domingo, 20 de agosto de 2017

Rumo ao Estrelato 01

Fiz minha estreia pelo Nacional. Será que estou perfilado para o cantar o hino? 

Era um final de tarde do último trimestre do ano de 2008. Estava com 13 anos e saía da escola depois de mais um dia de aula. Acompanhava meu colega Carlos (Jesus Negão) até o trabalho da mãe dele, que ficava no quarteirão ao lado da escola. Nessa curta caminhada, ele disse algo que me fez sonhar. “Cara, um amigo meu me falou que no novo PES dá para você jogar com um único jogador, tipo uma carreira. Você começa num time japonês, eu acho, aí depois você vai para um time conhecido, começa a jogar, vai crescendo". Não lembro exatamente as palavras, mas foi algo parecido com isso.


Eu sempre quis ser jogador de futebol, só não admitia. Nunca fui um cara hábil com a bola, era um dos últimos a ser escolhido na hora de tirar os times para a peleja na escola ou em qualquer lugar que conhecessem meu desempenho (só era um dos primeiros quando o critério era responder corretamente as perguntas sobre futebol na 4º série). Me resignei rapidamente com a minha inaptidão para jogar em nível profissional e busquei aumentar meu conhecimento sobre o esporte para ter conteúdo em conversas quando fosse necessário.

Em 2008 vivia um fascínio por um jogo chamado Elifoot 98 (saiba mais aqui) e por não “acreditar” muito em Jesus, já que era muito bom para ser verdade, deixei de lado a ideia de jogar o PES 2009. No entanto, tudo mudou em uma visita a meu amigo Luã da Maionese (bons tempos kkk) que tinha o jogo instalado em seu PC. Jogamos uns “contras”, mas queria saber mesmo era do Rumo ao Estrelato (Become a Legend na versão original), nome do modo do jogo em que você cria um jogador e trilha uma carreira. Ele não se mostrava muito interessado com o save dele no Rumo ao Estrelato e deixou eu jogar por ele. Entretanto, mal sabia que a cada minuto ficava mais empolgado com o jogo, já imaginando meu personagem realizando meu “sonho”.

Não me lembro ao certo, mas demorou um pouco desde essa “première” na casa do Maionese até jogar de fato no meu PC, o que só aumentou a expectativa. Nem o Elifoot estava mais tão interessante quanto antes. No meu primeiro save, quis ser volante, ou melhor, médio defensivo, daqueles que defendem e saem na boa. Achava (ainda acho, por mais que os treinadores e entendidos do futebol queiram meio-campistas nessa posição, que marquem e armem o jogo) que essa posição era a mais parecida com o meu objetivo na vida - um cara discreto, que não aparecia para a torcida, mas era muito importante para equipe. Porém, no jogo não deu muito certo, já que ia demais para o ataque e não cumpria as minhas obrigações defensivas como deveria.

Decidi iniciar um outro save, desta vez numa posição mais adequada ao meu estilo de jogo, segundo atacante. Em uma distração durante a personalização do novo save, ao invés de ser brasileiro, me tornei búlgaro, pois na ordem das nacionalidades no jogo, a Bulgária vem depois do Brasil (gostei desse “erro” e desde então só era búlgaro nos saves. Me tornei fã do país a ponto de comprar uma camisa da seleção búlgara e colocar o nome Stoichkov e o número 8, tal como o ídolo do Barcelona e melhor jogador da história da nação jogava). No outro save, me incomodava ser muito “parecido” com os outros jogadores. Então coloquei dreads verdes no meu personagem e curti o resultado (ao longo do tempo, só deixei de usar dreads verdes nos meus outros saves de Rumo ao Estrelato apenas uma vez e me arrependi kkk). Tanto no que não prossegui, quanto no novo, joguei na Juventus e fui campeão italiano já na primeira temporada do novo save. Talvez por isso tenha parado de jogar no PC e só voltei a jogar o modo no PS2 que ganhei em outubro de 2009, no PES 2010.



À esquerda, eu com a camisa da Bulgária. Poderia tirar uma foto com a camisa hoje, mas achei melhor essa foto de 2011 na Cidade Maravilhosa com uma sacola para celular ("original" da Adidas) no pescoço. À direita, eu, quer dizer, meu personagem no Roda-HOL em save do PES 2012 no PC. A trilha sonora durantes as partidas era Linger, dos The Cranberries.

Well, well, e o que tudo isso tem a ver com a foto do início do texto? Se você chegou até aqui (valeu, tmj) saberá agora. Há duas semanas eu não tinha quase nenhuma perspectiva de carreira. Um jornalista recém-formado que, como tantos outros, buscava seu espaço no mercado de trabalho. Aliás, ainda busco. Durante a minha formação não fiz nenhum estágio na área. Só era “jornalista” na faculdade praticamente. Preferi manter minha ocupação que me deu muito espaço para estudar e fazer as atividades do curso e ainda rendia um “faz-me rir” ao fim do mês. Continuo lá até hoje, mas não é o que gostaria.

No início deste ano, planejei entrar em um clube de futebol para realizar um estágio, já que continuei com aquela ideia de aumentar meu conhecimento sobre futebol até o fim da faculdade (e seguramente até o fim da vida) e me sentiria mais à vontade para trabalhar. Pensei que a Portuguesa seria um bom lugar. Não foi como imaginava, não cheguei nem perto de trabalhar lá e me frustrei muito, a ponto de não tentar em outros times naquele momento. Decidi então me concentrar em arrumar um emprego e depois ver no que dava. Eu só não queria ficar mais onde estou, já que entendo que outro jovem merece ter a oportunidade que tive.

