unbelievable.
Amazing.
Me preparei o melhor que pude treinando sozinho em casa para
não decepcionar os convidados e principalmente o gerente Antônio - que
carinhosamente chamarei de Tony Talibã kkk - pois ele foi meu técnico/avaliador
e tenho certeza que contribuiu para a minha estreia nos gramados, quer dizer,
na mesa aveludada apenas 16 dias após o fim do treinamento.
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| Veja ao fundo: "Welcome the fabulous Las Vegas Nevada". Contra fatos não há argumentos, estou na cidade dos jogos! E em primeiro plano a minha mesa maravilhosa, palco de muita diversão naquela noite. Queria ter tirado uma foto com os convidados jogando, mas estava trabalhando, quer dizer, me divertindo kkk. |
Sexta-feira, dia 28/06, o grande dia. Estava tranquilo como
sempre e com alguma ansiedade claro. Não sou de ferro. JP sim, João Pedro
Ferro, 15 anos, nome robusto, não quis a festa do Ironman, e sim do Gambit hehe. Rebecca - braço direito, esquerdo, pernas e o que precisar de André Schuartz, fundador e
dono da Cassinera - havia me alertado do adiantamento do início das mesas em uma
hora e que poderia estender o encerramento em mais uma hora. Desde já torcia
para que isso ocorresse, não porque ganharia mais, porém para me divertir mais,
já que esse é o nosso maior objetivo enquanto crupiês (controladores de jogo,
também tem o nome de dealer, termo mais famoso no pôquer), entreter os convidados e nos divertirmos junto
com eles.
O evento teria início (para nós da Cassinera) às 19:00, no
entanto tínhamos que estar presentes no local do evento em até no máximo 45 minutos antes de começar, ou 18:15. Eu, em um raro momento de precaução, cheguei 17:40
e fui o primeiro do time (com larga vantagem) a chegar à belíssima casa (ainda
em reforma) do dono da festa. Mandei mensagem para Tony Talibã para dizer que
estava "salvo" e observava o ambiente enquanto esperava o restante
dos companheiros.
"O" gerente chegou acompanhado de César Augusto,
outro crupiê. Nos cumprimentamos e Tony me apresentou a ele. Rapidamente o
chefe da noite pediu para eu colocar a camisa que usaria emprestada. Por
engano peguei a roupa da cigarrette (donzela que passeia pela festa
distribuindo dinheiro fictício e doces, pelo menos foi isso que a Suelen fez
enquanto pude prestar atenção no dia do evento kkk) para a alegria de César que
sugeriu que eu a usasse. Não atendi seu pedido e peguei minha
camisa preta, a correta.
Na casa tínhamos que usar o "banheiro dos
funcionários" que fica um nível abaixo de onde rolava a festa. Lá entrei
em uma provável suíte após terminar a reforma e me troquei. Enquanto colocava a
calça social lembrei-me que seria melhor tirar a minha chave de casa do bolso
da calça jeans e deixar em local fácil para que quando chegasse em casa pudesse
abrir as portas facilmente. Deixei a chave em cima da mesa e fui dar os últimos
ajustes no uniforme. Eu estava bem demais e nunca uma camisa preta com detalhe
amarelo tinha caído tão bem em mim.