“Aí sim, fomos surpreendidos novamente”, frase dita por Zagallo em algum momento da história e que virou meme em 2009, diz bem o que foi a minha procura por emprego no começo da busca. Tinha e tem vagas, mas são muitos requisitos e MUITOS concorrentes. E ora, quem sou eu? Sou apenas mais um na fila do pão, com pouca experiência, um diploma, um blog com menos de 10 textos, um canal no YouTube apenas para “guardar” os três vídeos que editei (tem mais um, só que talvez no Dia das Mães do ano que vem eu o suba no canal) e um network tão grande quanto o Solimões (o cantor para ficar bem claro). Ou seja, com sorte, TALVEZ em outubro do ano que vem, seria chamado para uma entrevista de emprego no Sindicato dos Motoristas de Carrinho de Mão.

Nesse cenário desanimador, resgatei a ideia de entrar num clube de futebol e dessa vez fui mais feliz na escolha. O Nacional Atlético Clube. Sediado na Barra Funda/Lapa. Um dos times fundadores da Federação Paulista de Futebol. Tradicionalíssimo, mas um tanto quanto esquecido pelas pessoas. Disputará a Série A2 ano que vem (foi o campeão da A3 esse ano) e está vivo na Copa Paulista, a mesma que a Portuguesa quer conquistar para ter uma divisão nacional no próximo ano. Com divisões de base do Sub-11 ao Sub-20, ainda abriga as escolinhas de base do Barcelona e a Arena Nacional de FUT7 em seus domínios.

O ensinamento popular diz que “o não você já tem”, mas eu penso que ouvir o possível “não” é um tanto quanto traumático dependendo das circunstâncias. Em algumas situações da minha vida, preferi não perguntar para não ouvir o “não” e hoje me arrependo de alguns casos, pois o sim não era tão improvável. Enfim, não tinha nada a perder e como aprendi na faculdade, perguntar não ofende (ainda lerei esse livro). Entrei em contato com o Nacional para ver no que dava e vi uma oportunidade que não esperava. O que era para ser uma conversa com o meu “chefe” Tercio, foi um choque quando ele me deu um colete de imprensa e uma câmera como se já trabalhasse lá há um bom tempo. Eu nem sabia o que estava acontecendo direito, aliás, até hoje não entendi bem ainda.

Ganhei uma oportunidade para trabalhar, fazendo o que eu gosto, ou melhor, que achava que gostava, pois nem experiência eu tinha direito para saber. Uma coisa é gostar de futebol, outra é escrever sobre futebol. Meu “primeiro dia” foi quinta-feira passada, cobrir o treino do Nacional. Enquanto tirava fotos do treino, melhor dizendo, do trabalho tático, como bem disse o técnico Betinho, lembrei do Rumo ao Estrelato. Não o que estou jogando hoje em dia, que me fez “pegar emprestado” um PS3 e amarrar um PS4 para quando der, já que no PC não rola e de PS2 já saturou (tudo isso por causa do Neymar e essa sua transferência obscena para o PSG. Será que ele joga ou já jogou Rumo ao Estrelato? Em 2009, ano de seu debut no Santos, eu estava no Pacaembu e vi seu primeiro jogo com a camisa peixeira no time “de cima”, a primeira bola na trave e o frisson que causava nos santistas. “Esse vai ser craque” ou “tem só 17 anos”, mesma idade em que você começa sabe em que jogo? Sim, God of War. Tô brincando Kratos, é no Rumo ao Estrelato do PES mesmo).

O treino me fez lembrar do primeiro Rumo ao Estrelato, aquele com brilho nos olhos, da realização de um “sonho”. Naquele Rumo ao Estrelato do PES 2009, diferentemente dos mais recentes, antes de você ser relacionado para uma partida oficial, você participava de jogos treinos, quer dizer, realizava trabalhos táticos. Se você fosse bem, seria relacionado. Na quinta-feira ganhei até um elogio de uma importante figura no clube, chamada Sr. Miguel, com Sr. mesmo, pois tem de ser respeitado.

Meu primeiro jogo, literalmente, foi ontem. Nacional 1x2 Portuguesa, pelo Campeonato Paulista Sub-20. Fiz uma matéria de menos de 300 palavras, que não estaria apta a ser postada no Torcedores.com (para fazer parte da seleta equipe de jornalistas do FUT7, capitaneada pelo não menos distinto Tercio, 
do qual também faço parte a partir de agora, tem de estar habilitado a escrever no site). Não importa, fiquei muito contente comigo mesmo, tal como aquela boa jogada pela ponta, depois de entrar no segundo tempo, em que você (seu personagem), bem pior que o adversário, consegue driblá-lo e finalizar, provavelmente um chute fraco e fácil para o goleiro (por mais que os goleiros de PES não sejam TÃO confiáveis).

Hoje é meu primeiro jogo no time titular. Portuguesa x Nacional (parece que a Lusa quer realmente participar da minha história), fora de casa, pela Copa Paulista. Tentarei ser melhor do que nas oportunidades que entro no segundo tempo e conquistar de vez minha vaga no time. Sei que um cara que escreve sobre futebol, por mais que seja na assessoria de imprensa de um clube, não é a coisa mais exclusiva do mundo, continuo um ninguém na fila do pão. Mas agora se alguém me perguntar o que faço, posso dizer que estou realizando um sonho.

PS.: Esse texto tem 1790 palavras, mas não seria publicado no Torcedores.com, pois não tem um título atraente, não atende os requisitos do SEO, o título não está no lead, não tem os 6Qs nos primeiros parágrafos......

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