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| Slk, primeira vez que usei calça social e sapato na vida kkkk zuera. Meu, eu tô igual os traficantes latinos retratados nos filmes americanos com temática policial e/ou vingança haha. Ou o Don Omar antes de ser Amigo Fura Olho do Romeo Santos em Ella Y Yo HAHAHA. Percebam pelo pó na cadeira e na quantidade de coisas que "poluem" a imagem que a reforma é feroz kkkk. Registrem bem essa foto, há um detalhe nela importantíssimo para a história. |
Voltei para a "superfície" e Tony organizava a
reunião dos crupiês para falar sobre o evento. Lá ele me apresentou ao restante
dos colegas que formaram o "time Cassinera" naquela noite: Érica,
Izabella e Pavani, o Bruno kkk. Após a reunião converso com Érica. Ela me conta
que está no time há três temporadas e que é formada em Obstetrícia. Ela pode
ensinar a magia do gambling desde o feto. Interessante haha. Cinco minutos antes
da abertura das mesas somos convidados a comer uns sanduíches oferecidos pelo
bufê da festa. Faço a mesma piada do "Homens de Preto e mulheres Kill
Bill" que fiz para a Rebecca quando ela me mostrou os uniformes da
Cassinera por mensagem de WhatsApp. A reação a piada não foi como esperava, mas
teve risos tímidos. Izabella me indicou comer somente as azeitonas pois ela
gosta bastante. Recusei pois já tinha comido em um dos sanduíches, porém não
deixou de ser curioso e a imaginei comendo uma compota de azeitonas e ignorando todo o restante de doces e salgados das festas hehe.
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| Ooohhh lê lê, Ooohhh lá lá, o Talibã vem aí, e o bicho vai pegar! HAHA. Tony, o melhor gerente que a Cassinera possui é o segundo em pé da esquerda para a direita, o único que não esboça um sorrisinho sequer kkkk. Os outros crupiês não são os que jogaram comigo no evento, mas fazem parte do elenco de mais de 60 que atuam regularmente. Aaahh vai, a piada MIB/Kill Bill foi boa hehe. |
Talibã diz que quem vai começar nas mesas tem que comer
rápido. Eu como, mas Érica foi mais ágil que eu (talvez pela descendência
nipônica kkk) e tomou uma das mesas de Blackjack. Aproveitei para ambientar-me à festa, que a partir daquele momento seria a "Las Vegas Brasileira".
Em pouco tempo Érica rumou a mesa da Roleta e eu assumi minha posição. Tinha apenas duas jovens como "adversárias", porém muito atentas ao jogo.
Conforme o tempo passou, mais jogadores se aproximaram e a "mão
esquentou" para brincar.
O chefe do Talibã encostou na minha mesa e pediu para fazer uma rodada bônus. Cobrou
a colaboração dos participantes fazendo desafios com as cartas e perguntando "quem quer dinheiro?"
(MAAAAAOOOOOEEEEE HI HI a quem quiser saber a Cassinera tem uma
"filial" no resort do Tio Silvio no Guarujá). Entendi naquele momento que Tony não estava ali apenas para
supervisionar o evento, estava ali para "garantir" a diversão.
Sem perceber o relógio já marcava 20:30 e eu estava a milhão
no show haha. Todavia Tony pediu para eu descansar um momento e depois
substituir César na outra mesa de Blackjack (que além da "minha"
mesa, tinha a Roleta e a mesa de Pôquer no Cassino do JP). Tomei água, fui ao
banheiro e quando voltei toquei no ombro do Imperador Romano indicando que iria
substituí-lo, tal como meu treinador ensinou (aahh se isso fosse entre 50 a.C.
à 30 d.C. kkk). Mas Cesão "não entendeu" e seguiu o jogo. Pensei que
era uma espécie de "teste" por ser o novato no primeiro evento e
aguardo. Em seguida decido visitar a Roleta para assistir a mesa mais animada
do Cassino, porém Talibã imediatamente pede para eu retornar a mesa de César e
o retirar de lá (dê a César o que é de César HAHA). Assim foi feito e após isso
revezei as mesas de Blackjack de tempos em tempos, intercalados com pausas
para beliscar umas comidinhas gostosas.
Sobre a minha atuação na noite e a festa em si:
- Modéstia a parte eu fui bem, e olha que nem sou de me
elogiar kkk. A ponderar, deixei cair todo o baralho no chão quando o mágico
veio falar comigo (talvez fosse parte de um truque e eu não entendi hehe),
erros de contagem com Às (pois ele é agente duplo, uma hora vale 11, outra vale
1, mas na verdade não vale nada haha brincadeira) e de fichas já no final do
evento porque os meus Tico e Teco estavam cansados hehe. Fora que toda vez
que Talibã se aproximava de mim, meus movimentos perdiam a naturalidade e até
embaralhar ficava difícil kkk.
- A cada acerto meu me soltava mais e os participantes
interagiam comigo, me deixando mais relaxado. As duas meninas lá do início nos
primeiros jogos paravam de jogar quando eu saía da mesa e voltavam
quando eu retornava. Disseram que não conheciam ninguém, nem mesmo o
aniversariante JP, apenas o pessoal da banda que tocou no evento. Perguntei se
elas estavam gostando da festa e elas responderam que sim, que a mesa onde eu estava
era a melhor parte da festa, além de eu ser muito simpático. Ganhei a noite. Além
delas me chamou atenção outra menina que era IDÊNTICA a atriz Jordana Brewster,
ou a Mia Toretto da franquia Velozes e Furiosos. Me ressenti por não lembrar
disso durante a festa para dizê-la.
- Como banca não deixei a desejar, decretei falência a
alguns jogadores, mas também fiz alegria distribuindo fichas quando estourava e
em um certo jogo dei três Blackjacks (a "jogada perfeita", única forma
de o jogador somar 21 com apenas duas cartas, um Às mais alguma carta que vale
10, no caso o próprio 10, dama, valete ou rei, é tão raro que a banca tem que
pagar dobrado e na hora). Ficou de aprendizado treinar mais o movimento das
cartas, prestar atenção no pagamento das apostas e ter uma DR com o Às. Ver os
jovens dançando Macarena e Pintinho Amarelinho foi um dos melhores momentos da
noite.
O que eu queria aconteceu. Ficamos uma hora a mais que o
combinado e estava felizão. Terminado o evento, Talibã fez a soma das notas (ou
Cassineras que valem mais que barra de ouro hi hi) para saber quais foram os
milionários da noite. Enquanto isso, era hora de naipar o baralho (organizar
cada um dos quatro naipes do 2 ao Às em sequência crescente). Izabella pergunta
se eu sei o que é isso e respondo que sim, confiante. Porém ela me
"humilhou" na separação das cartas, fazendo o mesmo trampo que eu em
menos da metade do tempo kkk. Fechada a minha mesa, faço a contagem das fichas
(que Izabella já tinha organizado enquanto eu ainda separava cartas) e repasso
de vista os baralhos. Izabella me avisa que faltou apenas um Às de Copas (viu,
tenho que ter uma DR haha). Ajudei o Imperador na outra mesa de Blackjack e por fim voltei a minha mesa para dar "baixa" e registrar o Às foragido.
Muito bem, muito bom, mas é hora de dar tchau. Izabella pergunta
onde eu moro e digo que é nas Perdizes. Ela responde que não tinha ninguém para
acompanhá-la para casa. Pergunto onde ela mora. "Franco da Rocha. Vou
esperar os trens voltarem a operar" (era mais de 0:30 naquele momento).
Realmente um pouco distante de Las Vegas, de São Paulo, enfim, da vida
habitável kkk zuera. Faço a Érica a mesma pergunta e ela mora um pouco mais
perto, em Santo Amaro. Pelo menos é na mesma cidade do evento hehe. Nos
despedimos dos pais do aniversariante, eu dou um forte abraço em um dos
melhores jogadores da noite e ele me diz que eu fui um dos caras que mais deu
sorte a ele. Sorte a minha por ter sido crupiê daquela festa e sorte a nossa e
de todos da festa pela Cassinera existir (nem tô querendo ser chamado novamente
para outro evento o quanto antes, magina haha).
Já ao lado de fora, Tony agradeceu a todos, me parabenizou
pela minha atuação, reforçou que eu fui muito bem e que o ato de "dar as
cartas" rápida e corretamente virá com o tempo. Devolvi a camisa da
Cassinera a ele e nos despedimos. Ainda arrumando a minha mochila ao lado de
fora, o segurança da festa me pergunta se não estou esquecendo nada, respondo
que não e sigo meu caminho.
Chegando em casa após pegar um Uber que deu 20 conto, abro o
bolso do mochila para pegar a chave. Ela não estava lá. Ela ficou em cima da
mesa da sala onde me troquei. Eu ainda procurei na mochila e nos meus bolsos
apenas para cumprir tabela. Pensei em voltar para a casa do JP, mas daria uns
45 conto ida e volta, quase metade do que ganhei na noite. Não dava. Me resignei e liguei para minha mãe me resgatar. Tadinha, estava no último sono e teve que
abrir porta para marmanjo que esqueceu a chave de casa no evento que trabalhou
hahaha.
"Boa sorte" foi o que Talibã me respondeu após
saber que eu estava em frente a casa que foi Las Vegas dez horas atrás. Tocava
a campainha e ninguém atendia. Mas Tony deu um alento ao dizer que as mesas da
Cassinera só seriam retiradas às 8:00 da manhã de segunda. Calculei que ficar
esperando lá seria perca de tempo e voltei para casa.
Às 7:40 da manhã na feira posterior a primeira (que nem existe kkk) estava novamente em frente a casa
do JP, porém dessa vez portas abertas e nem precisei de campainha, que
desconfio não funcionar kkk. Me apresentei a um dos trabalhadores da reforma,
contei a minha história e ele liberou o meu acesso. Na antessala onde estava a minha
chave o restante dos trabalhadores conversavam antes de iniciar as atividades
do dia. Entrei falando o motivo da minha visita sem dar tempo de eles me
entenderem. Meu chaveiro tem meu nome (presente de uma pessoa boa), mas aposto
que se alguém o tivesse visto ninguém faria a menor ideia de quem era. Saio da
sala e percebo um certo estranhamento com a minha visita. Deveriam estar
pensando "como é que ele esqueceu a chave de casa aqui na sexta e veio
pegar hoje?". Pois é, não tem muito o que dizer a respeito haha. Antes de
ir embora peço para avisarem ao pessoal da Cassinera (na verdade ao Tony) que
ainda não tinham chegado que eu recuperei a minha chave.
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| Aposto que você percebeu o "detalhe importantíssimo" já da primeira vez né, nem precisava ter tido o trabalho de dar zoom HUAHUA. A chave estava exatamente como está na foto quando a recuperei, embaixo da etiqueta de preço da calça social que tirei apenas no dia do evento, dois dias após ter comprado kkk. |
Fiz o percurso Perdizes/Jardim Europa ida e volta a pé, mais de 11km segundo o Maps, porque
gastar mais R$ 4,30 por esquecer uma chave estava fora de cogitação. Vantagem
de quem mora em Franco da Rocha. Não, pera HAHA. Será que Izabella já chegou?
Kkk. Mandei uma mensagem para Talibã avisando o sucesso da operação,
imaginando apenas ser uma confirmação. O gerente me respondeu que tinha
procurado a chave e não havia encontrado. Ou seja, ele não foi avisado, mas
ainda se lembrou e procurou. Um grande homem, que gosta de balas e fez/faz tudo
que você imaginar na vida, o Forrest Gump do carteado.
E esse foi o meu primeiro evento. Que começou na sexta a
tarde e terminou na manhã de segunda (já posso encarar um torneio de pôquer
numa boa kkk). Espero que seja o primeiro de muitos e que eu conheça inúmeras
"Las Vegas" que existem aqui no país graças à Cassinera até eu
visitar a "original" na terra do Tio Sam (ou a do Tio Silvio que está
mais perto haha). Talvez quando este dia chegar eu tenha diminuído a diferença
de tempo em naipar o baralho frente a Izabella (provavelmente não kkk). Ah, Iza chegou bem, apenas na segunda e depois de eu ter recuperado a minha chave HUAHUA.